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O Fim da Hegemonia Americana? Como a China "Hackeou" a Engenharia Civil para Humilhar Nova York

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  Li uma reportagem sobre  as disparidades entre os modelos de desenvolvimento urbano da  China e dos Estados Unidos , utilizando o contraste entre  Xangai e Nova York . Enquanto a cidade americana enfrenta  altos custos e obras que levam décadas  devido à burocracia e processos democráticos, a metrópole chinesa executa projetos com  extrema rapidez e economia . Fazendo um breve resumo sobre os dois modelos e seus resultados, cheguei a uma dúvida incomoda. 1. Introdução: O Abismo entre o Conceito e a Realidade Para qualquer habitante de uma metrópole ocidental, os tapumes de obras públicas parecem ter se tornado parte permanente do mobiliário urbano. A frustração com cronogramas que se arrastam por gerações e orçamentos que estouram antes mesmo do primeiro pilar ser erguido é um sintoma da obsolescência infraestrutural. No entanto, a série do programa Fantástico da rede Globo chamada " Entre Dois Mundos " revela que esse marasmo não é uma regra global....

A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Quem o algoritmo vê? Gerontoarquitetura, desenho e os invisíveis do projeto

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  Quem o algoritmo vê?  O que o desenho computacional ainda não aprendeu sobre envelhecer na cidade Cruzar gerontoarquitetura com design algorítmico levanta uma pergunta que nenhum software resolve sozinho: aging in place para quem? Quem entra nos parâmetros. Quem vira exceção. Quem nem chega a existir como dado. Começando com uma historinha imaginária, mas que poderia ser real. Imagine ver um pombo pousando na calçada Rua da Praia. A ave fica parada enquanto a cidade continua. Não tenta desviar das pessoas, apenas espera. Há algo de ancião no jeito como fica quieto no meio do movimento, seguro de si, sem pressa de provar nada. Pensei nisso enquanto pesquisava sobre ferramentas de parametric design aplicadas ao planejamento urbano. Softwares que geram plantas, otimizam fluxos de circulação, simulam incidência de luz, calculam acessibilidade. Promessas tecnológicas que chegam embrulhadas em palavras como "inclusivo", "resiliente", "centrado no usuário". E m...

Erros inteligentes: o que David Robson ensina sobre os freios que o cérebro precisa ter

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Faço parte de um grupo de pessoas que se debruçam sobre leituras que tragam o crescimento pessoal. Já falei várias vezes sobre o quanto a leitura é, e sempre foi importante em minha vida. Estamos lendo a obra de David Robson, que investiga a "armadilha da inteligência", fenômeno onde indivíduos com alto QI cometem erros banais e sustentam crenças irracionais. O nome do livro é sugestivo: " Por que pessoas inteligentes comentem erros idiotas". O autor utiliza exemplos históricos, como o criador de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, e o Nobel Kary Mullis, para demonstrar que ter uma capacidade analítica superior não garante, por si só, o bom senso. Os diversos capítulos exploram conceitos como a dysrationalia, revelando que muitas mentes brilhantes são habilidosas em criar justificativas complexas para preconceitos e intuições falhas. O autor também propõe que a verdadeira sabedoria exige ferramentas além do intelecto acadêmico, incluindo humildade intelectual e aut...

Sua casa está preparada para envelhecer com você?

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A gente só percebe uma coisa quando tropeça: que o chão que parecia plano a vida inteira, acaba por nos trair. Aquele mesmo chão comum, de todo dia, aquele que os pés conhecem de cor. É ali, na rotina que já virou automatismo, que mora o risco que ninguém vê. O conceito que algumas pessoas chamam hoje de “aging in place” traduz algo que a maioria das pessoas sente, o desejo de envelhecer no próprio ambiente. Onde a gente possa estar rodeada pelas marcas que a vida foi deixando nas paredes, nas gavetas, no jeito que a luz entra pela janela da cozinha às sete da manhã. Pesquisas indicam que 90% das pessoas acima de 65 anos querem exatamente isso. E 80% acreditam que a casa atual é onde vão ficar para sempre. O problema é que essa mesma casa pode estar se tornando, silenciosamente, um obstáculo. O risco não mora no extraordinário Entre 1996 e 2019, os óbitos por quedas no Brasil cresceram 319%, saltando de 24.645 para 103.284. O custo ao SUS: R$ 51 milhões por ano. Esses números têm um e...