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Mostrando postagens de Agosto, 2014

Aproveitando o pé da máquina de costura da bisa

Sou da época em que as vós costuravam. Em casa. Minha vó ficou viúva com 24 anos, quatro filhos, o mais novo com 4 meses(!). Ela os criou pedalando muito! Sim, naquela época as máquinas de costura tinham pés e eram movidas às pedaladas que as mulheres davam com os pés. Não é a toa que muita nona tenha pernas lindas. 
Pois bem, da profissão de minha vó que costurava para alfaiates da cidade para sustentar seus filhos às donas de casa, que faziam as roupas de todos, já que confecção pronta era coisa de muito poucos, sobraram muitos pés de máquinas. Lindos! Eu mesma tenho minha mesa do escritório sobre um deles. Aliás, sobre sobras de algumas máquinas, já que eram peças soltas que uni. Mas ficou bom. Depois virou moda, meio viral, sabem como é. E como tudo que se usa muito, acabou ficando cansado e meio esquecido. Mas é tão bonito e se pode usar de tantas maneiras que eu considero uma peça muito clássica. Assim reuni varias utilizações para quem ainda tem um pé de máquina para chamar de s…

Revestindo paredes

Quando a gente pensa em revestir paredes lembra de tintas, papel parede, pedras, madeira....mas se a ideia for fazer uma parede bem mais original que tal pensar em outras maneiras de fazer um revestimento bem mais original?
Fotos. Sim, todos gostamos de mostrar nossas fotos. Que tal uma parede inteira com a história da família, das viagens, dos bons momentos da vida? Dá para montar tudo isso em adesivos e o resultado fica muito, muito interessante!  Mural. E um bem diferente! Unindo quadro negro, mural com tinta metálica e um expositor? E sim, tudo pode estar junto. E o melhor é que é bem fácil de fazer. Uma moldura que pode ser comprada pronta, tintas especiais e cordas. E está pronta sua parede!
Mapas - os viajantes podem ter sua alma nômade amainada por um mural com mapas de países ou cidades.  Recordações de vida também tendem um belo revestimento de paredes.  Filosofia. Essa é perfeita para os pensadores. Pode ser feita com embalagens usadas e pintadas, pode ser feita com tecido. O im…

Desenho a mão livre - ferramenta essencial do arquiteto

Muitos estudantes perguntam sobre o curso de arquitetura, o que podem antecipar em saber para entrar na faculdade já com um cabedal de conhecimento que lhe facilite o aprendizado. Já expliquei a rotina de um arquiteto para estudantese falei aqui sobre 10 lições para aprender arquitetura.
Mas se tivesse que escolher uma prioridade, o que aprender primeiro? Teoria, prática, CADs? Essa madrugada uma jovem perguntava em uma lista de arquitetura. Minha resposta? 

Treine o olhar. Comece pelas peças de tua casa. Desenhe a mão livre o teu quarto, procure perceber a escala/tamanho das coisas sem usar réguas. A verdadeira ferramenta do arquiteto se chama percepção espacial. Faça isso pelas ruas, olhe, sinta, perceba. Treine o cérebro. Desenhe a mão livre. Muito. Sente na rua e desenhe. Viaje.
Grandes arquitetos fizeram seu repertório dessa forma - através da observação, de viagens pelo mundo, de um caderno companheiro, ou folhas soltas onde desenhavam. Suas mentes eram ensinadas a reconhecer …

Nossas cidades invisíveis são feitas de pessoas e momentos

Nossas cidades são feitas de pessoas e momentos.Mesmo as gigantescas como São Paulo. 
Cena 1: Convergência. Banheiro de hotel. Desses econômicos em que as frescuras são economizadas. Sim, porque hotel tem em geral uma mística em que tudo é pensado para que o hóspede se sinta um rei. Ou um duque. Ou algo minimamente parecido com algo nobre. Nesses não. Enfim. No banheiro do hotel, saída. Uma rápida escovada nos dentes após um café da manhã dito saudável mas que é igual a todos os outros - um pouco de fruta, pães e queijos. Voltando ao banheiro. Um sorriso e duas pessoas estranhas conseguem falar, encontrar pontos de interesse no que vieram fazer na cidade estranha. Nada estranho. A não ser o contato olho a olho que vai se tornando cada dia mais raro. Talvez não afete tanto os visitantes.   
Cena 2: Divergência. Uma corrida de táxi. Pequena.Poucos quilômetros significam pouco dinheiro em troca. Motorista não muito jovem, não muito animado, não muito amistoso. "Senhora, não tenho tro…

