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Arquitetando Ideias - pílulas mentais arquitetônicas

Sabe aqueles dias em que falta criatividade? Em que parece que tudo já foi dito - e melhor - em algum lugar da imensa nuvem de informações que nos circunda? E não é apenas um branco, daqueles que dá uma hora, a gente descansa e passa. Não. É um vazio que vem e se instala, feito posseiro.


Algum tempo atrás, séculos talvez, li que um dos sinais da saúde era a criatividade. E tem muito de lógica. Um dos sinais de que a mente/corpo necessitam de reparos é a falta dela. Nas menores coisas. E nas maiores como pesquisar, achar coisas interessantes para compartilhar e transformar essas impressões em um texto que motive outras pessoas a descobrirem também assuntos interessantes e assim girar a roda da curiosidade.
 
Assuntos não faltam. 

Por exemplo: tenho lido nas listas de Arquitetura tantos estudantes pedindo opinião sobre os seus projetos, mostrando apenas uma fachada, uma perspectiva. Me pego pensando que não, Arquitetura não é desenho. Arquitetura não é planta. Arquitetura é bem mais que isso. E se as nossas faculdades não estão conseguindo passar esses conceitos não é debalde que muitas pessoas pensem que Arquiteto é artigo prescindível

E este pensamento me leva a um artigo que li esses dias (não guardei o link, sorry). Mas era sobre no que se devia gastar dinheiro e no que não. Um desses "que não" era com caros decoradores já que é muito mais divertido e barato fazer tudo sozinho. E sim, isso é uma tendência forte. E sim, isso explica o sucesso de inúmeros blogs e vídeos dando dicas de como fazer os famosos DIY (Do It Yourself - ou aportuguesando FVM - Faça você mesmo). 

Daí partimos para duas divagações: Primeiro - Arquiteto de interiores, designer idem e decorador são mais caros que fazer sozinho? Não deveria ser. Ao contrário. Procurar um profissional que indique a melhor maneira de ambientar espaços, otimizando os materiais, sabendo os melhores locais onde comprar e antevendo tecnologias e tendências deveria ser senão mais barato, a melhor escolha custo-benefício. Já que aqui falamos de economia mesmo e não apenas da aparente.

Mas e a segunda divagação? Decoração é arquitetura? Rixa antiga. Quando me formei, pelos idos de 80, decoração de interiores era coisa menor na faculdade. Profissionais, nem todos é verdade, mas muitos, a maioria eu diria, torciam o nariz. A arquitetura de interiores virou especialidade querida depois que o mercado se tornou importante. (podem me crucificar se quiserem, mas esta é a minha vivência). Para mim arquiteto trabalha com espaço. Seja micro, seja macro. Seja interno, seja externo. Nunca projetei uma casa ou um prédio sem conceber como ficariam os espaços internos. Enfim, arquitetos e designers de interiores com formação técnica devem ser reconhecidos desde que façam um bom trabalho. E por isso o reconhecimento e a necessidade da fiscalização por algum órgão. Ponto.


Mas...e a criatividade lá de cima? O que tem a ver com tudo isso? TUDO. Profissionais criativos são melhores. Tem aquele olhar que transforma as realidades. Tem aquele treinamento que faz diferente. Que transforma o seu problema em solução. Solução não apenas formal, não apenas em um desenho bonito ou uma perspectiva bem renderizada. Mas em uma solução que seja útil, que seja econômica, que seja ambientalmente correta e que além de tudo isso seja a sua cara. Como se faz isso? Com muito esforço. Com leitura especializada. Com leitura não especializada. Acho que era o Olivetto que dizia que se tinha que ler de tudo, ver muita TV, ver muito filme, se abastecer de vida.

E para fazer tudo isso há que ter saúde. E chegamos ao fechamento do círculo. Há que se arquitetar saúde quando ela anda falha. Mens Sana in Corpore Sano. E também na saúde não convém fazer as coisas por conta própria e não ouvir ou pesquisar apenas leigos. É prudente ver o que profissionais da área dizem. Fazer check ups seguidos. Comer bem. Dormir bem. Se exercitar. Azeitar a máquina para que ela possa produzir mais e melhor. E dando prazer.

Então meu próximo projeto é exatamente esse: Arquitetando a saúde. Arquitetos tem a pretensão de achar que pode tudo. Pode ficar sem dormir, pode ficar sem férias, pode viver de amor pela Arquitetura. Nem sempre. Ninguém pode. E amor que é bom de verdade, preza pela harmonia.
 

Enfim são as pílulas mentais de hoje.

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