Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Normógrafos e outras cositas estranhas por aí

 Do fundo do baú...

Fazendo uma pequena limpeza e quebrando a cabeça em como vou conseguir mais espaço para meus livros e revistas, achei esses velhos projetos de faculdade.

Esse era um Centro Comunitário e devia ser Projeto I já na UFRGS, no final dos anos 70. Era tudo feito a mão (!). Adendo: eu comecei a faculdade na UnB em Brasilia, em julho de 74 e vim transferida para Porto Alegre em 76.
A mudança foi meio traumática porque eu não conseguia entender como dois curriculos tão diversos podiam formar o mesmo profissional....Aproveitei algumas cadeiras feitas na UnB, mas para me encaixar em um semestre foi um parto. 

A gente fazia as pranchas em papel manteiga ou vegetal. O manteiga era mais comum porque era mais barato. E tirava cópia heliográfica. Alguns escritório graúdos tinham sua própria máquina, mas o mais comum era mandar "plotar" fora. Estagiário, coitado, era colocado para raspar as pranchas de vegetal. Quando havia alguma modificação no projeto, a gente pegava uma gilete (ah! olha o nome do produto nominando o próprio...) e raspava com cuidado. Depois passava um grafite e borracha, para o nanquim não se espalhar...

Normógrafos, aranhas com achatador, cera de sapato, canetas de nanquim, lapiseiras, régua T e....BENZINA! A gente acabava se viciando no cheiro dela, até hoje tenho uma queda por gasolina. Rascunhos em qualquer pedaço de papel. Guardanapos nas noitadas eram os preferidos. Muita poesia, muita vontade de aprender. Xerox de livros, bibliotecas lotadas. Espremer o orçamento para comprar o Neufert. E no máximo uma calculadora científica. Que vinha do Paraguai...

Aquarela...céus lindosnas perspectivas. Ecoline. Cores. Lápis de cor Carand'ache. Canetinhas de hidrocor. E as cinzas que imitavam concreto? Um luxo. Carésimas !!!

Rádio brega para não dormir. Aqui em Porto Alegre muita Caiçara, onde a música não para...Café, muito café. Dormir no chão algumas horas para acordar e terminar o projeto. 

Professor, adia a prova. Essa semana é entrega de projeto....Derivadas, momento, flexão, acústica, história, cálculo...e o café no bar.

Só o fim de ano para me fazer voltar assim no tempo. E como é que consegui me formar sem computador????? Eu e uma galera por aí??? 

PS: (que vem do latim e significa que a gente esqueceu de algo.). Já ouvi por aí que projeto precisa ser definido em palavras. Ou seja, tem que ter um conceito. E isso antes de ser riscado ou de abrir qualquer CAD. Sem saber onde se quer chegar, é dificil traçar o roteiro, não é mesmo? E no mestrado aprendi que o tema de sua dissertação tem que ser entendível por mãe. Não menosprezando a educação da mãe de ninguém, mas significando que não pode ser criptografado de modos a que seja tão complicado que ninguém saiba o que significa...  

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