Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

O primeiro frio a gente não esquece

O verão vai embora deixando nossa saturação com seus suores e quenturas. E quem vive em terras mais ao sul do Equador, já vai sentindo falta da meia estação e do senhor inverno até que...chegam os primeiros frios!

Aí é um Deus nos Acuda, buscando as roupas do inverno passado, em geral embrulhadas e ensacadas. O nariz fica vermelho e a gente maldiz aquela vontade anterior que pedia o fim do verão.

Nós no Brasil, mesmo ao Sul, não temos frios tão rigorosos como em alguns outros países que tem, nos seus verões, a nossa temperatura de inverno. Mas lá eles tem uma diferença: suas casas e prédios estão preparadas para as temperaturas mais baixas.


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E aí a gente se lembra de preparar a casa para o frio. As texturas mudam, entram as mantas e cobertores. Os detalhes em madeira sempre remetem ao aconchego. 

A luz se torna importante. Os dias mais cinzentos pedem às vezes iluminação artificial até para a leitura diária. As luzes frias parecem não aquecer e sentimos falta dos tons mais amarelos que nos lembrem o sol e seu calor.

A exuberância dos dias quentes e do espaço exterior cede espaço para a introspeção e a valorização do interior, onde passamos a maior parte do tempo.   
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 Nossas casas assumem cara de inverno.

Nossas camas nos convidam para que nelas permaneçamos, seja para ler, para namorar ou apenas para adiar o momento de enfrentar o dia.  

Uma boa luz de cabeceira, um layout funcional que coloque ao nosso lado tanto os livros prediletos, a caixa de som para ouvir nossas músicas ou o descanso para os controles que dão conforto à vida, transparece em sua importância. A correta colocação de tomadas e interruptores faz toda a diferença quando se tem que sair debaixo de cobertas quentinhas para acender ou apagar algo. 

Sem esquecer de manter a poesia com enfeites bonitos e flores que nos lembrem a primavera e a vida. E nesses momentos, tal Persefones no Hades, sonhamos com a volta ao mundo lá fora, enquanto nos aconchegamos em mantas e edredons.
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Para quem pode, uma boa lareira pode fazer toda a diferença. Mas sempre há maneiras de trazer o calor para dentro de casa, seja com aquecimento artificial, seja com carinho e amor que trazemos ao mundo e às pessoas que amamos.

E assim, quando o inverno realmente der sua cara com todo seu tenebroso frio, podemos estar mais preparados para recebe-lo, sabendo que faz parte das fases da vida. E que para haver um florescimento, é preciso que algo adormeça e germine. 


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