Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Como você projeta ?


Estou relendo o livro Das coisas nascem coisas de Bruno Murari (lembrança feliz do LD Paulo Oliveira ). É um livro que fala sobre metodologia de projeto. E uma coisa é básica em qualquer método que se use para conceber um produto, um espaço, uma ideia. Conhecer. Esmiuçar. Ir na âmago da questão (essa eu tirei do fundo bau).

Sabe o artista que vai interpretar um papel. Ele faz laboratório (ou deveria fazer). Ele aprende o que o personagem faz, ele procura viver no meio de gente que faz o que o personagem faz. E quanto mais ele souber como o personagem age, mais perfeito vai ficar a sua atuação. Conhecer e estudar também faz parte do talento. Lógico que quem tem mais talento talvez possa dar uma resposta mais genial, mais criativa, mais sublime, mas talento sem estudo e aprofundamento também pode produzir coisas que não tenham lá muita utilidade prática...

Pois projetar espaços, micro ou macro, e/ou objeto que vão compor esses espaços exige muito conhecimento. Uma das grandes lições que tive na escola de Arquitetura foi com os meus erros. Normalmente eles são grandes professores porque marcam a gente. Me lembro de duas coisas que projetei mal prá caramba em um projeto da graduação: lavanderia e estacionamento. E na ocasião eu passava longe de um tanque e não sabia dirigir. Aliás foi bem essa pergunta que um professor me fez: Tu não dirige não é mesmo? E nunca me esqueci disso. Para projetar algo tem que se saber como esse algo funciona. Simples ? Nem sempre. Nem sempre temos tempo para aprofundar o tanto que se precisa. Nem sempre entendemos que a nossa experiência de espaço é a mesma do cliente. As vezes corremos o risco de tentar partir para a solução sem esmiuçar o problema e sem analisar todas as suas variantes. E levar em conta os famosos condicionantes. Que são exatamente aquilo que te limita. Orientação solar, tipos  de material disponíveis  orçamento do cliente, plano diretor, códigos de obra, da Anvisa, normas técnicas e mais uma gama de coisas que todo bom projetista sabe que tem que levar em conta e nem sempre o cliente está a par. Mas para isso mesmo que nos contratou, não é verdade ?

Para mim o projeto parte muito dessas etapas: conhecimento e condicionantes. E o bolo da cereja, a diferença da solução parte do que chamo de bagagem. Bagagem é o que acumulei de experiência, erros e acertos, coisas que vejo e pesquiso, viagens, livros, revistas, internet, conversas, anos de prática profissional e personalidade própria (minha maneira de ver e conceber o mundo). E por isso cada profissional tem a sua resposta, o seu custo e o seu valor de honorários. 

E você, como concebe seus projetos ?   

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