Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2025

O quanto as cidades são seguras para mulheres?

Imagem
Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Porto Alegre encontra os Nórdicos: Não é sobre copiar, é sobre adaptar

Imagem
Esses dias estava refletindo sobre uma coisa que me incomoda há tempos: essa mania de pegar modelos urbanos "de primeiro mundo" e querer aplicar na nossa realidade como se fosse receita de bolo. Em urbanismo, olhar os países nórdicos, Dinamarca, Suécia, Noruega, como modelos a se imitar é muito falado.  Mas calma, não estou dizendo que devemos ignorar essas referências. Pelo contrário. O que me incomoda é essa tendência de romantizar soluções estrangeiras sem entender que cada cidade tem sua própria biografia, seus próprios ritmos, suas próprias contradições. Se até lá estes modelos não são perfeitos como muitas reportagens querem deixar crer, imagine colar de paraquedas aqui, com outra cultura e realidade socioeconômica. O modelo nórdico não é perfeito, nem mágico. É resultado de décadas de tentativa e erro, de políticas públicas consistentes e, principalmente, de uma cultura de participação cidadã que foi construída ao longo de gerações. Os caras levam a sério algumas coisa...

Tecnologia sem empatia é barreira, não solução

Imagem
  Cada vez mais sentimos a necessidade de interagir com o mundo de forma digital. São os aplicativos de conversa, as redes sociais e os sites onde, teóricamente, se resolve a vida de forma mais simples. Mas…. Sabe aquela sensação de querer resolver algo simples online? Acessar um exame, conferir um extrato, agendar um serviço e acabar afundando num mar de abas, senhas, confirmações e interfaces que parecem mais enigmas do que soluções? Pois é. Agora imagine isso acontecendo com alguém que não cresceu no meio digital. Ou pior: com alguém que já está acostumado a navegar, mas mesmo assim se sente completamente desamparado diante de uma tela. Vamos ver vários casos que tive contato em poucos meses: Caso 1 A manhã que se perdeu tentando acessar um exame: “Outro dia, passei horas tentando ver um simples exame laboratorial. Era pra ser rápido. Mas o sistema da clínica exigia cadastro novo, senha forte, verificação por SMS (que nunca chegou)... e depois de tudo isso, erro no login. Resul...

Caminhar é um direito: cidades seguras e acessíveis são mais humanas e mais inteligentes

Imagem
  Na Semana do Caminhar 2025 (03 a 09/08), celebramos o gesto mais humano e simples: o de mover-se com os próprios pés. Desde 2017 ela é realizada, incluindo o Dia Mundial do Pedestre, no dia 8 de agosto. O tema de 2025 será sobre “Ruas abertas para pessoas”. Mas será que realmente temos algo a celebrar? Se formos olhar a realidade de nossas cidades, este gesto se tornou um privilégio. Na maioria delas o que vemos são falta de acessibilidade.  Em Porto Alegre, minha cidade, a chamada revitalização do Centro Histórico revela uma ferida cruel: a arquitetura da exclusão. O que deveria ser espaço de reencontro com o urbano, como sempre se caracterizou o centro da cidade, com seus edifícios e espaços históricos, virou campo minado para pessoas cegas, com calçadas niveladas ao asfalto, pisos táteis mal posicionados e lixeiras cortantes que ferem corpos e dignidades. Tudo isso em nome de uma “modernização” que ignora os princípios básicos do desenho universal. Esta não é apenas ...