O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Aproveitando o pé da máquina de costura da bisa

Sou da época em que as vós costuravam. Em casa. Minha vó ficou viúva com 24 anos, quatro filhos, o mais novo com 4 meses(!). Ela os criou pedalando muito! Sim, naquela época as máquinas de costura tinham pés e eram movidas às pedaladas que as mulheres davam com os pés. Não é a toa que muita nona tenha pernas lindas. 

Meu pé de máquina
Pois bem, da profissão de minha vó que costurava para alfaiates da cidade para sustentar seus filhos às donas de casa, que faziam as roupas de todos, já que confecção pronta era coisa de muito poucos, sobraram muitos pés de máquinas. Lindos! Eu mesma tenho minha mesa do escritório sobre um deles. Aliás, sobre sobras de algumas máquinas, já que eram peças soltas que uni. Mas ficou bom. Depois virou moda, meio viral, sabem como é. E como tudo que se usa muito, acabou ficando cansado e meio esquecido. Mas é tão bonito e se pode usar de tantas maneiras que eu considero uma peça muito clássica. Assim reuni varias utilizações para quem ainda tem um pé de máquina para chamar de seu.

De mesa de escritório à penteadeira cheia de charme....

A clássica mesa de centro com tampo de vidro....
Ou mesmo uma mesa de jogos com tabuleiro de damas ou xadrez.
Uma simpática mesa de chá ou café.
Um apoio de bancada em escritório.

Nos banheiros! E com direito a banquinho para as crianças menores.
Uma bancada para trabalhos manuais
Ou um suporte para flores....
Uma peça que lembra os pés laboriosos de nossos antepassados, que lembra história e trabalho. Um exemplo lindo de sustentabilidade afetiva.

Fotos: Google e Pinterest

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