Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Pássaros em luz


Das coisas que vi da Casa Cor SP 2012 uma me chamou a atenção. Foram esses pássaros que estão na entrada do Studio da Pianista da Arq. Denise Barreto. A proposta era de um ambiente masculino, intimista como são os artistas (alguns, talvez a maioria...). Gosto desse encaminhamento meio mágico que te leva ao ambiente maior. Me lembro dois exemplos que me marcaram sobre isso: a entrada da Catedral em Brasilia onde um corredor escuro te leva ao interior cheio de luminosidade, e o antigo lugar onde era exposta Guernica de Picasso, que me proporcionou uma das maiores experiências sensoriais em arte. Adentrar por aquele local escuro, negro, com rascunhos da obra e chegar ao salão todo negro onde ao fundo repousava o quadro iluminado. Sem turistas(!), apenas uma mulher, sentada qual uma india, aquele ambiente era quase sagrado. E saber que eu estava vendo a Guernica em Madrid, significava que a Espanha era enfim uma democracia. Tudo isso me emocionou muito e guardo essa imagem aqui dentro de mim como um dos momentos mais bonitos de minha vida.



E por isso gosto dessas entradas, qual fossem uma antevisão da descoberta. Esse jardim com seixos e os pássaros feitos em madeira sustentável, iluminados me dão uma sensação meia mágica, me tiram do tempo presente, me fazem sonhar. 


Confesso que não gosto muito daquela iluminação no forro, achei meio over para o ambiente. De resto ele tem preocupações estéticas e acústicas bem interessantes, uso de materiais sustentáveis e que focam a economia energética.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós