Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Capela da Floresta para encerrar (e encarar) a dor da perda

A morte e toda tristeza que ela encerra. As cerimônias de despedida e o sentir dos que ficam. Como lidar com esses momentos e esses sentimentos na hora de projetar espaços para a Arquitetura da Morte? Ou que lidem com esse momento? 

Antes de ser abrigo, a Arquitetura se caracterizou como um "símbolo de crenças comunitárias" (1), mormente o respeito aos mortos. Uma das características que nos diferem dos animais. Pranteamos quem parte antes de nós. E mesmo os que não creem em forças superiores, deuses ou explicações mais etéreas, também se quedam perplexos ante a finitude.
Como tratar então esses espaços onde se possa estar com a dor, a tristeza, o recolhimento consigo que a perda traça em cada um de nós? No cemitério Sayama Lakeside, encontra-se a Capela da Floresta, projeto do estúdio NAP Architects de Hiroshi Nakamura. A imagem que me chamou mais a atenção mostra suas entranhas, a estrutura em madeira laminada que, segundo os projetistas, lembra o gesto da oração, das mãos que se unem como que fechando um centro de energia para embalar nossa dor interna.
Segundo o arquiteto, a natureza em redor norteou seu projeto, fazendo com que as árvores da floresta abraçassem a Capela, como que num acolhimento do que vem a mundo e a ele retorna, fechado o ciclo de vida humana.  

Sua arquitetura procurou causar a "menor perturbação possível" na natureza. e se inspirou no estilo Gassho:

Gassho é um tradicional estilo arquitetônico japonês. Por um lado significa o encontro de duas vigas umas contra as outras. Mas também significa a forma das mãos em oração.  

A estrutura de madeira foi coberta com azulejos de alumínio com seis tamanhos diferentes artesanalmente colocados.  

(1) Entender a Arquitetura - Roth, Leland - Cap. 09

Fonte
Fotos: © Hiroshi Nakamura & NAP.

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