Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Arquitetura que cura

Muitos são os que se apaixonam pela arquitetura, inclusive esta que vos escreve. Prédios simbolicamente grandiosos, espaços que envolvem e encantam, projetos que resolvem situações e são esteticamente belos. 

Mas a Arquitetura é bem mais que isso. Envolve uma relação de sintonia que pode curar almas. E mais que isso, pode trazer esperança, curar pessoas e resgatar dignidade para populações. E é esse lado da Arquitetura que mais me seduz.
"A questão não é o que é o custo de arquitetura, mas qual é o custo de não ter arquitetura."  Paul Farmer, fundador do Partners In Health
Esses dias assisti uma palestra TED (que está abaixo) com Michael Murphy que é arquiteto e co-fundador da MASS Design Group. Esse grupo faz um trabalho lindo que tem como objetivo "projetar edifícios inovadoras que melhorem a vida das pessoas de maneiras mensuráveis."  Com a colaboração das comunidades eles ajudam na criação e execução de ambientes que promovam a saúde e dignidade. Um desses projetos já apareceu aqui no blog, é o  alojamento comunitario em Ruanda que foi considerado um dos melhores projetos de 2016.

Para eles arquitetura é bem mais que empilhar tijolos, um jargão que costumamos usar para significar que é bem mais que simplesmente construir um edifício. É um processo que leva em consideração o meio ambiente, a cultura, as forças das comunidades e o seu envolvimento. Com esses conceitos a sua equipe projetou e/ou auxiliou na realização de uma série de projetos ultra relevantes para a saúde física e mental das comunidades onde atuam.

Michael começa a palestra falando de sua experiência pessoal em família e o faz de maneira comovente. E termina mostrando um projeto novo: O Memorial de Paz e Justiça, cuja imagem aparece abaixo.

O memorial se propõe a ser um resgate da memória de inúmeras pessoas que sofreram linchamentos. É impressionante a força que a Arquitetura pode ter como uma proposta de que a barbárie possa ser apenas memória e lição para que as pessoas se conscientizem e lutem para que isso nunca mais aconteça. Para isso existem os livros, as artes, os memoriais e museus. Para que a História não seja repetida em seus erros. Que saibamos entender suas lições.

O vídeo é relativamente curto, está em inglês mas é facilmente compressível. E suas imagens falam por si. A Arquitetura pode bem mais que ser bela. Pode e deve atuar para a saúde de todos.    


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