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Mostrando postagens com o rótulo Minha cidade

O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Calçadas que cuidam: quando o chão da cidade decide quem tem o direito de sair de casa

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A imagem nos mostra uma condição ideal, mas a realidade nos traz outra verdade. Quantas vezes sentimos medo ao andar em nossas calçadas urbanas? Falta de manutenção, pontos de buracos e ficamos pensando se vamos conseguir atravessar sem cair. Esse cálculo silencioso acontece todos os dias em Porto Alegre, a cidade onde moro. E, com raras exceções, acontece nas cidades desse país, sejam grandes ou pequenas. E muitas vezes a população, que passa apressada, não se apercebe. Principalmente os jovens.  Mas calçadas não são apenas calçamentos e materiais. Elas são a primeira decisão urbana sobre quem pode participar da cidade e quem fica para trás. Em um momento em que quase 40% da população do Centro Histórico de Porto Alegre já tem 60 anos ou mais, esse chão virou questão de saúde pública. Os dados do Rio Grande do Sul confirmam o que qualquer arquiteto atento já viu nas ruas: as quedas de idosos crescem, e boa parte delas acontece fora de casa, no espaço que deveríamos chamar de públ...

A queda do abacateiro

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Desci apressada para um compromisso e comentei sobre as mortes de vizinhos no prédio. Quatro em um mês, constatou a faxineira. Pensava na impermanência da vida quando uma vizinha disse ser dia da árvore. Estranhei e minha memória rodou rapidamente tentando lembrar se tinha esquecido alguma data. Ao sair para a rua, soube então. Tinham cortado o abacateiro do terreno vizinho. O abacateiro já estava lá quando cheguei, há cinquenta anos. Era uma jovem estudante de arquitetura e minhas janelas não davam para o terreno onde ele vivia. Deve ter crescido em silêncio, mas com firmeza. Deu frutos por décadas. Muitos caiam em nosso pátio. Deve ter sombreado histórias que ninguém mais conta ou lembra. Foi testemunha de transformações urbanas, casamentos, separações, exílios e retornos. Talvez tenha abrigado mãozinhas infantis a buscar seus frutos. Era discreto como um velho sábio e, como tal, foi ignorado no fim. Talvez, assim como as pessoas que moram por aqui, tenha seu ciclo de vida e morte. A...

Divagações de uma caminhante solitária pelo Parque

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Moro a duas quadras do mais famoso e emblemático parque da cidade. Não aproveita-lo de forma mais demorada e contínua chega a ser um despropósito. E, como nossos dias nos levam a temer (sem trocadilhos, ou com eles, escolham...) levar qualquer coisa a mais que não seja um bom par de tênis e a disposição de caminhar, lá me fui, em uma manhã de sábado ventosa, caminhar sozinha pelo Parque. O sozinha é porque sempre vou com uma amiga e isso me faz ver o tempo correr mais rápido. Mas hoje foi em tudo diferente. Redenção A Redenção, também conhecida como parque Farroupilha nessa cidade onde tudo costuma ter mais de um nome, foi construída para uma monumental comemoração do Centenário da Exposição Farroupilha, em 1935. A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos foi aquela que a gente perdeu (ou empatou) e comemora até hoje. Esta exposição teve pavilhões de estados brasileiros e países e levou uma multidão para vê-la. Entre esses, dois jovens que mal sabiam que iriam se conhecer pou...

