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Calungas, a representação da escala nos desenhos

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Embora as fotografias de Arquitetura raramente tenham seres humanos, as representações gráficas dos projetos as tem. As calungas. Este nome esquisito foi o que aprendi a nominar a representação humana nos desenhos, a tal da escala humana, que mostra de maneira mais clara como os espaços se conformam em proporção aos nossos corpos. 
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Hoje é muito comum que tenhamos blocos de seres humanos, animais e plantas em todos os programas gráficos. E há sites onde podemos buscar figuras das mais diversas etnias e movimentos para humanizar nossas plantas e perspectivas.

Me lembrei das calungas ao falar com um colega arquiteto, bem mais jovem que eu, que me mostrou fotos de projetos da década de 80, com simpáticas figuras, simulando movimentos. E, para minha surpresa, ele nunca tinha ouvido falar do termo calunga. Como eu nunca tinha parado para pensar sobre isso, fui dar uma rápida pesquisada e achei que o termo tem origem africana e talvez tenha vindo em função das bonecas de madeira, usadas nos cortejos, que eram denominadas assim.   

Embora hoje em dia, as calungas usadas nas representações, sejam muito mais sofisticadas, quando eu estudei, elas se assemelhavam mais às da figura abaixo.
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Eram representações esquemáticas, onde o que importava, era a noção de tamanho e equilíbrio. Às vezes os chamávamos de "fantasminhas" porque só apareciam silhuetas. Lembro bem da prova psicotécnica de quando fiz carteira de motorista onde mentalizei bem para não desenhar uma calunga fantasmagórica no pedido de pessoa humana porque tinha a certeza de que não passaria. Onde já se viu fazer gente sem rosto e com traços infantis???? 
Resgatei alguns desenhos do tempo de faculdade, onde estava treinando fazer seres humanos e perspectivas. As proporções eram muito mais para treinar desenho com pessoas humanas porque, na prática, quando as representava, eram mais como na figura da rua em perspectiva.

Confesso que não achei a origem do termo em arquitetura, mas a mais abrangente definição que encontrei do termo foi neste site, onde entre outras, se lê que:
No Dicionário Banto do Brasil (1993-95), de Nei, provavelmente a mais completa obra abordando a cultura banto no país, está bem visível a rica polissemia dessa palavra, já incorporada à fala brasileira através das línguas bantas citadas, especialmente a já referenciada e aportuguesa quinbundo, enriquecendo o nosso léxico e mostrando a evolução da história desse vocábulo memorável, intrigante e mágico. Na umbanda, é cada um dos integrantes da falange de seres espirituais que vibram na linha de Iemanjá. Boneco pequeno. Figuras humanas nos desenhos infantis. Camundongo. Pessoa de pouca estatura, principalmente por ser aleijada da coluna vertebral. Esboço da figura humana que os arquitetos fazem para dar idéia das dimensões da obra que projetam. Pargo, indivíduo preto. Ajudante de caminhão de carga. Falar banto da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, onde, no final de 1970, do século findo, eram listados em Patrocínio (MG), um vocabulário do “calunga”, assim como um outro da “língua do Cafundó”, em São Paulo, denunciando forte presença de étimos do grande grupo linguístico banto. Cada uma das duas bonecas que fazem parte do cortejo de maracatu. Mar. Céu. Morte. Cada um dos habitantes da comunidade de Calungas, em Goiás.
Como se vê um termo bastante amplo, assim como as possibilidades dos desenhos. Um exemplo bem humorado está na calunga do urso que traz a escala animal ao espaço de uma casa de campo nos Estados Unidos.
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