A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

O Velhão, a Véia e o resgate do passado

Já falei várias vezes que sou uma fissurada pela História e talvez essa fosse minha segunda opção de profissão. Saber o que houve antes de nós, como as pessoas reagiram e como aconteceu o que aconteceu é das lições mais valiosas para conhecer os seres humanos. Porque digo e repito sempre: a tecnologia evolui mas a humanidade e suas paixões permanecem as mesmas...

Então imaginem como achei interessante saber desse espaço em São Paulo onde amigos foram almoçar. Primeiro porque uma metrópole (cada vez mais cinza) como a capital paulista sempre me esconde surpresas que me fazem ama-la. Apesar de. 
"....Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso"
   
 O Velhão e sua inusitada história. Que começa na vontade e desejo (são o mesmo?) de alguém que curte o passado. E o resgata na forma de objetos. Tanto o faz que acaba virando um negócio e para isso compra uma gleba de terras no "meio do nada" que era a região da Cantareira na ocasião. 
 E da primeira gleba e das outras que se sucederam nasce um "centro comercial" que perdura após sua partida desse plano. Sua mulher administra então o negócio e como a sua comida é elogiada, surge um local de gastronomia e ela assume o apelido de Véia.
 As fotos dessa postagem foram tiradas por meus amigos para me passar uma noção do que é o lugar ( e já me despertar a vontade de conhecer em uma próxima viagem à São Paulo). 
Pelo que pude apurar, não existiu um projeto formal e os ambientes parecem ir acontecendo em uma complexa harmonização que lembra como a natureza faz em suas caprichosas criações que parecem fugir de um planejamento mais formal. E esse é justamente o seu charme maior...

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva


 Saiba mais sobre o Velhão AQUI

Trechos da música Sampa de Caetano Veloso são citadas no texto




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