Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Errar é humano, não resolver é insano

Errei sim. Adoraria dizer que fui perfeita e eficiente a maior parte da minha vida. Mas não seria verdade. Procurei ser, o que me dá um certo crédito. 

Mas sempre surgem aqueles momentos em que algo dá errado. Seja no projeto ou na obra. 

No projeto, as causas mais frequentes, na minha experiência, são problemas na medição dos espaços e um briefing não muito completo. São etapas fundamentais para o bom andamento de qualquer projeto. Uma das maneiras que procuro agilizar, nas medidas, é buscar o maior número possível de informações sobre o espaço a ser medido. Muitas vezes garimpo fotos de venda e procuro, se não existe planta disponível, fazer uma planta baixa baseada nas fotos. Poucas vezes erro. Mas mesmo assim, ainda me passo nas medidas. São muitos detalhes que devem ser checados, é preciso organização e muitas fotos auxiliando a memória.

A entrevista com cliente é outro ponto a ser observado. Muitas vezes quem paga não é o que decide. Observar e entender as dinâmicas das pessoas nem sempre é fácil nos primeiros contatos. 

Mas digamos que se procurou fazer o melhor e eis que, quando menos se espera, erro. Material a menos, medidas equivocadas que vão prejudicar mobiliário, centímetros preciosos que somem em materiais sobrepostos. Falta de comunicação, plantas que desaparecem. Obra é bicho esquisito, nem sempre segue as regras que delineamos.

Quando a gente mesmo percebe, beleza. Resolve sem maiores traumas. Ou quase sem. Mas e quando é o cliente quem se dá conta de algo que tinha passado desapercebido por quem devia ter se dado conta?

Desculpas nem sempre resolvem o problema básico do cliente que é o seguinte: ele quer uma solução.

E aqui lembro da frase de uma cliente, super empresária, me falando sobre um funcionário seu que ligou à noite com um problema. A reação dela: "Não me traga problemas, me traga a solução".




A solução pode ser alguma coisa criativa. Uma nova abordagem. Ou pode ser trabalhosa e onerosa, se a culpa é nossa, refazer e pagar por isso, é o mínimo que se exige de um profissional.

E como diria meu mestre mais importante, meu pai, sobre pecados e erros: 
pecado e erro é tudo aquilo que você faz intencionalmente para prejudicar alguém. 
Se não foi intencional, resolva. 
E não torne a fazer. 

Então um conselho de vida: assuma seus erros, não tente dar desculpas esfarrapadas, não se omita, resolva e aprenda para não repetir.




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