Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

As ruas e a saúde

Achei um texto super interessante que fala sobre o verdadeiro custo de ruas em que os carros são prioridade. Seriam as ruas onde o pedestre é afastado, seja por falta de ciclovias, seja por acúmulo de carros ou falta de passarelas ou outros meios mais amigáveis para uma caminhada. Falta de árvores com sombra, por exemplo. E o texto fazia uma correlação entre as crescentes taxas de obesidade e algumas outras doenças agravadas pelo sobrepeso com fatores ambientais, especialmente a forma como é planejado o nosso ambiente construído.

Fonte

NatGeo percent walk & bike to destination

O gráfico da National Geographic mostra o percentual da população que usa bicicleta ou caminha sempre ou frequentemente para seus destinos. Nós, felizmente estamos na frente junto com os alemães. O texto se mostra bastante preocupado, e com razão, com a baixa porcentagem de americanos que não se exercitam dessa maneira.
/euvoudebike.com


O autor sugere que as vias de lá são muito orientadas para os veículos e que é perigoso e menos atraente andar a pé ou de bicicleta. Ele cita também algumas soluções como as "ruas completas" que estariam ganhando espaço no planejamento de escritórios em todo o país e bairros com lojas nas proximidades de casas
. Vejam aqui outras soluções implantadas em Nova Iorge, as ruas sustentáveis.

Mas estaríamos nós melhores que os americanos? Embora o gráfico (de 2009) aponte que sim, não creio que muita dessa mobilidade seja porque temos ruas melhores para o pedestre ou o ciclista. Muito pelo contrário. Creio que uma menor oferta de transporte público de qualidade e o menor poder aquisitivo contribuam para isso.Além disso, nossas cidades ainda não contam com ciclovias em quilometragem suficiente para que se opte por elas como meio de locomoção cotidiana e segura.

Ao lado infográfico que descobri no facebook que mostra como o uso das bikes é vantajoso. Super dica do colega Iran Rosa.

Portanto, urge que nossos administradores públicos abram os olhos em um investimento relativamente barato, que pode evitar gastos imensos em vidas, em qualidade de vida, em orçamentos para hospitais e equipamentos: ruas mais humanas.   


 


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