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Robôs no lugar de operários na construção civil. Não é futuro

Construção no arranha céu

Ao ler uma reportagem sobre os canteiros de obras sem operários e sobre as inovações na execução na construção civil, não posso deixar de lembrar da célebre foto de Charles C. Ebbets de 1932. Operários comendo tranquilamente sobre uma viga no 69º andar das obras do GE Building, em Nova York. Montagem (o que parece não ser) ou verdade, a imagem nos dá calafrios ao imaginar construções sem o mínimo aparato de segurança. 

Pensar que, menos de cem anos depois desta foto, estaremos debatendo não apenas construções mais gigantescas que as do início do século XX, mas a utilização de aparatos de robotização em projetos e execução que saem cada vez mais do campo da ficção para a realidade.


Contar com drones nos canteiros de obras, conectados à tablets ou smartphones, não apenas facilita como agiliza os serviços que antes contavam apenas com trabalho humano braçal. E muitas vezes com a sorte já que se localizam em locais mais inacessíveis ao olhar.

Segundo o artigo citado no primeiro parágrafo, "um estudo desenvolvido pelo Midwest Economic Policy Institute (MEPI) estima que, até 2057, robôs poderiam substituir ou ocupar mais de 2,7 milhões de postos de trabalho na construção civil nos Estados Unidos". Poderemos estar vislumbrando um tempo em que não haverá mais operários nos canteiros? Ou haverá apenas os operadores? Vai depender, ao meu ver, de uma conjugação de economia de recursos com harmonia social que destine outra ocupação para uma mão de obra altamente representativa no panorama econômico e social das nações.

Na Arquitetura já se debateu a separação dos campos do projetista e do executor. E o que isso acarretou para as obras e a qualidade arquitetônica. O livro O Canteiro e o Desenho fala sobre isso. Imaginar uma arquitetura feita por inteligência artificial onde os programas não apenas seriam auxiliares, mas produtores de projetos, talvez com mais eficiência que os seres humanos, dependendo do que se considere excelência, pode nos fazer refletir sobre um futuro que se desenha cada vez mais presente.

Até exoesqueletos robóticos estão na pauta das inovações, como uma maneira de ajudar a força humana. Previsão para 2020!

Robôs montadores fazem grandes estruturas usando pequenas peças

Outro artigo fala em robôs montadores fazendo grandes estruturas a partir de peças menores. Ele explica que há um novo conceito para elaboração de robôs que une qualidade com custo de produção, e onde robô e materiais funcionem como um sistema. Seriam nesse caso menos complexos e mais afinados às estruturas que estão montando. Este tipo de dispositivo poderia ir montado peça por peça de maneira muito mais barata e possibilitaria inclusive a construção no espaço, sem a necessidade de deslocar grandes estruturas pré moldadas.

Aqui no Brasil, um encontro sobre inovação na construção civil também debateu sobre 5 tecnologias que estão transformando a construção. São elas o Drones já citados, a impressão 3D, os serviços em nuvem e armazenamento de dados, a inteligência artificial e a realidade aumentada.

Todas estas inovações apontadas me lembra o tempo de pesquisa no mestrado quando escrevi sobre inovação em projetos na Construção Civil e terminei com uma frase que, talvez venha a servir novamente de reflexão. Será atendida ou não?

...toda a tecnologia e todo avanço trazido pela informática à arquitetura, no Brasil, pára no atraso do canteiro de obras, que é onde se vêem os resultados.(Sérgio Teperman)
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