Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Walkability, estudos para um caminhar com mais acessibilidade

Caminhar faz bem e é recomendado por quase todos os médicos e manuais de boa saúde.

Caminhar nas grandes cidades nem sempre é um exercício assim tão saudável.

Desde a questão segurança que nos tolhe a vida cotidiana até as condições das calçadas urbanas que nos fazem ter torcicolos e perder o hábito de andar de cabeça erguida para não corrermos o risco de um acidente urbano. 


Construir cidades saudáveis com ruas e equipamentos urbanos que auxiliem na promoção da saúde é uma necessidade dos planejamentos urbanos atuais. Estamos cada vez mais conscientes de que não podemos depender tanto dos meios de transporte individuais tanto pela questão da poluição e gasto energético, como pela necessidade de praticar exercícios mais regulares, entre eles a caminhada.

Existem várias práticas sendo propostas como exercícios de conhecimento da cidade que usam a caminhada como ferramenta, vejam em caminhar e parar como se dá esse aprendizado de reconhecer não apenas a cidade, mas o outro que a habita. Eu já relatei também minhas experiências em divagações de uma caminhante solitária por um parque de minha cidade, Porto Alegre.


Mas o falar em caminhar envolve mais que apenas escolhas de exercícios. Envolve acessibilidade, o estudo de como as cidades facilitam ou tolhem o deslocamento das pessoas a pé e o quão amigável é uma cidade, a tal da Walkability . Já há vários estudos a respeito que respaldam não apenas decisões de planejamento, como escolhas individuais das pessoas. 

Uma delas é uma maneira de medir a acessibilidade de pedestres via Ciência de Dados. Descobri um blog bem interessante com essa postagem que pode ser lida na integra AQUI
"Como poderíamos medir e mapear a capacidade de locomoção usando ferramentas de ciência de dados? Este blog sugere uma abordagem baseada no Pandana , uma excelente biblioteca Python desenvolvida por Fletcher Foti."

O Google também está desenvolvendo uma nova funcionalidade para mapear locais com maior ou menor acessibilidade, o que pode facilitar a vida de inúmeras pessoas, desde cadeirantes, passando por pessoas com mobilidade reduzida, crianças, gestantes e mesmo pessoas que queiram caminhar bastante e contar com rotas mais amenas. Veja o artigo onde falo sobre isso AQUI.


Há relatos de experiências corajosas e baratas que mudam cidades e uma delas,mostrada na imagem abaixo, fala do caso de Los Angeles onde um plano coeso e focado procura mudar a realidade da cidade para uma mobilidade mais acessível.


Arquitetando nossas cidades com ideias que promovam o bem estar e a saúde de sua população mostra uma evolução na mentalidade dos governantes e habitantes.

Que deixemos de ser analfabetos urbanísticos


Imagens: Pixabay

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