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Nem nos sonhos as cidades são seguras para as mulheres

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  Por que o urbanismo ainda ignora o corpo feminino? Às vezes os sonhos, mesmo que sejam pesadelos, são mais honestos do que qualquer relatório técnico. Relatei um desses que tive onde estava sozinha tendo que caminhar ao anoitecer no centro de minha cidade. Ainda haviam pessoas no sonho, mas a sensação de medo era palpável.  O inconsciente nos revela várias camadas adormecidas por meio dos sonhos. A gente acorda pensando naquilo. Sentindo as emoções daquilo. Sabendo que são insights simbólicos, alguns claros, outros escondidos. Como tudo na mente da gente. Essa diabinha que não para de se expandir. E de exigir atenção, feito criança birrenta. Espaços externos x espaços internos. Primeiro literais que sonho de arquiteta é repleto de detalhes espaciais. Chega a cansar de tanta coisa. Tem até escada inacessível que deixa a gente indignada até no sonho! E ele não te poupa da realidade. E quando tenta analisar aquele pesadelo, observa que na lista de recados simbólicos, a gente lê...

O Fim da Hegemonia Americana? Como a China "Hackeou" a Engenharia Civil para Humilhar Nova York

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  Li uma reportagem sobre  as disparidades entre os modelos de desenvolvimento urbano da  China e dos Estados Unidos , utilizando o contraste entre  Xangai e Nova York . Enquanto a cidade americana enfrenta  altos custos e obras que levam décadas  devido à burocracia e processos democráticos, a metrópole chinesa executa projetos com  extrema rapidez e economia . Fazendo um breve resumo sobre os dois modelos e seus resultados, cheguei a uma dúvida incomoda. 1. Introdução: O Abismo entre o Conceito e a Realidade Para qualquer habitante de uma metrópole ocidental, os tapumes de obras públicas parecem ter se tornado parte permanente do mobiliário urbano. A frustração com cronogramas que se arrastam por gerações e orçamentos que estouram antes mesmo do primeiro pilar ser erguido é um sintoma da obsolescência infraestrutural. No entanto, a série do programa Fantástico da rede Globo chamada " Entre Dois Mundos " revela que esse marasmo não é uma regra global....

A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Quem o algoritmo vê? Gerontoarquitetura, desenho e os invisíveis do projeto

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  Quem o algoritmo vê?  O que o desenho computacional ainda não aprendeu sobre envelhecer na cidade Cruzar gerontoarquitetura com design algorítmico levanta uma pergunta que nenhum software resolve sozinho: aging in place para quem? Quem entra nos parâmetros. Quem vira exceção. Quem nem chega a existir como dado. Começando com uma historinha imaginária, mas que poderia ser real. Imagine ver um pombo pousando na calçada Rua da Praia. A ave fica parada enquanto a cidade continua. Não tenta desviar das pessoas, apenas espera. Há algo de ancião no jeito como fica quieto no meio do movimento, seguro de si, sem pressa de provar nada. Pensei nisso enquanto pesquisava sobre ferramentas de parametric design aplicadas ao planejamento urbano. Softwares que geram plantas, otimizam fluxos de circulação, simulam incidência de luz, calculam acessibilidade. Promessas tecnológicas que chegam embrulhadas em palavras como "inclusivo", "resiliente", "centrado no usuário". E m...

Erros inteligentes: o que David Robson ensina sobre os freios que o cérebro precisa ter

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Faço parte de um grupo de pessoas que se debruçam sobre leituras que tragam o crescimento pessoal. Já falei várias vezes sobre o quanto a leitura é, e sempre foi importante em minha vida. Estamos lendo a obra de David Robson, que investiga a "armadilha da inteligência", fenômeno onde indivíduos com alto QI cometem erros banais e sustentam crenças irracionais. O nome do livro é sugestivo: " Por que pessoas inteligentes comentem erros idiotas". O autor utiliza exemplos históricos, como o criador de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, e o Nobel Kary Mullis, para demonstrar que ter uma capacidade analítica superior não garante, por si só, o bom senso. Os diversos capítulos exploram conceitos como a dysrationalia, revelando que muitas mentes brilhantes são habilidosas em criar justificativas complexas para preconceitos e intuições falhas. O autor também propõe que a verdadeira sabedoria exige ferramentas além do intelecto acadêmico, incluindo humildade intelectual e aut...