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Criação e liberdade - arquitetura e música da URSS

Centro Druzhba de Recreação e Recuperação - Yalta, Ucrânia
Centro Druzhba de Recreação e Recuperação - Yalta, Ucrânia
Sempre que penso na Arquitetura da União Soviética imagino construções pesadas e formalmente direcionadas aos ideias revolucionários. Embora os russos e outros povos da antiga URSS tenham trabalhos admiráveis em criatividade, como os mostrados nas igrejas russas de madeira, as obras pós revolução comunista nunca me chamaram a atenção. 

Sim, confesso aqui que não tenho uma visão crítica estruturada e embasada em um estudo mais profundo. Não gosto do caráter monumental da produção arquitetônica da época e sempre questionei o engessamento da criação. 
Embaixada da URSS em Cuba. Imagem © Flickr CC User Manuel Castro
Embaixada da URSS em Cuba. Imagem © Flickr CC User Manuel Castro
Fui fazer uma rápida pesquisa e achei alguns artigos, um dos quais, faz um resumo sobre a cultura russa que reproduzo abaixo:

No livro de Vladímir Papérni “Cultura dois” (Architecture in the Age of Stálin: Culture Two Cambridge University Press, 2002) é narrada uma concepção atraente do desenvolvimento da vida cultural na Rússia. De acordo com esse livro, podem-se identificar dois períodos da cultura russa, que se revezam a cada 20 ou 30 anos. A “cultura 1” está ligada à época revolucionária e à “introdução” de novos estilos, a “cultura 2” expressa-se na volta às tradições e ao engessamento das tendências existentes.

Paperni mostra a diferença entre esses dois períodos da cultura russa com o exemplo da arquitetura como a arte mais concreta. Assim, o autor liga a arquitetura dos anos 20 (a Torre de Shukhov, a Casa de Melnikov) –provocativa e inovadora– ao período da “cultura 1” e as construções dos anos 30 aos anos 50 (o Hotel Moscou, os prédios altos de Stálin etc.) –mais estritos e impressionantes– “ao período da cultura 2”.(fonte)
Então é obvio que uma opinião mais crítica deve abranger um estudo maior sobre o estado da arte da produção arquitetônica soviética nó século XX. Na verdade o que vou falar aqui é algo que eu tenho refletido e que hoje, no almoço cultural que fui no Studio Clio, se fez mais presente: a criação e a liberdade.  
Arthur Torelly Franco - Studio Clio

O almoço era sobre as dificuldades de "ser um artista num estado totalitário" falando sobre o compositor Dmitri Shostakovich, premiado e criticado, considerado um dos maiores nomes da música erudita do século XX. Quem nos brindou com a palestra foi o pesquisador Arthur Torelly Franco.

Studio Clio
Eu tenho plena convicção que a arte existe para nos aproximar de nosso lado humano, para gerar inquietações, nos fazer sentir, nos fazer pensar. Não consigo conceber um artista sofrendo qualquer tipo de censura ou tendo a sua criatividade tolhida ou direcionada. E quando falo em qualquer me refiro às políticas, religiosas, econômicas, sociais.

Stalin, McCarthy, D.Solange, são tristes exemplos de cerceamento do pensamento livre. A tal história do pensamento único que não existe apenas nas ditaduras declaradas, mas no senso comum vendido pelos meios de comunicação como sendo o certo. 

Não é a toa que o artista vem para romper padrões. Não é a toa que muitos deles tenham vivido na mais negra miséria nas suas vidas e depois de séculos seus quadros e obras façam milionários. Arte é rica. Mas vale mais que dinheiro. Muito mais. Talvez por isso nos motive tanto.   
Studio Clio - cardápio

Gastronomia da chef Carine Tigre

Entrada

Shchi (sopa de repolho, batata e cogumelos)
Sopa

Prato principal

Frango a Kiev com purê de batata
Frango a Kiev

Sobremesa 

Charlotte de pêssegos
Charlotte de pêssegos
Fotos: Elenara Stein Leitão
Os deixo com a sinfonia que é considerada uma das mais belas de todos os tempos: a Sinfonia Nº 7, também chamada Leningrado, de Shostakovich. 

E uma curiosidade: uma das obras da produção arquitetônica russa depois do fim da união soviética.

a arquitetura pós-URSS fotos de Frank Herfort

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