A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende
Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam. Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar. A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...
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"Você simplesmente ainda não precisou calcular o chão antes de dar o próximo passo." Exatamente, querida Elenara!
ResponderExcluirDepois de uma atrodese, e várias hérnias de disco, andar em São Paulo ficou muito complicado, e este é um drama que se vive em qualquer canto deste nosso Brasilzão.
Fato é, que se a responsabilidade pela calçada é do munícipe, qualquer tentativa de normatização fica interompida pelas divisas dos lotes, então degraus aparecem, pisos dependem do gosto de cada qual, e estas condições promovem um "brotar" desordenado de canteiros, postes, árvores, interferências de todo tipo...
Ora, ao final das contas, são sempre os munícipes que arcam com os custos das calçadas, logo, seria apenas descomplicar, se este encargo fosse de municipalidade.
Parece tão lógico e no entanto é um jogo de empurra onde todos perdem. Alguns perdem a vida, inclusive. E é uma providência que agradaria a todas as camadas sociais...
ResponderExcluirA calçada é a via que leva o aluno para a escola, o idoso e a mãe com criança pequena para a praça, o trabalhador para o ponto de ônibus… Ela deve ser vista como infraestrutura básica, assim como as de água e esgoto. Vamos pensar em um projeto de lei que obrigue o poder público a criar calçadas que garantam a mobilidade ativa?
ResponderExcluirUma necessidade imediata e nunca solucionada. Temos que unir forças para garantir isso
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