Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Gosto não se discute! Não?

Gosto é gosto e é coisa pessoal. Afinal o que seria do amarelo se todos amassem o fúcsia, não é verdade?

Não, essa coisa de respeito ao gosto alheio parece cada dia mais distante nesses tempos nossos tão mais sectários onde clicar em um polegar para cima ou em uma carrinha brava é tão simples. 
E embora haja mais liberdade para que cada um expresse o seu estilo em sua casa ou negócio, ainda há algumas "normas" que definem o que é elegante do que é considerado kitsch


kitschque se caracteriza pelo exagero sentimentalista, melodramático ou sensacionalista, freq. com a predileção do gosto mediano ou majoritário, e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões inautênticos, encarnar valores da tradição cultural (diz-se de objeto ou manifestação de teor artístico ou estético)."literatura, pintura, decoração k." 
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Mas afinal, o que é esse tal de bom gosto?

Para mim o que distingue o “mau” gosto do bom gosto é a falta de conteúdo. É a falta de verdade. A Arquitetura não é diferente da vida da gente, brilho falso pode até agradar, mas não dura. Vira coisa datada como se vê tanto por aí. Um móvel, um revestimento, um ornamento que é moda uma temporada ou duas, mas não fica. É datado. Os clássicos, os estilos de verdade, permanecem. (Elenara Leitão)
E embora haja poucas dúvidas quanto ao acerto do uso de peças clássicos - e por isso são normalmente escolhidos para ambientes de uso público, sejam privados ou pertencentes aos Estados - há quem não goste delas por ene motivos. Já ouvi falar de gente que achava que o quadro tinha que combinar a cor com a mobília. Ou que um determinado estilo não é condizente com o seu gosto pessoal. 
Quando o ambiente é privado sou a favor de total liberdade. Cada um faz com o seu orçamento o que lhe dá mais prazer. Quando é privado mas de uso público, uma empresa, por exemplo, talvez seja interessante levar em conta outros componentes que passem a imagem do negócio. Uma firma de advogados em tons de rosa talvez fiquem bem no filme Legalmente Loira, mas talvez soe estranho para quem trabalha com clientes de perfil mais conservador.  
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Quando o prédio é público falamos de bens que pertencem ao povo. E por mais abstrata que essa palavra possa parecer, ela é custeada pelos impostos. E impostos todos sabemos a origem. E nesse caso sou bem mais rígida. Acho que deveriam ter normas para mudanças. E vou contar uma experiência pessoal para que entendam porque penso assim desde adolescente:

Morei em Brasilia nos anos 70. Meu pai trabalhava em um órgão estatal e fomos morar em um apartamento funcional. Para quem não sabe o que é isso, é um imóvel que pertence a um órgão público e que é posto à disposição de uma pessoa que está trabalhando para aquele órgão. Por um tempo determinado, leia-se. Mesmo na época da ditadura havia uma alternância de pessoas no poder. O apartamento onde fomos morar tinha uma decoração estilo nordeste brasileiro. Era muito interessante! Cadeiras de couro diferentes, uma mesa imensa com tampos de azulejo. Diferente do gosto sulista de quem assumiu o poder ali. Ordem de cima: tira tudo e decora de novo. Lembro que meus pais tentaram ficar com o que tinha ali, que era muito bom, não estava estragado e mesmo não sendo nosso gosto pessoal, era perfeitamente viável para quem ia morar ali por poucos anos. Conseguiram ficar com um pouco, mas como já tinha sido feita uma compra em uma loja local, os móveis de antes foram para um depósito(!). Isso incluiu eletrodomésticos. Tudo para o tal depósito. Anos fiquei pensando em como ele seria? Não aproveitariam de novo? Ficaria tudo lá mofando? Não existia liberdade de imprensa, ninguém podia fiscalizar de fora....

Então quando vejo hoje que se trocam os móveis, tapetes, enfeites simplesmente porque não são do gosto de quem não é o dono sozinho, não gosto. Quando se coloca um adendo nada a ver em um jardim tombado de um bem público, não gosto. Um bem público não pode ficar sujeito ao gosto pessoal de quem lhe habita. Ponto. E aí sim, discuto o gosto. E acho que se não houver regras que definam o que pode ou não ser modificado, elas devem ser feitas. Se existirem devem ser obedecidas.     

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