O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Upcycle House - novo projeto sobre as ruínas da antiga casa

Vocês não tem aqueles dias em que dá vontade de fazer tudo de novo? Eu tenho - e na verdade estou no meio de um deles. Mas a gente para e pensa que também não dá para jogar fora o que se acumulou de experiências e vida, não é verdade? E se desse para fazer tudo de novo, aproveitando o que já se tem? Bacana, não é mesmo? Pois foi o que esse estúdio australiano fez. Usou os materiais e elementos de uma antiga casa para um novo projeto que batizou de
Eco-xperiment, ou como eles mesmos definem em seu site: 
Um lugar para praticar algumas abordagens experimentais para arquitetura sustentável.
O arquiteto Alexander Symes aproveitou os materiais do antigo prédio existente no terreno para dar uma nova roupagem e construir uma nova proposta. Já mostrei AQUI um exemplo semelhante de projeto feito no Paraguai. Chamamos isso de upcycle.
A diferença do upcycle para a reciclagem é que essa última usa energia para transformar algo velho em novo, enquanto o primeiro usa resíduos em fim da vida naquela função, agregando novos usos e valor. (fonte) 
Um ponto interessante é que o próprio conceito do projeto resgata a ideia de uma ruína reconstruída e nisso se difere do simples reaproveitamento de materiais usados. Segundo a fonte estudada, a filosofia de projeto para esta casa familiar de três quartos foi: "se não está quebrada, não repare e se está quebrada, conserte"

Apesar do aparente caos da forma, a casa tem preocupações com a sustentabilidade e com o correto aproveitamento da orientação solar para ajudar na economia de energia. 

O interior segue um padrão quase minimalista, em tons claros e com o uso de cores em mosaicos reciclados que quebram o branco das paredes.


Fotos: Barton Taylor

Fonte

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