Evite incêndios e intoxicação com produto de lã de PET reciclada

Recebo vários releases de produtos e separo alguns por achar de interesse geral. E na semana do triste aniversário do incêndio da Boate Kiss em Santa Maria, no meu estado, achei interessante mostrar um produto que é feito com lã de PET reciclado e, segundo seu fabricante, não propaga chamas, não emite gases tóxicos e é 100% reciclável.  

Além de seguro, produto é feito com lã de PET, reciclado e 100% reciclável. 
Divulgação Trisoft 
O Petfom, produzido e patenteado pela Trisoft, é a evolução da espuma de PU e alternativa viável para enchimento de colchões, estofados e outros produtos. “Com o Petfom”, explica Maurício, “eliminamos o problema de forma definitiva, e podemos ir além, evitamos que haja queima de colchões em rebeliões que acontecem em presídios, por exemplo. Tudo isso de uma forma sustentável e que favorece o mercado”, enfatiza. A Trisoft também tem o Isosoft, usado para tratamento temo acústico em paredes e forros, e que também tem as mesmas características, tornando as construções e os ambientes mais seguros.

As vantagens do Petform
  • 100% Reciclável
  • Atóxico
  • Antialérgico
  • Inodoro
  • Não Mofa
  • Não Absorve umidade
  • Não Oxida
  • Aproveitamento de 100% do produto (entregue em placas no tamanho exato a ser usado)
  • Auto Extinguível (não propaga chamas)


Produto Trisoft evita propagação de chamas e emissão de gases tóxicos. 
Divulgação Trisoft
Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterest 
snapchat: arqsteinleitao

Casa de Chá - transforma o antigo em novo

"Eu faço o que não existe". Li essa frase hoje em uma rede social e achei uma excelente definição para quem trabalha em Arquitetura. E transformar o que existe em algo novo também!

É o caso desse projeto do Arch Studio que reinventou cinco casas antigas (e não apenas antigas como culturalmente interessantes) em uma casa de chá de 450 m2, no distrito de Hutong, em Pequim.

Quem conhece algumas culturas orientais sabe da importância da cerimônia do chá e como os espaços para elas são tratados com reverência e delicadeza. Nessa "Tea House" os clientes poderão também ler e comer.

Como todo projeto que transforma o antigo em novo, este também começa pela análise do existente. A estrutura em madeira e o fechamento em tijolos revelam a idade e as alterações sofridas com o tempo. O que pode ser mantido, o que deve ser restaurado e o que deve ganhar novos materiais é uma equação que leva em conta a história e o orçamento disponível.

Definidos estes parâmetros, parte-se para a adequação das antigas edificações aos tempos modernos. As exigências térmicas exigem um fechamento do prédio que leva a criação de um corredor com transparência, mas fechamento, que faz uma ligação entre o passado e o presente. Jardins se misturam ao bambu dos espaços internos, criando uma fluidez poética que conduz às mesas e também a um relaxamento que é próprio da cerimônia e do ato de degustar o chá.




Intervir em um bairro histórico exige uma complexa teia que harmonize novos usos comerciais e de vida com as antigas habitações que revelam e guardam memórias de outros tempos e costumes. Privilegiar um ou outro talvez seja um meio não muito rico de projetar e entender a cidade e suas diferentes relações. Mas manter essa harmonia pode fazer com que a própria população se dê conta da sua importância cultural e artística. 



Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterest 
snapchat: arqsteinleitao

Obra de Debret...e a pergunta: Pode-se conter o artista?

Quem me acompanha há mais tempo aqui no blog, sabe que uma das minhas diversões prediletas são as atividades gastronômicas culturais (e etílicas) do Studio Clio. Elas me dão um refresco na alma e me garantem um alento de sobrevivência porque sem Arte e sem diversão a Vida fica muito pequena. E chata.

O tema do almoço cultural era o olhar de Debret sobre a realidade do Brasil oitocentista. E é interessante destacar como os estados (leia-se aristocracia reinante) de então se valiam dos artistas para passar o seu recado. Pensem que afinal não havia redes sociais, não havia fotografia e cabia aos artistas, especialmente os pintores, a tarefa de mostrar como eram e como viviam os poderosos. E talvez fosse isso o que motivasse tantos mecenatos (e ora vivas que assim o fosse!). Ganhamos todos nós com obras que retratam a arquitetura, os palácios e os acontecimentos importantes. 

