Pular para o conteúdo principal

Iluminação zenital - algumas ideias

Uma das primeiras lições que aprendi na faculdade foi sobre a importância do sol e da correta insolação nas edificações. Mesmo os leigos podem entender com clareza como a luminosidade influencia em nossas emoções e como é importante termos ambientes que não necessitem exclusivamente de iluminação artificial. Mas nem sempre temos condições de assegurar que o sol entre em sua plenitude, por uma série de motivos. Aí podemos lançar mão de um coringa: a iluminação zenital.

Zênite segundo a wikipédia é "também a linha imaginária que parte do observador e sempre aponta para o ponto mais elevado da abóbada celeste". 

Logo, iluminação zenital é aquela que vem de cima. Na época que estudei (e isso foi nas décadas de 70/80) se usava muito o recurso de domos. Lembro que era um dos detalhes prediletos dos alunos de arquitetura. Os terrenos estreitos das cidades justificavam banheiros enclausurados e sem janelas. Os jardins de inverno, com ou sem coberturas, também eram recursos usados com bastante frequência. Hoje acho que se tornam um ponto de insegurança. Ouvi uma história hilária de um casal namorando com um forro retrátil em um motel e quando menos esperavam, apareceu um ladrão atrapalhando o enlevo...
Independente de casos escabrosos, há situações onde a iluminação zenital se torna um trunfo interessante a colocar em um projeto. Terrenos estreitos são obviamente um deles. Tenho abordado aqui vários projetos de casas japonesas onde a iluminação é resolvida pelos recursos zenitais. Podemos ver vários esquemas de como usa-los nas ilustrações acima e abaixo que são usadas conforme a insolação do local, de modo a garantir o melhor resultado em luminosidade.

Uma das maneiras de usar a iluminação zenital tem sido nas ampliações, tanto em residências unifamiliares como em coberturas e sacadas de edifícios. Nesses casos, em geral se coloca uma estrutura metálica ou em madeira com vidro. Há que se atentar para que não haja infiltrações no encaixe com o telhado original. Outro fator a ser cuidado é a temperatura local, cuidando para que não se tornem ambientes muito quentes ou hiper insolarados (nestes últimos casos se pode usar cortinas para filtrar a luz). Outro item a pensar é a questão da manutenção, checando a resistência do material de cobertura e como será feita a limpeza periódica.    

 União entre construções também podem gerar espaços com iluminação zenital.
Recursos mais sofisticados de uso da iluminação zenital podem explorar aspectos simbólicos de elevação e gerar ambientes onde a luz seja um elemento marcante da arquitetura.

 Além das maneiras já conhecidas de uso da iluminação zenital podemos ter soluções criativas, como o uso de garrafas pet, como a que referi na postagem onde falo sobre como usar as garrafas pet para conseguir uma iluminação sustentável em zonas carentes do planeta.

Seja de que maneira for, o importante é deixar o sol entrar com sua luz e energia nos espaços.





Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterestsnapchat: arqsteinleitao



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Maior ponte sustentável em madeira conecta pessoas na Holanda

A  província de Groningen, na Holanda é conhecida por ser a capital ocidental do ciclismo . Para unir as localidades de  Winschoten e Blauwestad foi construída a maior ponte sustentável em madeira da Europa, a  ponte Pieter Smit , com 800 metros de comprimento. Ela cruza águas, uma rodovia e uma zona ecológica e possibilita que pedestres e ciclistas as cruzem e acessem por três locais. A construção foi feita com madeira certificada, iluminada por lâmpadas led de baixo consumo. Além disso, houve a preocupação de plantar árvores para que ela não atrapalhasse a rota dos morcegos locais. Outros pássaros também foram lembrados com caixas (na parte de baixo da ponte) e paredes de areia para ninhos. Fonte   Imagens: Blauwestad Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook   Instagram   Pinterest

John Lautner - um arquiteto que aliou beleza à funcionalidade

Walstrom House Gosto de pesquisar casas com um toque de aconchego e que possam servir de inspiração para futuras residências compartilhadas com amigos , e esta imagem me chamou a atenção no  pinterest . Pensamos em algo no estilo Tiny Houses , mas não descartamos ideias incríveis como as desta casa. Olhando o interior, me apaixonei e fui em busca de mais informações sobre ela e seu autor. Foi assim que descobri John Lautner .   Walstrom House - foto de Jon Buono Esta casa de madeira, batizada de Walstrom House, foi construída em 1969, em Santa Monica, na Califórnia. Seu arquiteto foi  John Lautner , um dos primeiros aprendizes de Frank Lloyd Wright, no primeiro grupo de Taliesin Fellows. Nascido em 1911, e sendo sua mãe, Catheleen Gallagher, desenhista de interiores e talentosa pintora, a teve como influência na sua opção pela arquitetura.  Sua carreira foi marcada por grandes aprendizados. Além do mestre FLW, também manteve parcerias com Samuel Reisbord, Whitney R. Smith e Douglas H

Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida

"Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida." Continuo com o mesmo processo de busca de inspirações para escrever no blog: a intuição, o sentimento. Olho, pesquiso e de repente uma imagem me diz alguma coisa. Foi o caso dessa biblioteca no jardim . A primeira coisa que pensei foi: que coisa maravilhosa, queria uma assim para mim!! Quero saber mais quem fez isso!! E cheguei aos arquitetos do  Mjölk Architekti .  Passeei pelo site deles, olhando as obras, procurando mais informações sobre o seu trabalho, sua maneira de ver o mundo. Arquitetura não é isolada da sociedade. Não existe projetar sem escolhas ou posicionamentos. Cada obra é um reflexo das ideias e maneira dos projetista enxergarem o mundo. E por isso mesmo é tão fascinante. Cada desafio é respondido de maneiras diversas por cada profissional. Exatamente por isso, gostei demais das descrições que eles fazem sobre o ser arquiteto:  "O trabalho do arquiteto não é fácil. Ele contém várias operações

Errar é humano, não resolver é insano

Errei sim. Adoraria dizer que fui perfeita e eficiente a maior parte da minha vida. Mas não seria verdade. Procurei ser, o que me dá um certo crédito.  Mas sempre surgem aqueles momentos em que algo dá errado. Seja no projeto ou na obra.  No projeto, as causas mais frequentes, na minha experiência, são problemas na medição dos espaços e um briefing não muito completo. São etapas fundamentais para o bom andamento de qualquer projeto. Uma das maneiras que procuro agilizar, nas medidas, é buscar o maior número possível de informações sobre o espaço a ser medido. Muitas vezes garimpo fotos de venda e procuro, se não existe planta disponível, fazer uma planta baixa baseada nas fotos. Poucas vezes erro. Mas mesmo assim, ainda me passo nas medidas. São muitos detalhes que devem ser checados, é preciso organização e muitas fotos auxiliando a memória. A entrevista com cliente é outro ponto a ser observado. Muitas vezes quem paga não é o que decide. Observar e entender as dinâmicas das pessoas n