Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Memórias afetivas de espaços e brincadeiras

Eu disse que as recordações de como eram os espaços que lembro da minha infância iam render um post inteiro. Eu ouvi, muito tempo atrás, que nossas escolhas do presente se baseiam em algo que nos fez felizes e que nos marcou em algum tempo de nossas vidas. E essa pesquisa era sobre comportamento de compra de casas. Eu já tenho um olhar mais treinado para perceber defeitos e ressaltar qualidades, mas acompanho vários clientes nas suas compras e vejo que além das opções obvias como número de quartos e localização, o pulo do gato, aquilo que decide mesmo uma compra está em geral em um sonho. Em algo que tinha, ou que faltou, em seus muitos locais de moradia...

A mais antiga recordação que tenho de um espaço meu...um canto do corredor. Eu tinha uns três anos e esse era o meu quarto. O corredor fazia um nicho com uma janela lá em cima (a casa era de uma alemão e as janelas eram quase todas inacessíveis, deviam ficar acima da linha das portas !). Não sei como eram limpas...Bom, nesse nicho colocaram meu berço e lembro que na janela tinham brinquedos, talvez nem fosse tão alta assim, eu é que era pequena. Esse quarto aberto talvez explique porque eu sinta, hoje , tanta necessidade de ter um espaço meu, um quarto que seja meu reino e onde eu possa me espalhar e FECHAR a porta.

Outra bela recordação que tenho é das mobílias que fazia para minhas bonecas. Já falei aqui AQUI sobre elas. Muitas eram feitas com caixas de fósforos que se usavam muito mais naquela época do que agora. Achei na WEB algumas imagens que mostram como se fazia. E percebi que era bem comum as meninas exercitarem sua criatividade dessa maneira. Não existiam muitos brinquedos prontos e os que tinham eram caros, eu tinha muitas bonecas, mas nada em excesso. Me lembro até hoje de uma Pedrita que achei que nunca fosse ganhar porque era lançamento e eu sabia que não podia pedir nada que fosse além do orçamento da casa. Mas meus olhos deviam dizer o que sonhava. E ganhei ! Que alegria ! Era para essas bonecas que eu criava, no quarto de serviço, toda uma casa feita com essas mobílias, a banheira era um prato de cozinha branco de louça...

E você ? Quais as suas memórias afetivas de espaços e brincadeiras ? E como elas afetam suas escolhas hoje ?

Pontos e Ideias

Pontos e Ideias









PS: Esse site tem por norma sempre indicar a origem das fontes dos dados, mas como eu não guardei os sites de onde tirei as fotos, se alguém se sentir prejudicado, me diga que eu retiro ou se informada, coloco a autoria das fotos.  

Comentários

  1. É tão bom lembrar.

    A maior parte das minhas brincadeiras eram no quintal.

    Eu amava correr de triciclo,fazer carinho nas minhas gatinhas,dançar com a minha boneca Beth,escrever na lousa, fazer "feira" quando eu arrancava um monte de folhas das plantas...minha mãe devia adorar.

    E hoje eu sinto muita falta de espaço verde .

    Boa Noite!

    beijinhos

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  2. Eu brincava muito na rua também, e como era bom !
    Beijos

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  3. Olá, Elenara.
    Adorei o seu texto e concordo plenamente com o que vc diz. Guardo com muito carinho tudo o que vivi na infância e fico triste pq muitas crianças de hoje não tem conhecimento da alegria que é fabricar os seus próprios brinquedos...
    Também agradeço por ter mantido os créditos do meu blog nas duas primeiras imagens postadas.
    Um abraço!

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  4. Oi Aline, sempre que posso eu coloco a referência dos blogs porque as pessoas podem querer buscar na fonte (eu sempre faço isso). Já referi com o devido link que sempre facilita a quem busca. É muito legal o teu blog, volte a postar mais seguido!
    Abraços

    ResponderExcluir

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