Mas ( e aí se encontra um poder fantástico do artista - ser desafiador e curioso), muitos desses que foram contratados para a tarefa de divulgadores do status quo, olhavam além. E seus olhares sensíveis não ficavam alheios à realidade da vida cotidiana. Foi o caso de Debret (com essa intenção ou não) que fez vários estudos e retratou uma realidade que lhe espantava. Talvez encantava de um lado pela diversidade de cores e frutos. Mas também lhe causava espécie o papel dos menos favorecidos (os escravos) que arcavam com o ônus do trabalho duro.
“Tudo assenta, pois, neste país, no escravo negro”. Na roça, o escravo rega com seu suor as plantações do agricultor. Na cidade, o comerciante fá-lo carregar pesados fardos. Se pertence ao capitalista é como operário ou na qualidade de moço de recados que aumenta a renda do senhor. Mas, sempre mediocremente alimentado e maltratado, contrai às vezes os vícios de nossos domésticos, expondo-se a castigos públicos, revoltantes para um europeu”. Debret
No meio de um ambiente acolhedor, desfrutando de um excelente almoço e passeando pelas obras de Debret que mostravam um Rio de antigamente, não pude deixar de pensar no papel da Arte e do artista nos dias de hoje. 

Em tempos de câmeras e meios digitais que retratam tudo sobre a vida de todo mundo (acabo de saber que um jornalista divulgou um exame médico de uma pessoa por julgar de interesse público ao arrepio da privacidade de um doente) é de se pensar como esse olhar desafiador do artista que capta a realidade se manifesta nos nossos dias. Há os que defendem que a Arte deva ser enquadrada e restrita à locais apropriados. Outros defendem a liberdade de expressão, mesmo que fira a propriedade privada. A pergunta é: pode-se conter o artista? Quem define o que é arte? Muitos dos gênios de hoje foram execrados em suas épocas. O que admiramos em Debret hoje não são exatamente as suas obras oficiais mas as que fez pelo seu desejo interno de retratar algo que lhe espantava...   
Almoço Clio | Os pinceis de Debret e seu olhar sobre o Brasil oitocentista
Charles Lopes

"Convidado para integrar a Missão Artística Francesa, Jean-Baptiste Debret desembarcou no Brasil em 26 de março de 1816. Sua principal incumbência, juntamente com outros compatriotas, era a de elaborar as bases de uma Academia de Belas Artes. Ao longo de sua permanência por 15 anos no país, o artista desenvolveu uma intensa relação pessoal e emocional com o território brasileiro. Nesse período, retratou o cotidiano e a sociedade do século XIX, especialmente no Rio de Janeiro. Com sua minuciosa observação eternizou a realeza, a vida da nobreza, o cotidiano de escravos, e os festejos populares do período.Nesse Almoço Clio, o professor Me. Charles Ross Lopes convida a percorrer algumas obras desse magnífico artista, que se consolidaram como registros históricos da formação de nosso povo e nação. Enfim, conheceremos um pouco da produção desse importante mestre para a pintura brasileira. Gastronomia da chef Carine Tigre."
Entrada : Empadinhas de queijo com saladinha de rúcula (adoro empadas então sou suspeita para elogiar, mas estava delicioso. Pena ser só uma...)
Principal: Picadinho à la calvados com purê de mandioca (não costumo comer carne vermelha, mas a quantidade dela não era exagerada e tinha algo no meio que não soube definir se era uva ou cogumelo...mas o aroma e o sabor...dos Deuses!)

Sobremesa: Bavaroise de manga com couli de maracujá (saia justa do almoço. Não curto maracujá - é uma longa história e qualquer dia eu conto. Mas gosto de manga e noves fora, estava muito bom) 
Fonte das imagens de Debret - Carta Capital

Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterest 
snapchat: arqsteinleitao

Telhado Côncavo capta água em escola primária

A primeira vista parece uma reprodução em série dos "pratos" de Niemeyer no Congresso Nacional em Brasília. Mas longe de uma arquitetura monumental, essa imagem mostra uma solução pensada para uma região árida e quente. Projeto de BMDesign Studios para uma escola primária iraniana. A ideia é simples: Grandes formas côncavas que captam a água da chuva para beber e para refrigerar os prédios.

