Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Casa de Chá - transforma o antigo em novo

"Eu faço o que não existe". Li essa frase hoje em uma rede social e achei uma excelente definição para quem trabalha em Arquitetura. E transformar o que existe em algo novo também!

É o caso desse projeto do Arch Studio que reinventou cinco casas antigas (e não apenas antigas como culturalmente interessantes) em uma casa de chá de 450 m2, no distrito de Hutong, em Pequim.

Quem conhece algumas culturas orientais sabe da importância da cerimônia do chá e como os espaços para elas são tratados com reverência e delicadeza. Nessa "Tea House" os clientes poderão também ler e comer.

Como todo projeto que transforma o antigo em novo, este também começa pela análise do existente. A estrutura em madeira e o fechamento em tijolos revelam a idade e as alterações sofridas com o tempo. O que pode ser mantido, o que deve ser restaurado e o que deve ganhar novos materiais é uma equação que leva em conta a história e o orçamento disponível.

Definidos estes parâmetros, parte-se para a adequação das antigas edificações aos tempos modernos. As exigências térmicas exigem um fechamento do prédio que leva a criação de um corredor com transparência, mas fechamento, que faz uma ligação entre o passado e o presente. Jardins se misturam ao bambu dos espaços internos, criando uma fluidez poética que conduz às mesas e também a um relaxamento que é próprio da cerimônia e do ato de degustar o chá.




Intervir em um bairro histórico exige uma complexa teia que harmonize novos usos comerciais e de vida com as antigas habitações que revelam e guardam memórias de outros tempos e costumes. Privilegiar um ou outro talvez seja um meio não muito rico de projetar e entender a cidade e suas diferentes relações. Mas manter essa harmonia pode fazer com que a própria população se dê conta da sua importância cultural e artística. 



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