Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Retomando a cidade - Urbanismo Open Source

Cidades código aberto - open source cities

Não é segredo que os ambientes urbanos vem se tornando bem menos agradáveis ao uso humano. Também percebemos que os mecanismos de planejamento das cidades, tipo planos diretores, mormente suas boas intenções, demandam extensas discussões e acabam por se tornar herméticos e engessados em médio prazo. Ao mesmo tempo vemos que vários movimentos de pessoas estão se organizando e ocupando espaços de maneira descontraída e com um propósito de reaproximar grupos de habitantes urbanos. Há obviamente também urbanistas e profissionais atuando nesses segmentos, fazendo pesquisas, fomentando que centros cívicos e espaços desocupados sejam recuperados ao convívio da cidade e ativados para novos usos. Uma atuação conjunta extremamente saudável, diga-se de passagem. 

Lembro dos primeiros movimentos que conheci de participação popular nas cidades, ainda na década de 80. A famosa democracia participativa em Lages, que foi descrita em um livro que foi um sucesso entre os estudantes de arquitetura na época: A Força do Povo. Outras experiências foram testadas em orçamentos participativos e governanças idem. 

Mas até que ponto essas experiências nos trouxeram espaços melhores e mais ricos? Eu também sou curiosa nessa área.

Agora ouço falar no urbanismo Open Source. E um dos determinantes desse novo enfoque são as oportunidades que a interação virtual nos permite. Uma ação urbana tipo DYI, um fazer conjunto com uma comunicação mais horizontal, onde a informação não seja privilégio de poucos. Aquela em que o urbanista não risca soberano decisões, mas onde a opinião e participação de todos seja relevante. 

INTERNET

Muitos afirmam que essa democratização da informação via meios virtuais seja um dos instrumentos mais relevantes desse novo modo de ver e agir nas cidades já que os cidadãos teriam mais acesso aos meios de decisão.  

É sabido que as redes sociais possibilitam uma auto organização mais rápida e eficiente, agilizam as respostas e interações e livram as pessoas da dependência de uma estrutura mais centralizadora para a organização de suas necessidades.

TRANSPARÊNCIA

Um grande entrave e gargalo nas ações urbanas é a prestação de contas e a tal da transparência. Toda ação mais encoberta traz em si a oportunidade de burlas. Meio chato, mas já se disse por aí que toda dificuldade pode ser feita para vender facilidades. Quanto mais transparente o sistema de prestação de contas, teoricamente, mais eficaz a fiscalização de onde são aplicados.

Sistemas onde todos possam acessar informações e saber de forma clara onde e quando os recursos empenhados foram gastos faz parte das propostas de Open Data.

FORMAÇÃO DE REDES SOLIDÁRIAS

Quanto mais os cidadãos forem unidos e solidários em objetivos comuns, mais eficientes na organização de suas necessidades. A internet passa a ser uma ponte para a organização de associações, de encontros, de cooperativas, de redes com poder transformador e de ação prática. Seria o momento de mudança de paradigmas: Do individuo para a rede na construção de uma cidade de todos. Em que os mecanismos de atuação urbana possam ser mais democráticos e eficientes.  

URBANISTAS ATUANDO EM GRUPO MULTIDISCILPLINAR

Todas as ações de um urbanismo com a população, uma cidade de código aberto, levam a que os profissionais envolvidos deixem de ser os senhores e donos das soluções e passem a atuar como um dos elos de uma cadeia que discutirá e proporá soluções. 

A ideia é que o cidadão retome a cidade como espaço de convivência solidária e segura. Eu gosto. 

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