Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...
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Criação e liberdade - arquitetura e música da URSS
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Centro Druzhba de Recreação e Recuperação - Yalta, Ucrânia
Sempre que penso na Arquitetura da União Soviética imagino construções pesadas e formalmente direcionadas aos ideias revolucionários. Embora os russos e outros povos da antiga URSS tenham trabalhos admiráveis em criatividade, como os mostrados nas igrejas russas de madeira, as obras pós revolução comunista nunca me chamaram a atenção.
Sim, confesso aqui que não tenho uma visão crítica estruturada e embasada em um estudo mais profundo. Não gosto do caráter monumental da produção arquitetônica da época e sempre questionei o engessamento da criação.
Fui fazer uma rápida pesquisa e achei alguns artigos, um dos quais, faz um resumo sobre a cultura russa que reproduzo abaixo:
No livro de Vladímir Papérni “Cultura dois” (Architecture in the Age of Stálin: Culture Two Cambridge University Press, 2002) é narrada uma concepção atraente do desenvolvimento da vida cultural na Rússia. De acordo com esse livro, podem-se identificar dois períodos da cultura russa, que se revezam a cada 20 ou 30 anos. A “cultura 1” está ligada à época revolucionária e à “introdução” de novos estilos, a “cultura 2” expressa-se na volta às tradições e ao engessamento das tendências existentes. Paperni mostra a diferença entre esses dois períodos da cultura russa com o exemplo da arquitetura como a arte mais concreta. Assim, o autor liga a arquitetura dos anos 20 (a Torre de Shukhov, a Casa de Melnikov) –provocativa e inovadora– ao período da “cultura 1” e as construções dos anos 30 aos anos 50 (o Hotel Moscou, os prédios altos de Stálin etc.) –mais estritos e impressionantes– “ao período da cultura 2”.(fonte)
Então é obvio que uma opinião mais crítica deve abranger um estudo maior sobre o estado da arte da produção arquitetônica soviética nó século XX. Na verdade o que vou falar aqui é algo que eu tenho refletido e que hoje, no almoço cultural que fui no Studio Clio, se fez mais presente: a criação e a liberdade.
O almoço era sobre as dificuldades de "ser um artista num estado totalitário" falando sobre o compositor Dmitri Shostakovich, premiado e criticado, considerado um dos maiores nomes da música erudita do século XX. Quem nos brindou com a palestra foi o pesquisador Arthur Torelly Franco.
Eu tenho plena convicção que a arte existe para nos aproximar de nosso lado humano, para gerar inquietações, nos fazer sentir, nos fazer pensar. Não consigo conceber um artista sofrendo qualquer tipo de censura ou tendo a sua criatividade tolhida ou direcionada. E quando falo em qualquer me refiro às políticas, religiosas, econômicas, sociais.
Stalin, McCarthy, D.Solange, são tristes exemplos de cerceamento do pensamento livre. A tal história do pensamento único que não existe apenas nas ditaduras declaradas, mas no senso comum vendido pelos meios de comunicação como sendo o certo.
Não é a toa que o artista vem para romper padrões. Não é a toa que muitos deles tenham vivido na mais negra miséria nas suas vidas e depois de séculos seus quadros e obras façam milionários. Arte é rica. Mas vale mais que dinheiro. Muito mais. Talvez por isso nos motive tanto.
Gastronomia da chef Carine Tigre
Entrada
Shchi (sopa de repolho, batata e cogumelos)
Prato principal
Frango a Kiev com purê de batata
Sobremesa
Charlotte de pêssegos
Fotos: Elenara Stein Leitão Os deixo com a sinfonia que é considerada uma das mais belas de todos os tempos: a Sinfonia Nº 7, também chamada Leningrado, de Shostakovich.
E uma curiosidade: uma das obras da produção arquitetônica russa depois do fim da união soviética.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
Fonte Embora as fotografias de Arquitetura raramente tenham seres humanos, as representações gráficas dos projetos as tem. As calungas. Este nome esquisito foi o que aprendi a nominar a representação humana nos desenhos, a tal da escala humana, que mostra de maneira mais clara como os espaços se conformam em proporção aos nossos corpos. Fonte Hoje é muito comum que tenhamos blocos de seres humanos, animais e plantas em todos os programas gráficos. E há sites onde podemos buscar figuras das mais diversas etnias e movimentos para humanizar nossas plantas e perspectivas. Me lembrei das calungas ao falar com um colega arquiteto, bem mais jovem que eu, que me mostrou fotos de projetos da década de 80, com simpáticas figuras, simulando movimentos. E, para minha surpresa, ele nunca tinha ouvido falar do termo calunga. Como eu nunca tinha parado para pensar sobre isso, fui dar uma rápida pesquisada e achei que o termo tem origem africana e talvez tenha vindo e...
Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes. Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida. Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...
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