Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Arquitetura que cura

Muitos são os que se apaixonam pela arquitetura, inclusive esta que vos escreve. Prédios simbolicamente grandiosos, espaços que envolvem e encantam, projetos que resolvem situações e são esteticamente belos. 

Mas a Arquitetura é bem mais que isso. Envolve uma relação de sintonia que pode curar almas. E mais que isso, pode trazer esperança, curar pessoas e resgatar dignidade para populações. E é esse lado da Arquitetura que mais me seduz.
"A questão não é o que é o custo de arquitetura, mas qual é o custo de não ter arquitetura."  Paul Farmer, fundador do Partners In Health
Esses dias assisti uma palestra TED (que está abaixo) com Michael Murphy que é arquiteto e co-fundador da MASS Design Group. Esse grupo faz um trabalho lindo que tem como objetivo "projetar edifícios inovadoras que melhorem a vida das pessoas de maneiras mensuráveis."  Com a colaboração das comunidades eles ajudam na criação e execução de ambientes que promovam a saúde e dignidade. Um desses projetos já apareceu aqui no blog, é o  alojamento comunitario em Ruanda que foi considerado um dos melhores projetos de 2016.

Para eles arquitetura é bem mais que empilhar tijolos, um jargão que costumamos usar para significar que é bem mais que simplesmente construir um edifício. É um processo que leva em consideração o meio ambiente, a cultura, as forças das comunidades e o seu envolvimento. Com esses conceitos a sua equipe projetou e/ou auxiliou na realização de uma série de projetos ultra relevantes para a saúde física e mental das comunidades onde atuam.

Michael começa a palestra falando de sua experiência pessoal em família e o faz de maneira comovente. E termina mostrando um projeto novo: O Memorial de Paz e Justiça, cuja imagem aparece abaixo.

O memorial se propõe a ser um resgate da memória de inúmeras pessoas que sofreram linchamentos. É impressionante a força que a Arquitetura pode ter como uma proposta de que a barbárie possa ser apenas memória e lição para que as pessoas se conscientizem e lutem para que isso nunca mais aconteça. Para isso existem os livros, as artes, os memoriais e museus. Para que a História não seja repetida em seus erros. Que saibamos entender suas lições.

O vídeo é relativamente curto, está em inglês mas é facilmente compressível. E suas imagens falam por si. A Arquitetura pode bem mais que ser bela. Pode e deve atuar para a saúde de todos.    


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