A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

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Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Errar é humano, não resolver é insano

Errei sim. Adoraria dizer que fui perfeita e eficiente a maior parte da minha vida. Mas não seria verdade. Procurei ser, o que me dá um certo crédito. 

Mas sempre surgem aqueles momentos em que algo dá errado. Seja no projeto ou na obra. 

No projeto, as causas mais frequentes, na minha experiência, são problemas na medição dos espaços e um briefing não muito completo. São etapas fundamentais para o bom andamento de qualquer projeto. Uma das maneiras que procuro agilizar, nas medidas, é buscar o maior número possível de informações sobre o espaço a ser medido. Muitas vezes garimpo fotos de venda e procuro, se não existe planta disponível, fazer uma planta baixa baseada nas fotos. Poucas vezes erro. Mas mesmo assim, ainda me passo nas medidas. São muitos detalhes que devem ser checados, é preciso organização e muitas fotos auxiliando a memória.

A entrevista com cliente é outro ponto a ser observado. Muitas vezes quem paga não é o que decide. Observar e entender as dinâmicas das pessoas nem sempre é fácil nos primeiros contatos. 

Mas digamos que se procurou fazer o melhor e eis que, quando menos se espera, erro. Material a menos, medidas equivocadas que vão prejudicar mobiliário, centímetros preciosos que somem em materiais sobrepostos. Falta de comunicação, plantas que desaparecem. Obra é bicho esquisito, nem sempre segue as regras que delineamos.

Quando a gente mesmo percebe, beleza. Resolve sem maiores traumas. Ou quase sem. Mas e quando é o cliente quem se dá conta de algo que tinha passado desapercebido por quem devia ter se dado conta?

Desculpas nem sempre resolvem o problema básico do cliente que é o seguinte: ele quer uma solução.

E aqui lembro da frase de uma cliente, super empresária, me falando sobre um funcionário seu que ligou à noite com um problema. A reação dela: "Não me traga problemas, me traga a solução".




A solução pode ser alguma coisa criativa. Uma nova abordagem. Ou pode ser trabalhosa e onerosa, se a culpa é nossa, refazer e pagar por isso, é o mínimo que se exige de um profissional.

E como diria meu mestre mais importante, meu pai, sobre pecados e erros: 
pecado e erro é tudo aquilo que você faz intencionalmente para prejudicar alguém. 
Se não foi intencional, resolva. 
E não torne a fazer. 

Então um conselho de vida: assuma seus erros, não tente dar desculpas esfarrapadas, não se omita, resolva e aprenda para não repetir.




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