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Falando da convivência entre bikes, carros e regras

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Esses dias a Sam Shiraishi do blog A Vida como a Vida quer me perguntou sobre soluções para disciplinar o ciclismo urbano. O mote era uma proposta de um vereador que propunha lei sobre direitos e deveres dos ciclistas. Abaixo a minha colaboração para o debate.

As ciclovias são alternativas super importantes e imprescindíveis para uma cidade que se pretenda simpática ao ciclismo. É praticamente impossível a convivência da bicicleta e carros na mesma via, pelo menos em nossa realidade brasileira de falta de respeito no trânsito (com pequenas e honrosas exceções).


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Mas para que elas se tornem realidade é importante que não sejam pontuais, pequenos trechos que sirvam mais para propaganda que para real possibilidade de transporte.  Que sejam via ciclovias seguras e não meras faixas pintadas nas ruas. Educação e multa para quem desrespeitar a ciclovia seriam bem vindas(ao invés de multar o ciclista e tirar a bike, que tal multar o motorista e reter o carro ?).
É preciso educação para que se mude o foco de uma cidade com quatro rodas e a bike receba a mesma prioridade que os carros.
Ou seja, a mera construção de ciclovias sem planejamento, não é solução. É curativo. É preciso pesquisar e saber a real demanda para dotar as áreas que dela necessitam com maior uso, não usar as áreas verdes para construí-las e sim tirar o espaço dos carros. Garantir que existam em número e quilometragem suficientes para a real necessidade e garantir a coexistência com o sistema viário. A palavra chave  e que é o grande gargalo brasileiro nas cidades: PLANEJAMENTO.

Abaixo um video que encontrei no blog Vá de Bici e que mostra uma maneira barata e eficiente de planejar e fazer espaços para bicicletas nas cidades.

 

Mas, fazendo uma retrospectiva do blog, vejo que tenho tantas matérias falando de bicicletas e seu uso que até parece que eu sou uma grande usuária das bikes. Só que não...e não por vontade própria. Eu não sei andar de bicicleta. Tá bom, falha minha. Não aprendi quando pequena porque morava em uma cidade que, para minha mãe, era perigosa, e ela nunca me deixou tirar as rodinhas e eu nem tentei mais. Nem eu, nem minha irmã, nem minha mãe. Acho que o exemplo ajuda, ou não. Enfim, também fui pesquisar com colegas e amigos que usam bicicleta de maneira mais ou menos frequente para saber também a opinião de um profissional arquiteto que pedala, o Oscar Muller,  e alguém que é usuário das bikes, mas milita em outra área profissional, o Marco Aurélio.

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Para o Oscar, "a ciclovia não pode ser implementada em detrimento do pedestre ou da área verde, a bike compete com o carro, e é com ele que precisa dividir espaços. 

Educação e consciência da população também, mas respeito pelo próximo não é coisa natural em todas as sociedades, e a legislação não é instrumento suficiente quando desvinculada deste contexto. Se o respeito à vida existe, a estória é outra, e se tornam desnecessárias as leis, a fiscalização, controle, autuações, etc. (um montão de coisas que também não temos e que se criadas já vem formatadas a "band aid"), na Índia a coisa flui, e a equação inclui camelos, carroças, elefantes...Na verdade aqui nunca me senti seguro dividindo espaço com os outros veículos, principalmente ônibus e táxis.

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Isso de criar ciclovia que é agora, mas deixa de ser daqui a pouco, privilegiando o lazer, com trechos desvinculados, levando nada a lugar nenhum, sem qualquer função em relação ao transporte diário, é só para inglês ver e ganhar votos de desavisados, mais nada. Na verdade até tornam tudo mais perigoso, pelos trechos sem ligação, ou horários de funcionamento, que criam falsa sensação de segurança.



A acrescentar, talvez apenas a sugestão de que as ciclovias aconteçam entre as calçadas e a faixa destinada ao estacionamento, e não entre esta última e os veículos, e chamar atenção para a necessidade de estações intermodais que ofereçam equipamentos para os usuários da bike. Estacionamentos, claro, e até mais, como banheiros públicos e vestiários com banho, tudo que for possível para tornar mais atrativa esta alternativa para o cidadão."



Já para o Marco Aurélio,
"a discussão virá sempre algo técnico, pragmático, sobre desempenho, espaço, carro x bike, segurança, etc... Mas para mim isso é algo absurdamente político e estético! Afinal, a cidade é para quem? Paras as pessoas? Quais pessoas? O que afinal fazemos aqui, todos juntos?? E mobilidade urbana tem para fim que ser capaz de encarar essas questões, que podem e devem ser respondidas pelas pessoas, ou por filósofos que sejam, não por técnicos e engenheiros da CET"
E indicou ainda um link bem legal http://vadebike.org/2012/12/projeto-ciclovia-av-paulista-eliseu-de-almeida/

Ou seja, esbarramos no gargalo básico e recorrente de nossas cidades e seus problemas: falta planejamento macro. Nossas soluções são reativas, são curativos como bem disse o Oscar. Planejamento que envolva equipes multidisciplinares, que envolva população, usuários e técnicos e que vá além de reuniões e formação de comissões. Soluções existem no mundo inteiro e capacidade de adaptá-las e criar as nossas não nos falta. Vida sustentável se faz de atitudes, se faz de escolhas. Exigir e propor planejamento para nossas necessidades básicas é uma das atitudes que nos levam à melhores cidades e melhor qualidade de vida. Não acham?

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