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2017/10/28

Divagações de uma caminhante solitária pelo Parque

Moro a duas quadras do mais famoso e emblemático parque da cidade. Não aproveita-lo de forma mais demorada e contínua chega a ser um despropósito. E, como nossos dias nos levam a temer (sem trocadilhos, ou com eles, escolham...) levar qualquer coisa a mais que não seja um bom par de tênis e a disposição de caminhar, lá me fui, em uma manhã de sábado ventosa, caminhar sozinha pelo Parque. O sozinha é porque sempre vou com uma amiga e isso me faz ver o tempo correr mais rápido. Mas hoje foi em tudo diferente.
Redenção
A Redenção, também conhecida como parque Farroupilha nessa cidade onde tudo costuma ter mais de um nome, foi construída para uma monumental comemoração do Centenário da Exposição Farroupilha, em 1935. A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos foi aquela que a gente perdeu (ou empatou) e comemora até hoje. Esta exposição teve pavilhões de estados brasileiros e países e levou uma multidão para vê-la. Entre esses, dois jovens que mal sabiam que iriam se conhecer poucos anos depois: meu pai e minha mãe. Deles ouvi muitos relatos do fascínio que sentiram! E faço ideia porque aquela área, que era um banhado chamada de Várzea da Redenção, se transformou em uma mostra pujante de uma arquitetura em tudo diferente do que estavam acostumados, vide o texto abaixo, tirado de uma postagem bem interessante sobre o tema e que pode ser lida na íntegra AQUI
Em 1935, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul promoveu a comemoração do "Centenário Farroupilha" através de uma grandiosa exposição industrial e agrícola realizada sobre a área da então chamada "Várzea da Redenção", em Porto Alegre. Conciliando a arquitetura efêmera de seus pavilhões com alguns elementos permanentes do futuro Parque Farroupilha construídos na mesma oportunidade, a Exposição do Centenário apresentou-se como o principal símbolo da modernidade possível e desejável para o Estado, em um período de profundas transformações para a sociedade brasileira. Amplamente apoiada em recursos tecnológicos, como a deslumbrante iluminação noturna dos espaços e pavilhões do evento, e conduzida por uma bem informada retórica "déco", a Exposição articulou um notável conjunto arquitetônico e urbanístico que sintetizou uma visão de modernidade comprometida com a tradição neoclássica, provocando um impacto visual sem precedentes sobre seus contemporâneos. A avaliação preliminar dos dados da Exposição verificou a existência de um aparente paradoxo entre a sugestão de unidade transmitida pelo conjunto dos elementos da mesma e a manifesta diversidade estilística exibida por uma arquitetura reveladora de diferentes filiações e influências.
Em Espaços de lazer e cidadania: o Parque Farroupilha, Porto Alegre (1) de
Luiz Fernando da Luz e Ana Rosa de Oliveira, no site Vitruvius, podemos ler mais a respeito do projeto e implantação do Parque. E é de lá que tirei essas imagens do ante projeto e a vista aérea do Parque e exposição.
Passado o período de aproximadamente quatro meses onde se louvou o espírito progressista do gaúcho (imagino eu) já que também para isso se faz este tipo de instalação, a cidade ganhou uma extensa área de lazer que fez parte da minha infância de modo marcante.

Quando vim morar em Porto Alegre, na metade dos anos 60, foi assim que este espaço estava....
Parque da Redenção em 1966
Sobraram os eixos básicos, algumas construções, muitas árvores e espaços que enchiam os olhos daquela criança que ia passear todo domingo por ali com seus pais e irmãos. E como é interessante a escala da criança! Meus olhos de hoje custam a crer que o Parque não fosse muito, mas muito maior que na realidade o é. Cada recanto parecia levar à mundos mágicos e diferentes. Do lago dos pedalinhos ao recanto oriental (um dos que mais me fascinavam) tudo parecia separado por léguas de encantamento.


Fonte
E hoje, caminhando solitária, sem nenhuma distração que não fossem as cores, os sons e as pessoas foi como se pudesse voltar e reencontrar um pouco do passado em cada caminhante que ali passava.

O pai que brincava com seu filhinho pequeno. A turma que fazia ginástica e se divertia em grupo. Os velhinhos que buscavam saúde. Os sem teto que dormiam nos bancos. Todos aparentemente igualados em suas humanidades. Sem distinção de idade, de sexo, de poder econômico. Uma pequena utopia urbana capturada pelo olhar de quem queria ver assim.

Os espelhos de água quase cheios, o gramado onde era a antiga piscina pública, as árvores imensas e teimosamente em pé, mesmo sob ventanias e vendavais que teimam em castigar nossos tempos.

Os espaços são feitos de lembranças. Os espaços são feitos de vida. Os espaços são feitos para que a gente os usufrua com a esperança de tempos mais dignos e onde a nossa humanidade possa sobreviver com beleza e sorrisos.
1935
Hoje
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