Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Focando na qualidade do espaço urbano

 A Arquitetura em sua função social de planejar os espaços, sejam individuais e/ou coletivos, trabalha em várias escalas. Do micro ao macro. Do particular ao social. Do luxo às necessidades mais prementes e básicas do seres que habitam este planeta. De dois em dois anos, acontece um encontro dos mais importantes da área, a chamada Bienal de Veneza que aponta rumos do afazer arquitetônico.

Em 2018, com a curadoria das arquitetas irlandesas Yvonne Farrell e Shelley McNamara, do premiado escritório Grafton Architects, o principal tema será a qualidade do espaço urbano. 

Já falamos da importância do planejamento urbano e dos espaços coletivos em as premissas do Urbanismo e da importância de reconquistar os espaços das cidades,


A 16ª Bienal Internacional de Arquitetura (de 26 de maio e 25 de novembro) vai focar a "qualidade do espaço público e privado, do espaço urbano, do território e da paisagem como os principais fins da arquitetura. " Esta pauta vai ao encontro da Nova Agenda Urbana das Nações Unidas. 

Veremos abaixo o que os curadores da Bienal de Veneza de 2018 conceituaram como "Freespace" em suas palavras:
"Freespace comemora a capacidade da arquitetura de encontrar generosidade adicional e inesperada em cada projeto - mesmo dentro das condições mais privadas, defensivas, exclusivas ou comercialmente restritas".
"Freespace oferece a oportunidade de enfatizar os presentes gratuitos da luz - luz solar e luar, ar, gravidade, materiais - recursos naturais e artificiais".
Arsenale 2010. Imagem © Giulio Squillacciotti, cortesia de La Biennale di Venezia
"Freespace pode ser um espaço de oportunidade, um espaço democrático, não programado e gratuito para usos ainda não concebidos. Existe um intercâmbio entre pessoas e edifícios que acontece, mesmo que não seja planejado ou projetado, de modo que os próprios edifícios encontrem formas de compartilhar e envolvendo pessoas ao longo do tempo, muito depois que o arquiteto deixou a cena ".
"A arquitetura tem uma vida ativa e passiva. Freespace abrange a liberdade de imaginar, o espaço livre do tempo e da memória, unindo passado, presente e futuro juntos, construindo sobre camadas culturais herdadas, tecendo o arcaico com o contemporâneo".

Espaços de convívio, onde as pessoas possam compartilhar vivências, usufruir encontros, vivenciar o mundo de maneira digna, prazerosa e generosa. Que a Arquitetura e os arquitetos possam dedicar seus conhecimentos e bagagem profissional e cultural para fomentar mais e mais essa fruição. Que possamos dizer que arquitetamos espaços mais ricos em conteúdo de vida e dignidade.

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