Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

Imagem
Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Iluminação zenital - algumas ideias

Uma das primeiras lições que aprendi na faculdade foi sobre a importância do sol e da correta insolação nas edificações. Mesmo os leigos podem entender com clareza como a luminosidade influencia em nossas emoções e como é importante termos ambientes que não necessitem exclusivamente de iluminação artificial. Mas nem sempre temos condições de assegurar que o sol entre em sua plenitude, por uma série de motivos. Aí podemos lançar mão de um coringa: a iluminação zenital.

Zênite segundo a wikipédia é "também a linha imaginária que parte do observador e sempre aponta para o ponto mais elevado da abóbada celeste". 

Logo, iluminação zenital é aquela que vem de cima. Na época que estudei (e isso foi nas décadas de 70/80) se usava muito o recurso de domos. Lembro que era um dos detalhes prediletos dos alunos de arquitetura. Os terrenos estreitos das cidades justificavam banheiros enclausurados e sem janelas. Os jardins de inverno, com ou sem coberturas, também eram recursos usados com bastante frequência. Hoje acho que se tornam um ponto de insegurança. Ouvi uma história hilária de um casal namorando com um forro retrátil em um motel e quando menos esperavam, apareceu um ladrão atrapalhando o enlevo...
Independente de casos escabrosos, há situações onde a iluminação zenital se torna um trunfo interessante a colocar em um projeto. Terrenos estreitos são obviamente um deles. Tenho abordado aqui vários projetos de casas japonesas onde a iluminação é resolvida pelos recursos zenitais. Podemos ver vários esquemas de como usa-los nas ilustrações acima e abaixo que são usadas conforme a insolação do local, de modo a garantir o melhor resultado em luminosidade.

Uma das maneiras de usar a iluminação zenital tem sido nas ampliações, tanto em residências unifamiliares como em coberturas e sacadas de edifícios. Nesses casos, em geral se coloca uma estrutura metálica ou em madeira com vidro. Há que se atentar para que não haja infiltrações no encaixe com o telhado original. Outro fator a ser cuidado é a temperatura local, cuidando para que não se tornem ambientes muito quentes ou hiper insolarados (nestes últimos casos se pode usar cortinas para filtrar a luz). Outro item a pensar é a questão da manutenção, checando a resistência do material de cobertura e como será feita a limpeza periódica.    

 União entre construções também podem gerar espaços com iluminação zenital.
Recursos mais sofisticados de uso da iluminação zenital podem explorar aspectos simbólicos de elevação e gerar ambientes onde a luz seja um elemento marcante da arquitetura.

 Além das maneiras já conhecidas de uso da iluminação zenital podemos ter soluções criativas, como o uso de garrafas pet, como a que referi na postagem onde falo sobre como usar as garrafas pet para conseguir uma iluminação sustentável em zonas carentes do planeta.

Seja de que maneira for, o importante é deixar o sol entrar com sua luz e energia nos espaços.





Gostou? Compartilhe e nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterestsnapchat: arqsteinleitao



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Calungas, a representação da escala nos desenhos

O Constructo e o Rosto