Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Caminhar e Parar


Caminhar. Não apenas apressadamente para chegar a algum lugar. Nem como forma de exercício. Mas caminhar e olhar. Caminhar e parar. Caminhar como forma de aprendizado de um realidade que desconhecemos por falta de prática. Por medo da insegurança. Pelos limites impostos na sociedade. Caminhar como uma forma também de transgressão. Aquela que conforma a curiosidade de saber o que existe além dos limites. Um livro que fala de práticas de ensino e que mesmo para o leitor que está longe dos exercícios das aulas, abre questões. Faz buscar mais dados. Faz querer ver, ouvir, cheirar e ler mais sobre.        


Uma leitura em tudo interessante. Um livro que parece pequeno, mas é denso. A gente lê e para. Lê mais um pouco e para de novo. Respira. Pensa. Vai para a web, pesquisa. E volta a ler.

Já aviso que não é um livro que vai te deixar impune. O leigo vai gostar. O profissional de arquitetura e urbanismo vai refletir. Os dois vão se conscientizar dos espaços que não percebemos de imediato.

"Apenas perdendo tempo pode-se ter um encontro com o Outro e com Alhures" 
Um livro que abre questões. E por isso mesmo, indispensável para quem pensa a cidade.

Recomendo também a leitura do Walkscapes. O caminhar como prática estética (que ainda não tive a oportunidade ler) que abre caminho para esta maneira de re-conhecer o meio urbano - caminhando. 

O Outro e o Alhures escondem-se, muitas vezes, sob uma camada de banalização. A arte está em saber ir embaixo dela." 
O livro reúne diferentes artigos que nos conduzem a Stalker, à morte de Constant, às cidades dos ciganos rom, a diversas deambulações por cidades latino-americanas e a outros episódios que nos levam a olhares diversos sobre o passear e o deter-se. O corpus teórico e experimental de Careri mostra-se, nestas páginas, com todo vigor e, como já fi zera anteriormente com Walkscapes, nos introduz num universo novo e surpreendente: o universo da ética e da estética do caminhar, e agora, também do deter-se.

Caminhar e Parar 

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