Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

Imagem
Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Criação e liberdade - arquitetura e música da URSS

Centro Druzhba de Recreação e Recuperação - Yalta, Ucrânia
Centro Druzhba de Recreação e Recuperação - Yalta, Ucrânia
Sempre que penso na Arquitetura da União Soviética imagino construções pesadas e formalmente direcionadas aos ideias revolucionários. Embora os russos e outros povos da antiga URSS tenham trabalhos admiráveis em criatividade, como os mostrados nas igrejas russas de madeira, as obras pós revolução comunista nunca me chamaram a atenção. 

Sim, confesso aqui que não tenho uma visão crítica estruturada e embasada em um estudo mais profundo. Não gosto do caráter monumental da produção arquitetônica da época e sempre questionei o engessamento da criação. 
Embaixada da URSS em Cuba. Imagem © Flickr CC User Manuel Castro
Embaixada da URSS em Cuba. Imagem © Flickr CC User Manuel Castro
Fui fazer uma rápida pesquisa e achei alguns artigos, um dos quais, faz um resumo sobre a cultura russa que reproduzo abaixo:

No livro de Vladímir Papérni “Cultura dois” (Architecture in the Age of Stálin: Culture Two Cambridge University Press, 2002) é narrada uma concepção atraente do desenvolvimento da vida cultural na Rússia. De acordo com esse livro, podem-se identificar dois períodos da cultura russa, que se revezam a cada 20 ou 30 anos. A “cultura 1” está ligada à época revolucionária e à “introdução” de novos estilos, a “cultura 2” expressa-se na volta às tradições e ao engessamento das tendências existentes.

Paperni mostra a diferença entre esses dois períodos da cultura russa com o exemplo da arquitetura como a arte mais concreta. Assim, o autor liga a arquitetura dos anos 20 (a Torre de Shukhov, a Casa de Melnikov) –provocativa e inovadora– ao período da “cultura 1” e as construções dos anos 30 aos anos 50 (o Hotel Moscou, os prédios altos de Stálin etc.) –mais estritos e impressionantes– “ao período da cultura 2”.(fonte)
Então é obvio que uma opinião mais crítica deve abranger um estudo maior sobre o estado da arte da produção arquitetônica soviética nó século XX. Na verdade o que vou falar aqui é algo que eu tenho refletido e que hoje, no almoço cultural que fui no Studio Clio, se fez mais presente: a criação e a liberdade.  
Arthur Torelly Franco - Studio Clio

O almoço era sobre as dificuldades de "ser um artista num estado totalitário" falando sobre o compositor Dmitri Shostakovich, premiado e criticado, considerado um dos maiores nomes da música erudita do século XX. Quem nos brindou com a palestra foi o pesquisador Arthur Torelly Franco.

Studio Clio
Eu tenho plena convicção que a arte existe para nos aproximar de nosso lado humano, para gerar inquietações, nos fazer sentir, nos fazer pensar. Não consigo conceber um artista sofrendo qualquer tipo de censura ou tendo a sua criatividade tolhida ou direcionada. E quando falo em qualquer me refiro às políticas, religiosas, econômicas, sociais.

Stalin, McCarthy, D.Solange, são tristes exemplos de cerceamento do pensamento livre. A tal história do pensamento único que não existe apenas nas ditaduras declaradas, mas no senso comum vendido pelos meios de comunicação como sendo o certo. 

Não é a toa que o artista vem para romper padrões. Não é a toa que muitos deles tenham vivido na mais negra miséria nas suas vidas e depois de séculos seus quadros e obras façam milionários. Arte é rica. Mas vale mais que dinheiro. Muito mais. Talvez por isso nos motive tanto.   
Studio Clio - cardápio

Gastronomia da chef Carine Tigre

Entrada

Shchi (sopa de repolho, batata e cogumelos)
Sopa

Prato principal

Frango a Kiev com purê de batata
Frango a Kiev

Sobremesa 

Charlotte de pêssegos
Charlotte de pêssegos
Fotos: Elenara Stein Leitão
Os deixo com a sinfonia que é considerada uma das mais belas de todos os tempos: a Sinfonia Nº 7, também chamada Leningrado, de Shostakovich. 

E uma curiosidade: uma das obras da produção arquitetônica russa depois do fim da união soviética.

a arquitetura pós-URSS fotos de Frank Herfort

   Gostou? Conta para a gente a sua opinião. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Calungas, a representação da escala nos desenhos

Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto