Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Restrições e regras no afazer arquitetônico


Restrições são nos impostas desde que vemos a luz da vida na hora do parto. Sair do bem bom do útero materno, cheio de regalias e cair na vida real significa assumir responsabilidades por nos manter vivos. Seja ao respirar pela primeira vez, seja ao aprender a conviver em sociedade. Seja ao exercer nossas profissões. Com a Arquitetura isso não é diferente. Ao contrário.

Já me perguntaram como se dá o meu processo de projeto e sempre respondo que um passo muito importante é a análise dos condicionantes. As restrições fazem com que eu consiga formatar melhor o problema que, de outra forma, poderia se tornar muito vasto em soluções.

Ao reler o livro Palavra de Arquiteto  separei três frases sobre regras e restrições. Como todo posicionamento humano, são contraditórias e nos trazem visões bem diferentes sobre o mesmo tema. Enquanto alguns apreciam, como eu, algumas regras que fazem com que se foque mais nas soluções, outros já as enxergam como inibidoras da criatividade.



Há regras para definir quem um, quem outro? Não creio. O bonito da criatividade é justamente que, para cada pergunta, existem milhares de respostas, cada uma com a sua certeza e a visão de mundo de seu criador.

Em um mundo em que as possibilidades aumentam exponencialmente, com a ajuda da tecnologia que, não apenas nos coloca em contato com o mundo em instantes, mas nos oferece ferramentas para tornar real os sonhos mais inquietantes, nada mais natural que as diferenças se façam mais visíveis. E que haja cada vez menos certezas e verdades absolutas.  

Tendo a concordar com Renzo Piano. No início da frase. E discordar do final. Não vejo absolutamente problemas em criar as próprias regras, desde que não se queira impo-las com força aos outros.

Saber conviver com as regras. Saber quais e quando podem ser rompidas faz parte da evolução natural das coisas. O mundo precisa de uma ordem. Mas absolutamente não carece de que as regras sejam rígidas e imutáveis.

Assim é com a Arquitetura. Rica porque em contínua mudança. Perene porque se atém às regras de segurança e equilíbrio. Humana quando atende ao bem estar das pessoas. Sublime quando consegue transcender o que se espera dela. 



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