Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Casa de Chá - transforma o antigo em novo

"Eu faço o que não existe". Li essa frase hoje em uma rede social e achei uma excelente definição para quem trabalha em Arquitetura. E transformar o que existe em algo novo também!

É o caso desse projeto do Arch Studio que reinventou cinco casas antigas (e não apenas antigas como culturalmente interessantes) em uma casa de chá de 450 m2, no distrito de Hutong, em Pequim.

Quem conhece algumas culturas orientais sabe da importância da cerimônia do chá e como os espaços para elas são tratados com reverência e delicadeza. Nessa "Tea House" os clientes poderão também ler e comer.

Como todo projeto que transforma o antigo em novo, este também começa pela análise do existente. A estrutura em madeira e o fechamento em tijolos revelam a idade e as alterações sofridas com o tempo. O que pode ser mantido, o que deve ser restaurado e o que deve ganhar novos materiais é uma equação que leva em conta a história e o orçamento disponível.

Definidos estes parâmetros, parte-se para a adequação das antigas edificações aos tempos modernos. As exigências térmicas exigem um fechamento do prédio que leva a criação de um corredor com transparência, mas fechamento, que faz uma ligação entre o passado e o presente. Jardins se misturam ao bambu dos espaços internos, criando uma fluidez poética que conduz às mesas e também a um relaxamento que é próprio da cerimônia e do ato de degustar o chá.




Intervir em um bairro histórico exige uma complexa teia que harmonize novos usos comerciais e de vida com as antigas habitações que revelam e guardam memórias de outros tempos e costumes. Privilegiar um ou outro talvez seja um meio não muito rico de projetar e entender a cidade e suas diferentes relações. Mas manter essa harmonia pode fazer com que a própria população se dê conta da sua importância cultural e artística. 



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