Corredor longo - como tratar

Uma das lições básicas de uma boa solução arquitetônica passa por resolver sem usar áreas desnecessárias. Um exemplo de área inútil são os corredores...Quantas vezes vemos apartamentos e casas com imensos caminhos que acrescentam muita metragem quadrada sem uma utilidade compatível. Mas se eles existirem, como tratá-los?
Se você não pode lutar contra o inimigo, una-se a ele! Isso mesmo, tire partido do longo caminho e use e abuse das textures e cores diferentes. Pensando bem, não abuse, apenas use.
Se você for sortudo e o corredor for mais largo, aproveite como um armário. Se tiver em torno de 1,40, 1,30 de largura já dá para pensar em um armário com portas de correr. Mesmo estreitos já quebram um belo galho na organização da casa.
Tijolos aparentes ou mesmo papel de parede imitando tijolos, com um rodapé alto e muita luz de efeito valorizam qualquer corredor. Principalmente os que tiverem luz natural para contrabalançar o efeito mais bruto da parede.  
Usar como galerias de arte ou p…

Via Wines - degustação sobre as águas

Vinho é tão maravilhoso que vou continuar no assunto e mostrar um projeto bem bacana de uma vinícola chilena, projeto do escritório Claro Arquitetos. A ideia? Uma sala para degustar bons vinhos e aproveitar a vista dos vinhedos. 

A localização privilegiada leva a que a degustação do vinho se mescle à contemplação da natureza, sobre uma linda lagoa e com vista para um vulcão.  
O projeto levou em consideração essa natureza bonita e decidiu que esse local de delicias devia flutuar sobre a lagoa. Estrutura metálica, vidros e madeira de demolição fazem parte das escolhas dos projetistas e que fazem desse projeto um convite ao deleite dos sentidos. 
Fonte

Dia Mundial da Igualdade Feminina - e na Arquitetura?

Dia 26 de agosto é uma dia de reflexão sobre a atuação e especialmente das ainda desigualdades que marcam o papel que as mulheres exercem nesse mundo. Desde meninas somos cercadas de rosas, de bonecas e por mais que nos esforcemos por ter nossas próprias escolhas de vida, lá vem a propaganda nos inundar com conceitos de como devemos ser para sermos "mulheres de verdade". E quando ouço esse conceito, logo me vem a mente: perfeição. Sim, não nos exigem menos do que sermos competentes, independentes, competitivas, lindas, bem vestidas, magras, boas mães, boas esposas, boas amantes, participativas, etc, etc. Ufa gente, ninguém consegue abarcar todos os papéis na vida!


E na Arquitetura? 

Esses dias achei um texto bem interessante que falava justamente sobre essa desigualdade na atuação das arquitetas. Se perguntarmos rapidamente sobre arquitetos famosos mundialmente, vários nomes surgirão. Mas e se perguntarmos especificamente por uma grande nome feminino da Arquitetura aposto que …

Vinho - é simbólico, é sagrado, é profano

Esses dias conversava com uma amiga sobre como pessoas que curtem vinhos são diferentes. Não diferenciadas, diferentes, no sentido de diferir, de observar detalhes e sutilezas que outras bebidas não conferem (espumante é vinho, fique bem claro). 

Tudo bem, sou suspeita porque é minha bebida predileta. Mas veja bem, o ato de beber um vinho já traduz uma série de rituais. Não é apenas abrir e beber. Tem que guardar em condições especiais -  Vinho pede adega.

Mesmo que nossa adega seja de caixas recicladas, ou que aproveitemos as embalagens de vinho para fazer uma bossa especial, como revestir paredes ou fazer móveis, mesmo assim, o ato de beber uma bebida dos vivos ou que remete ao sagrado conforme alguns de seus simbolismos, sempre se reveste de uma atitude de contemplação hedonista da vida. Os reais apreciadores da bebida não se embriagam, sabem respeitar e admirar os seus efeitos.
Alguns de seus simbolismos podem ser lidos na figura abaixo que tirei de um livro de símbolos.   
In Vino V…