Onde sobrevive o verde na cidade

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Me encanta olhar a cidade pelos seus telhados e alturas. Daquele ponto de vista que não é do pedestre. É de quem olha a sua cidade da sua janela. Devo dizer a vocês que a minha é privilegiada. Da minha janela vejo o mundo . Primeiramente: a escolha de nosso apartamento já obedeceu à razões de insolação, ventilação, localização e....vista! E análise do entorno que manteve essa vista maravilhosa por esses quarenta anos em que aqui moramos. Então quando forem escolher seus apartamentos ou casas nunca descuidem da insolação . Se puderem levem um profissional arquiteto (ou da área) para ajudar. Se não for possível vejam onde nasce o sol, que horas qual cômodo recebe luz e se existe ventilação adequada. Vocês não vão se arrepender desses cuidados. Mas eu vejo mais que isso olhando pela janela . Vejo locais onde o verde teima em sobreviver. Talvez pelo cuidado e vontade de quem não se acostuma a uma cidade feita de concretudes e precise do oxigênio que o verde representa.  Fiz uma...

Das leituras - Alain de Botton e Porto Alegre

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Que país é este que vivemos? Como são seus habitantes? Devemos nos sentir amedrontados ou tranquilos, orgulhosos ou envergonhados? Alain de Botton, o mesmo que escreveu aquele livro que virou best seller , A Arquitetura da Felicidade, também escreveu um livro, que estou lendo, chamado Notícias, o Manual do Usuário. Ele é bem interessante e recomendo a leitura, especialmente para entender como a maneira como a informação nos é apresentada pode influenciar nosso entendimento do mundo. Particularmente gosto da noção de que se deve ter uma visão mais histórica dos fatos. Ou seja, devemos filtrar as coisas que lemos e vemos por uma perspectiva mais ampla e não apenas nos fatos presentes e na visão de quem os apresenta. Em um dos capítulos iniciais, o autor nos faz a pergunta com que iniciei o texto. E nos dá como resposta que existem duas ferramentas que nos ajudam a formar impressões sobre as comunidades onde vivemos. Uma é obviamente os noticiários, razão de ser do livro. A o...

Porto Alegre - uma jovem centenária

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Porto Alegre, capital dos gaúchos, é uma cidade que se mostra devagar. Embora muito conhecida por ser cenário de vários comerciais justamente pela sua arquitetura um pouco atemporal, a cidade tem recantos que nem todos percebem. Algumas poucas obras de peso, entre elas um Leão de Ouro da Bienal de Veneza . Mas Porto Alegre tem mais. Tem sua própria Ipanema , com uma rua que vira fervo no verão. Tem ruas que são mais conhecidas pelos apelidos que pelo nome próprio. Tem parques e praças e sim, tem a rua mais bonita do mundo . Mas tem também ruas e recantos que são igualmente encantadores e que uma rápida visita nem sempre é suficiente para conhecer.  Tem vista da cidade lá da zona sul e tem travessa histórica na Cidade Baixa. E agora já podemos dizer que sim, tem carnaval de rua na cidade. E justo no ponto talvez mais boêmio - a própria cidade baixa . Tem clima de Grenal sempre. E não sou louca de colocar apenas um dos estádios. Tem a nova Arena do Grêmio com seu p...

Mapas da cidade - ouvindo a voz do escritor sobre ruas e bairros

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Tomei contato com a obra de Érico Veríssimo ainda adolescente. Clarissa, uma guria quase da minha idade me tomou de assalto. Depois fui atrás de mais e mais para saber o que acontecia com ela e com os personagens que aquele gaúcho, nascido na Cruz Alta de minha mãe, escrevia em seus livros. Li quase todos! Falo sobre ele aqui Por isso mesmo o assunto desse almoço no Studio Clio falando de uma Porto Alegre dos anos 30, na voz do escritor que descreve as ruas e bairros com uma fluidez e colorido que só os bons autores sabem fazer. Deliciosa palestra de  Márcia Ivana De Lima E Silva Se eu já me deslumbrava com a Porto Alegre que conheci aos cinco ou seis anos de idade, quando vinha visitar a Capital com meus pais ( e isso eram os anos 60), fico imaginando a cidade que era nos anos 30. Para um estado rural, os prédios deviam parecer deslumbrantes. Imaginem então um grande dirigível cruzando os céus da cidade e a população ao lado dos prédios do centro. Deles ainda ...