Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

É o Amor !!!!!

Admito. O amor é brega.


Tão cafona em suas demonstrações desbragadas de agradar ao outro. Mostrar nossa mais bela plumagem, pavões deslumbrados e carentes por reconhecimento e reciprocidade.

Amamos e queremos gritar nosso amor. Colocamos a palavra AMOR ou LOVE (que amar em inglês é sempre mais in) em nossas casas, nas paredes, nos mobiles, letras que se formam em demonstração que ali tem um coração que ama. E melhor ainda: um coração amado. 
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Que mexe com minha cabeça

E me deixa assim
Que faz eu pensar em você
E esquecer de mim
Que faz eu esquecer
Que a vida é feita pra viver

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Admito. O amor é profano.

Amamos e queremos nos embriagar do amor. Queremos engolir nosso objeto de admiração. Queremos não apenas amar, queremos amor apaixonado. Uma revolução interna que nos irrompe e que precisa extravasar em objetos. Muitos absurdamente surreais. E como toda coisa over, super exagerada, algumas se tornam cults. Quase nos apaixonamos pela breguice explícita.   
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Admito. O amor é sublime. 

O amor nos tira da mesmice cotidiana. Nos faz únicos. Para alguém somos realmente especiais como éramos em pequenos. Talvez essa a sua maior magia. Nos faz voltar a ter possibilidade de sermos o que imaginamos ser. E ao mesmo tempo nos dá uma segurança de sermos aceitos como realmente somos.

Pensando bem.... 


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O amor é mágico. 

Opera revoluções. Faz o impossível mais factível. Faz o comum, especial. E sendo assim pura magia, é ridiculamente sensacional.
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As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas 

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Assim sendo, como querer que nossas manifestações sobre o amor não sejam já tão batidas que nada pareça não ter sido feita. Usar letras coloridas, adesivos nas paredes, grafites e tabuletas....tudo é válido, se agradar. 

Do amor só queremos que seja bom. Que seja bonito. Que nos torne pessoas melhores e mais generosas.  
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Assim deixemos de lado os pré conceitos e sejamos bregas. Sejamos apaixonados. Sejamos sublimes e mágicos. 

E não deixem de lembrar que o nosso amor deve também se voltar para nós. Nosso cuidado, nosso lado mais bonito, nosso espaço mais bacana e acarinhado também deve ser feito para a gente. Porque se não nos amarmos, vai ser bem mais difícil sermos amados pelos outros. #Ficaadica 

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