Segundo os projetistas, a forma das "tijelas de captação" também permite que o ar se movimente entre elas e ajuda a resfriar os telhados. Como os reservatórios de captação de água são colocados juntos às paredes dos prédios, eles permitem um maior controle da temperatura interna já que a água acaba por absorver o calor dessas paredes. A expectativa é que a coleta nesse projeto tenha uma eficiência em torno de 60%

Outros elementos do projeto também atuam no controle da temperatura como o formato das aberturas, o pátio mais fundo e a vegetação do entorno. Uma série de "torres de vento" inspiradas na arquitetura tradicional persa também auxiliam na ventilação natural.

(via archdaily )









Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterest
snapchat: arqsteinleitao

O Velhão, a Véia e o resgate do passado

Já falei várias vezes que sou uma fissurada pela História e talvez essa fosse minha segunda opção de profissão. Saber o que houve antes de nós, como as pessoas reagiram e como aconteceu o que aconteceu é das lições mais valiosas para conhecer os seres humanos. Porque digo e repito sempre: a tecnologia evolui mas a humanidade e suas paixões permanecem as mesmas...

Então imaginem como achei interessante saber desse espaço em São Paulo onde amigos foram almoçar. Primeiro porque uma metrópole (cada vez mais cinza) como a capital paulista sempre me esconde surpresas que me fazem ama-la. Apesar de. 
"....Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso"
   
 O Velhão e sua inusitada história. Que começa na vontade e desejo (são o mesmo?) de alguém que curte o passado. E o resgata na forma de objetos. Tanto o faz que acaba virando um negócio e para isso compra uma gleba de terras no "meio do nada" que era a região da Cantareira na ocasião. 
 E da primeira gleba e das outras que se sucederam nasce um "centro comercial" que perdura após sua partida desse plano. Sua mulher administra então o negócio e como a sua comida é elogiada, surge um local de gastronomia e ela assume o apelido de Véia.
 As fotos dessa postagem foram tiradas por meus amigos para me passar uma noção do que é o lugar ( e já me despertar a vontade de conhecer em uma próxima viagem à São Paulo). 
Pelo que pude apurar, não existiu um projeto formal e os ambientes parecem ir acontecendo em uma complexa harmonização que lembra como a natureza faz em suas caprichosas criações que parecem fugir de um planejamento mais formal. E esse é justamente o seu charme maior...

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva


 Saiba mais sobre o Velhão AQUI

Trechos da música Sampa de Caetano Veloso são citadas no texto




Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

snapchat: arqsteinleitao 

Casa criativa premiada - Murphy House (Casa do Ano RIBA 2016)


Este é pior que eu...Mal consegue passar pelas escadas, cria aberturas escondidas até onde não carece, mas tudo absolutamente primoroso, finamente acabado! Oscar Muller
Assim me chegou o email do colega Oscar (e já falei dele em um arquiteto de primeira) com um link para um vídeo no you tube. Como conheço os projetos do Oscar e sei que ele cria coisas fantásticas em espaços que se transformam, fui conferir e eis que encontro essa casa - A Murphy House, localizada em Edimburgo, e projetada por Richar Murphy ( e segundo li inspirado no trabalho do arquiteto italiano Carlo Scarpa - que aliás merece um estudo mais aprofundado).


O vídeo mostra um projeto cheio de detalhes e espaços inesperados e bem bolados. Tanto que recebeu o prêmio de Casa do Ano 2016 pelo Instituto Real de Arquitetos Britânicos.
"A Murphy House é o melhor exemplo deste ano de como superar restrições desafiadoras - do planejamento de restrições e um local estranho em um local urbano - para construir uma casa deslumbrante. Parte quebra-cabeça, com seus espaços ocultos e inesperados, e parte Wallace e Gromit com suas peças em movimento e paredes desaparecendo, esta é uma casa modelo de perfeição pura e um vencedor digno da casa RIBA do ano de 2016." (Fonte)
 
Uma casa que levou quase dez anos sendo construída. E obteve uma licença especial do Conselho de Municipal de Edimburgo em decisão que não foi unânime na época. Sobre a liberação disse o arquiteto:
"Esta decisão sublinha que os conselheiros de Edimburgo - embora talvez nesta ocasião, não os seus responsáveis ​​pelo planejamento - tomem uma atitude progressista em relação ao contínuo aperfeiçoamento do patrimônio mundial com um design sensível e contemporâneo de alta qualidade". (Fonte)
Com estrutura em aço, a casa de 165 m2, está localizada em um lote considerado estranho e em área de patrimônio histórico da cidade. 

