Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Brainport, uma pesquisa para criar o bairro mais inteligente do mundo

Seres gregários que somos, viver em comunidades sempre foi nosso desafio de sobrevivência. Com o crescimento populacional, agravado com hábitos de consumo excessivo, as soluções para planejar cidades para as pessoas com respeito ao meio ambiente e às condições de vida mais saudáveis e energeticamente responsáveis tem sido tema de pesquisa em várias instituições de ensino superior. O Brainport, distrito inteligente, que vem sendo criado pelo UNStudio e pela Universidade de tecnologia de Eindhoven, na Holanda, é uma tentativa de resposta para isso.   

O Brainport Smart District será uma área residencial e de trabalho inteligente, onde o ambiente de desenvolvimento urbano é projetado em conjunto com novas tecnologias para transporte, saúde, geração e armazenamento de energia e construção circular. Os moradores também desempenham um papel importante no desenvolvimento de seu próprio ambiente de vida. 


Um local de experimentação que não seja focado pontualmente, mas que agregue soluções que possam trazer mais qualidade real de vida às pessoas em meio urbano, através de ações como: 

  • Apoio ao design e ao comportamento das pessoas, sabendo que dados levantados devem embasar soluções pró ativas e que a educação e conscientização torna cidadãos mais sustentáveis em suas ações.
  • Segurança incrementada por uma iluminação inteligente de Segurança.
  • Uso do conceito de de vida VIVALIB, que ajuda os idosos a permanecer o maior tempo possível em sua casa, usando recursos tecnológicos (domótica) aliado a uma plataforma de serviços. Veja aqui as melhores cidades para idosos no Brasil.
  • Uso de um aplicativo para qualidade do ar saudável nas residências que oriente e ajude nas escolhas sobre o clima interno, aumentando a autonomia das pessoas quanto ao seu uso.
  • Criação de espaços urbanos menos poluídos acusticamente pelo uso racional de materiais adequados.  

Um ambiente urbano experimental em constante evolução, com a participação dos habitantes, onde os dados colhidos tenham garantia de privacidade é a proposta real que está sendo implementada como um grande laboratório vivo na Holanda.

Se funcionará na prática é o que se pretende com a pesquisa. Se funcionar, será aplicável em escalas maiores. Iniciativas dessa ordem já aconteceram no mundo, com sucessos e fracassos.

A questão crucial é: precisamos mudar nossos rumos de civilização e convivência urbana? Como faremos isso?

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