Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Saudosas memórias - arquitetando lembranças

Saudosa velha lembrança de tempos imemoriais. Restos de horas perdidas na memória dos momentos que marcaram. E por isso mesmo ficaram.

Sons de uma rua que tinha leiteiro e convidava à brincadeira. Cores de árvores que mudavam a cada estação. Uma grama que secava com a saudade de uma chuva que custava a chegar. E quando vinha era acompanhada de gritos e saudações como se fosse aquele amor querido entrando no jardim.

Perdi a referência - se alguém souber a autoria por favor me diga
Essas lembranças nos embalam e a medida que os anos passam, e as rugas aparecem, mais a recordação de momentos preciosos se faz presente. (uma dica aos mais novinhos: façam um repositório deles, os mais que puderem, é a riqueza com que irão contar para reabastecer quando a energia lhes faltar e a vida lhes apontar que o tempo está findando.

Talvez por isso gostemos de ter conosco, em nossas casas, um pouco dessas memórias em forma de móveis, de objetos e de doces lembranças.

Foto: Elenara Stein Leitão
Saudosa Amnésia
Paulo Leminski


Memória é coisa recente.
Até ontem, quem lembrava?
A coisa veio antes,
ou, antes, foi a palavra?
Ao perder a lembrança.
grande coisa não se perde.
Nuvens, são sempre brancas.
O mar? Continua verde.

Foto: Elenara Stein Leitão
Memória é coisa recente? Saudosa Amnésia já dizia o poeta.

As vezes, muitas delas, melhor esquecer que lembrar tempos tão mais vazios. Cada época com as suas referências. Cada pessoa com a sua colheita. Cada um de nós com as suas conclusões.
Fonte

Por mim ainda guardo em forma física muitas de minhas referências. Guardo fotos, guardo objetos. Aliás, dizem que uma das maiores perdas no Furacão Katrina nos EUA, pranteada por muitos, foram seus álbuns de fotos.

Parece inusitado em tempos de tanta exposição, em que as pessoas posam escondendo seus rostos de forma deliberada, que isso aconteça. Mas lembrem que para muitos, a memória do que se foi fenece muito rápido. Hoje não morremos, somos deletados. O luto tem dias contados. Sentir mais que o convencionado, pode ser chamado de patologia e curado com remédios.

Somos dopados, somos medicados, somos chamados de loucos se fugimos da curva. Não importa qual seja. 

Talvez explique tanta necessidade de sustentabilidade afetiva em forma de recordação. Humanos somos! Não máquinas!

Acordemos, pois!

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