O telhado inclinado é feito de vidro com células fotovoltaicas e serve tanto para prover iluminação como captar energia do sol e conta com mecanismos de regulação para que o telhado seja fechado ou aberto conforme a necessidade do clima.  
O que fascinou o juri (e eu mesma) foram os elaborados detalhes de espaços que em cada um dos cinco níveis da casa, sempre reservam uma surpresa, seja em forma de vãos de iluminação, seja em espaços que se movem e se transformam.   
É o tipo de projeto que mostra que uma casa não se faz só de paredes e que a criação dos espaços internos é inerente ao ato de projetar. Como tratar a ambientação como um adendo a ser feito em tempo posterior? Como criar um conceito de casa, sem atentar para os detalhes que comporão sua arquitetura interna? Não concordam?





Fotos © Keith Hunter.

Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

snapchat: arqsteinleitao 

Gosto não se discute! Não?

Gosto é gosto e é coisa pessoal. Afinal o que seria do amarelo se todos amassem o fúcsia, não é verdade?

Não, essa coisa de respeito ao gosto alheio parece cada dia mais distante nesses tempos nossos tão mais sectários onde clicar em um polegar para cima ou em uma carrinha brava é tão simples. 
E embora haja mais liberdade para que cada um expresse o seu estilo em sua casa ou negócio, ainda há algumas "normas" que definem o que é elegante do que é considerado kitsch


kitschque se caracteriza pelo exagero sentimentalista, melodramático ou sensacionalista, freq. com a predileção do gosto mediano ou majoritário, e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões inautênticos, encarnar valores da tradição cultural (diz-se de objeto ou manifestação de teor artístico ou estético)."literatura, pintura, decoração k." 
Fonte

Mas afinal, o que é esse tal de bom gosto?

Para mim o que distingue o “mau” gosto do bom gosto é a falta de conteúdo. É a falta de verdade. A Arquitetura não é diferente da vida da gente, brilho falso pode até agradar, mas não dura. Vira coisa datada como se vê tanto por aí. Um móvel, um revestimento, um ornamento que é moda uma temporada ou duas, mas não fica. É datado. Os clássicos, os estilos de verdade, permanecem. (Elenara Leitão)
E embora haja poucas dúvidas quanto ao acerto do uso de peças clássicos - e por isso são normalmente escolhidos para ambientes de uso público, sejam privados ou pertencentes aos Estados - há quem não goste delas por ene motivos. Já ouvi falar de gente que achava que o quadro tinha que combinar a cor com a mobília. Ou que um determinado estilo não é condizente com o seu gosto pessoal. 
Quando o ambiente é privado sou a favor de total liberdade. Cada um faz com o seu orçamento o que lhe dá mais prazer. Quando é privado mas de uso público, uma empresa, por exemplo, talvez seja interessante levar em conta outros componentes que passem a imagem do negócio. Uma firma de advogados em tons de rosa talvez fiquem bem no filme Legalmente Loira, mas talvez soe estranho para quem trabalha com clientes de perfil mais conservador.  
Fonte
Quando o prédio é público falamos de bens que pertencem ao povo. E por mais abstrata que essa palavra possa parecer, ela é custeada pelos impostos. E impostos todos sabemos a origem. E nesse caso sou bem mais rígida. Acho que deveriam ter normas para mudanças. E vou contar uma experiência pessoal para que entendam porque penso assim desde adolescente:

Morei em Brasilia nos anos 70. Meu pai trabalhava em um órgão estatal e fomos morar em um apartamento funcional. Para quem não sabe o que é isso, é um imóvel que pertence a um órgão público e que é posto à disposição de uma pessoa que está trabalhando para aquele órgão. Por um tempo determinado, leia-se. Mesmo na época da ditadura havia uma alternância de pessoas no poder. O apartamento onde fomos morar tinha uma decoração estilo nordeste brasileiro. Era muito interessante! Cadeiras de couro diferentes, uma mesa imensa com tampos de azulejo. Diferente do gosto sulista de quem assumiu o poder ali. Ordem de cima: tira tudo e decora de novo. Lembro que meus pais tentaram ficar com o que tinha ali, que era muito bom, não estava estragado e mesmo não sendo nosso gosto pessoal, era perfeitamente viável para quem ia morar ali por poucos anos. Conseguiram ficar com um pouco, mas como já tinha sido feita uma compra em uma loja local, os móveis de antes foram para um depósito(!). Isso incluiu eletrodomésticos. Tudo para o tal depósito. Anos fiquei pensando em como ele seria? Não aproveitariam de novo? Ficaria tudo lá mofando? Não existia liberdade de imprensa, ninguém podia fiscalizar de fora....

