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Discurso de um espaço amoroso

Logo que me descobri mais gente, menos miúda, se assomou em mim uma fascinação pelo encontrar um objeto amoroso. Como toda adolescente mais ou menos romântica, me enamorei do amor. E li muito sobre ele, imaginando que absorvendo a teoria iria talvez dominar a prática. Qual o quê...há coisas que se aprende fazendo, há sentimentos que se aprimora sentindo. 

Mas foi nessa busca que a literatura traz que cheguei a um livrinho deliciosa chamado de "Fragmentos de um discurso amoroso" de Roland Barthes, onde ele disseca a comunicação do amor por partes. Tal qual o Jack inglês.  

E nesses tempos de hoje, mais experiente em anos e em práticas, me pego refletindo sobre o que os espaços onde moramos e vivemos podem nos ajudar a construir um discurso amoroso.
Gilberto Perin



Um espaço amoroso é antes de tudo um convite ao encontro. Ao trocar de emoções sem muitas distrações.

Mais que um encontro apenas sexual, um espaço que aconchega e nos traduz como pessoas que procuram. 
Pensamos em amplidão e recolhimento. Apelo ao universal em nós e ao individual que se mesclam em momentos de calor. Texturas que sejam aconchego, formas que tragam os sentidos à tona. Beleza que nos faça sentir o lado estético satisfeito ou instigado, aquele que nos levará à plenitude de sentir. E sentir. E sentir.
“Na distância imprecisa, meu amor, ignoramos de nós sequer a latitude.Contudo, provavelmente o mesmo sol cobre nossos corpos ávidos de luz e de acontecer, os mesmo rostos (ou serão outros?) da mesma gente envolvem nossos passos, os mesmos ruídos, o mesmo bombardear de fatos e de idéias, a mesma música flutua em nossos cabelos, o mesmo vento nos impele na busca de horizontes claros e do mar, cheiro de algas penetrante, doçura do pôr do sol e das tempestades na barra.” Roland Barthes

 Os elementos se tornam importantes, traduzem signos, humanos que nos tornamos mais abertos e mais transparentes. Fogo, água, terra e ar, todos presentes em um discurso de espaço amoroso.  
Sutileza. Assim como na conquista e permanência, o espaço que se traduz em sentimento pede de nós uma não redundância, uma economia de exposição, um bom senso de explosão. Que até no amor é preciso ter uma certa calmaria para que aguentemos as tempestades e escolhas.

Meu discurso tinha sido preparado com calma. Juntei imagens, colhi as fontes, deixei tudo preparado com explicações de pesquisas para poder expressar com mais clareza o que pretendia. A vida digital me passou a perna, tal qual faz na real. As imagens sumiram por magia. Perdi as referências. Pensei até em mudar de assunto. 

Mas tal qual na vida de verdade, há que se improvisar quando o tema nos pede. Roland Barthes me apareceu de novo e deve ter um bom motivo para isso. Ainda não descobri qual. Estou compartilhando com vocês para descobrirmos juntos. 

PS: Descobri um romance que comecei a ler e que cham-se....imaginem: "Quem matou Roland Barthes" de Laurent  Binet.  Um obra instigante e nada convencional. 

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