Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Espaços de Museus - outros olhares

"Não se deixe intimidar com os museus. Eles pertencem a todos "
Quando arquitetos falam de Museus normalmente se deixam levar pelos vícios da profissão e pensam em imagens onde as formas se sobressaem. 


Imagens de uma pesquisa Google basica
E mesmo os espaços internos, se povoados, são normalmente assépticos e fico imaginando quando é possível encontrar espaços tão vazios para admirar obras de arte. Em Museus famosos, quando acontecem, são inesquecíveis como quando vi a Guernica ainda em um pequeno espaço de Madri. Mas a Mona Lisa vi acompanhada de uma multidão...

Refleti sobre isso mais especialmente ao ler o livro de uma amiga. O livro se chama Essências e Geografias de Berenice Sica Lamas. Conheci a Bere em uma oficina de poesias uns anos atrás e lendo agora um mosaico de suas vivências, experiências, viagens e descobertas me senti transportada para um olhar sensível que me mostra o espaço de museus de uma maneira tão bonita. Os espaços e formas conformam sensações e sentimentos que ela nos descreve com tanta simplicidade e complexidade que me encantou. Me lembrei de tantas experiências pessoais e de como convivi com esses espaços em pequena, como eles são fundamentais para nossa trajetória, como resguardam não só a beleza, aquilo que costumeiramente entendemos como Arte, mas são reflexos de épocas, de questionamentos, de enfrentamentos e reflexões. 

Nesses nossos tempos em que o papel da Arte vem sendo tão debatido, sinal inequívoco de sua extrema necessidade como polarizador das tensões e questionamentos de sociedades e pessoas, mais os espaços dos Museus se tornam relevantes como impulsionadores desses encontros pessoais e culturais. Tenho para mim que Arte é como a Arquitetura. Não necessita rótulos. Apenas pede que se debruce sobre as obras e tente entende-las, seus significados, suas intenções, sua existência. Vai muito além do simplório gosto ou não gosto. 

E nesses questionamentos encontrei alguns textos interessantes sobre o papel dos museus nos mundo de hoje. E me detive em quatro. 

Um que fala no papel desses espaços nos idosos e de como podem auxiliar pessoas com perda de memória. Podem ler AQUI.
   "À medida que a sociedade mudou, também tem o trabalho dos museusOs clientes podem ter desafios com memória de curto prazo, mas isso não significa que eles não podem desfrutar e beneficiar - uma tarde em um museu de arte. Aliança Americana de Museus.
O segundo, bastante questionador, e por isso mesmo interessante, questionando sobre o papel dos Museus atualmente e de como transgredir ou desestruturar a a maneira tradicional de ver e viver um Museu. Leia AQUI  
Clayton M. Christensen , autor de "Perturbar a classe: como a inovação disruptiva irá mudar a maneira como o mundo aprende" diz que "inovação disruptiva .... transforma um produto que historicamente era tão caro e complicado que apenas algumas pessoas com muito dinheiro e muita habilidade tiveram acesso a ele. A inovação disruptiva torna muito mais acessível e acessível que uma população muito maior tem acesso a ela ".
Dos momentos mais belos e enriquecedores para mim ao visitar um museu é a presença de crianças. Turmas que vão acompanhadas de professores aprender a interagir com tantas descobertas. E aí o terceiro artigo questiona: Por que precisamos de gerenciamento de sala de aula em museus? E talvez aí a leitura do segundo se faça mais compreensível até a ordem em que os coloquei aqui. 


E por último, e não menos importante: a censura. Vemos com apreensão o pedido de fechamento de exposições, a agressão verbal à visitantes das mesmas, museus famosos fazendo uma auto censura (como o caso do Louvre e da escultura abaixo) e já li até setores do legislativo municipal fazendo uma devassa em bibliotecas para extirpar livros (!). Não que a censura às artes seja uma coisa moderna, longe disso. Podem ver nesse texto sobre um pouco da censura na arte como:    
Ao longo da história da arte, obras foram alteradas, silenciadas e até mesmo apagadas devido ao "conteúdo inaceitável" das peças, sendo por questões religiosas, sociais ou políticas. No entanto, há séculos que os artistas vêm empurrando goela abaixo os limites do "ofensivo" com suas obras. Damaris de Angelo
Escultura que foi retirada do Louvre 
Mas não são justamente os Museus os guardiões da produção de pessoas que com suas visões aguçadas ajudaram a mudar padrões e a fomentaram a reflexão através de seus questionamentos?  
"Isso é algo que não deveria acontecer. Um museu deveria ser um local aberto de comunicação. O papel do museu e da imprensa é explicar o trabalho. A peça em si não é muito explícita. É uma forma abstrata, não há genitais. É bastante inocente."Joep van Lieshout
Não são os museus os locais onde reunimos pedaços de nossa produção como espécie que se pretende civilizada? Uma espécie que vai mais além da mera sobrevivência? Que se emociona com o Belo, que se inquieta com a finitude, que se indigna com tanta coisa, que "aponta a Lua, embora muitos só olhem o dedo" ....

E por que Arquitetos se importam com esse olhar sobre espaços? Porque não projetamos para o vazio. Não fazemos nossas criações para serem admiradas apenas por outros arquitetos. Projetamos para pessoas. E pessoas sentem, vivenciam, tem sensações. E tem visões e pensamentos diferenciados. Que projetemos uma arquitetura mais humana para facilitar essas trocas. 


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