Então quando vejo hoje que se trocam os móveis, tapetes, enfeites simplesmente porque não são do gosto de quem não é o dono sozinho, não gosto. Quando se coloca um adendo nada a ver em um jardim tombado de um bem público, não gosto. Um bem público não pode ficar sujeito ao gosto pessoal de quem lhe habita. Ponto. E aí sim, discuto o gosto. E acho que se não houver regras que definam o que pode ou não ser modificado, elas devem ser feitas. Se existirem devem ser obedecidas.     

Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

snapchat: arqsteinleitao 

O dia que esbarrei em Carlos Bratke

Entre as noticias de partidas desse plano - e são tantas que a gente mal tem tempo de respirar, que já parte outro. Hoje foram Zygmunt_Bauman ( "Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar") e Carlos Bratke

A arquitetura seria a antítese da liquidez que não perdura. Teoricamente o arquiteto vive de erigir. De tornar perene. De fazer um sonho acontecer de forma concreta.

Quando enfim me formei, lá pela década de 80, eu tinha meus ídolos. Um deles era Carlos Bratke.
Carlos Bratke: Edifício Jacarandá, São Paulo
Ele tinha uma ousadia, uma maneira de expressão que eram para mim, na época, muito inspiradoras. Tinha uma secreta vontade de trabalhar com ele. Dessas vontades que ficam guardadas dentro da gente. Principalmente quando a gente aqui não é atirada e não vai bater na porta dos ídolos com a cara e a coragem (e a produção da faculdade que era a única coisa que tinha para mostrar). O tempo e a experiência me mostraram que isso nem é loucura. Que muitos profissionais curtem quem é ousado e que a única coisa que pode acontecer é levar um não na cara. O que por si só já é igual a não fazer nada.
   
Residência em Brasília II / Carlos Bratke /Imagem: Joana França
Enfim, fiquei acompanhando a produção do Bratke de longe. Nesse meio tempo fui conhecendo mais a trajetória de seu pai, Oswaldo Bratke, e me encantei pelo seu processo de trabalho, pela sua preocupação com o bem estar dos usuários.

Uma residência não é verdadeira pelo impacto que possa provocar, mas por seu conteúdo. É o ambiente em que a pessoa, mesmo só, não se sente desamparada.  Oswaldo Bratke

Fonte
E fui mudando o foco da forma do filho para o conteúdo do pai. Fui achando outros ídolos dentro da Arquitetura. Até que um dia esbarrei (literalmente) em Carlos Bratke...

Mas não da forma como gostaria de ter feito. Estava em uma Bienal em Buenos Aires (a mesma onde vi uma palestra de Zaha Hadid e fiquei no mesmo hotel de Eolo Maia). Era uma exposição de obras de arquitetura e eu, super entusiasmada, me afastei para fotografar um painel e dei um encontrão na pessoa atrás de mim. Que obviamente não gostou e expressou em alto e bom som. Sim. Era Carlos Bratke.  

(Por coincidência todos morreram cedo. E em plena produção)    

 Há momentos em que ou se transforma o limão em limonada (puxa!!! Tu é Carlos Bratke!!! Sou super tua fã, te admiro demais, etc, etc) ou se enterra o sonho de outrora em um buraco que se abre no chão e nos engole em vergonha pura. (adivinha qual a minha escolha...)

Por isso hoje, quando vi que o Bratke tinha encerrado sua passagem nessa terra, ainda em plena atividade profissional, fiquei triste. Lembrei de tantos momentos em que ele esteve ligado à minha própria trajetória. E passou um filme na cabeça, da inspiração dos primeiros anos, à passeios pela Berrini em São Paulo, onde sua obra se mostrou mais profícua.

Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

snapchat: arqsteinleitao 

Zerno, uma semente para o amanhã

Um dos efeitos da pandemia que assola o mundo no começo da segunda década do século XXI é um desejo de volta a uma vida mais em contato com ...