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2015/12/21

Vamos reconquistar as cidades para nós?

Os prédios se tornam verdadeiros suportes literários e,
 diante deles, me reconheço analfabeto.

Luis Henrique Pellanda
A leitura das cidades. Ela me fascina.Não, não falo das leis, planejamentos, códigos e tantos montões de coisas que os urbanistas criaram para tentar resolver e planificar o modo "urbanus" que criamos para nós.

E sim...."o que não tem sossego, nem nunca terá" também se traduz em nossas ruas, bairros, bolsões de misérias e luxos, caldeirões de vida e emoções.

Cidades são feitas de pessoas

E como tal, são totalmente imprevisíveis. Se não fora assim, seriam absolutamente chatas. Morreriam. Tal qual nós, seres humanos, que precisamos de desafios e crescimento.

Como então compreender esse caos urbano e transformá-lo em algo legível, um grande e fascinante romance? Gostaria de saber. Não. Não vou falar de rumos do urbanismo. Vou apenas falar de inquietações de uma arquiteta que mora em uma cidade razoavelmente grande e adoravelmente pequena e quer vê-la cada dia melhor. 

Minha cidade carece planejamento. Urgente. Já perdeu tempo demais. Precisa de um foco e uma visão de futuro. Para isso servem os planos. Para traçar rumos.

Queremos ser o que? Uma cidade onde se consiga andar? Seja de que meio for? Quais os potenciais econômicos? Hoje, daqui a uma vintena de anos....Queremos ter mega arranha-céus? Queremos que tipo de "qualidade de vida"? Queremos o que de nossas ruas?

Minha rua. É passagem. Não costuma ter um trânsito de pessoas circulando depois de algumas horas. Isso propicia insegurança também. Nesse fim de ano, comerciantes de duas lojas se uniram e fizeram um bazar na rua. Simples assim. Bonito assim. Acho que venderam mais. Tinha muita gente circulando. Tinha até show de tango, bem informal. Isso fez um bem para mim. Me senti como se tivesse voltado ao tempo das cadeiras na rua, onde os vizinhos se conheciam e a vida parecia mais calma. Esse sentimento de pertencimento não tem preço.

Vejo várias ruas se unindo e fazendo encontros de vizinhança. Trocas. 

Cidades são feitas de trocas. Não há sentido que virem depósitos de pessoas.

Cidades precisam de verde, de ruas que as preservem como a minha vizinha Gonçalo de Carvalho, a "rua mais bonita do mundo". Muitas pessoas estranham, acham que a beleza é só estética. Não. Ela mereceu ser chamada assim porque seus moradores se preocupam com ela, a defendem, tomam conta. Cuidam. 

Quem sabe se, seguindo esse exemplo, podemos ter várias ruas mais belas do mundo em cada cidade? Elas atraem turistas. Elas também são fonte de renda.

Ah! Economia tem a ver sim com cuidado, carinho e amor. Números não são tão frios afinal. O que vende é o que transmite verdade. Ou por outra, o que continua vendendo é o que é bem feito e trata bem seus clientes.

Com uma cidade não é diferente.

Uma cidade começa pelos seus prédios. Deles não sejamos analfabetos. São nossas casas. 

Uma cidade começa pelas nossas ruas. Nossas calçadas. Elas afetam nossa segurança de ir e vir. Essa semana uma ambulância levou minha mãe para internação. Passamos por tantos buracos que ela chegava a quase ser jogada da maca. Imagina, como disse o enfermeiro junto, o que acontece com pacientes bem graves, que estão em risco de morte? Pode significar o limite. Os buracos da rua.

Soluções? Várias. Não sou uma expert em urbanismo. Não é minha área e não me arriscaria a palpitar tecnicamente sobre elas. Mas não é preciso ser profissional da área para perceber que planejar vai além de meros números. Planejar é perceber vocações antes que elas apareçam. É trabalhar entre o que é urgente e resolver. E o que é desejável e traçar rotas. Mesmo que precisem ser corrigidas.

E trazer as pessoas de volta às ruas. Sem medo. A qualquer hora. Para dançar tango, para transitar, para bater papo, para dar um bom dia a estranhos.

Urge que reconquistemos as cidades para nós.  

Gostou? Tem alguma sugestão? Comenta e conta para a gente a sua opinião.
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Comentários
2 Comentários

2 Opiniões:

Procuro algo que venha atrair minha atenção.dizia um escrito popular no estado do Ceará chamado de Luiz pensador,que desejava ser invadido por qualquer coisa que viesse lhe prender ao prazer de se sentir bem,andar nas ruas,curtir o banco da praça a sombra de árvores frondosas,a satisfação de dar um bom dia ,tem tirado esse prazer. Bom dia meus queridos

Bem assim, esse sentir gostoso que nos faz pertencer ao lugar....Abraços Sebastião, obrigada pelo comentário!
Elenara

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