Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

Imagem
Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Como móveis podem ajudar pacientes com câncer (será ?)

A chamada do artigo me fez parar e ler: puxa, que interessante proposta pensei comigo mesma. Quem já passou por hospitais sabe da necessidade de ambientes menos assépticos formalmente e mais ambientes com luz e calor que transmitam aconchego.

Projetar uma ala para pacientes com câncer, em Londres, me parecia um belo mote para um designer se debruçar e trabalhar com motivações, funcionalidade e saúde. Foi o que a designer alemã Gitta Gschwendtner pesquisou durante três anos com pacientes e equipes de saúde para criar um mobiliário que fosse atraente, propiciasse privacidade, mas também a aproximação de pessoas.

Um de seus conceitos foi criar um mobiliário que fosse estimulante. Será que conseguiu?

Leia também: Móveis em hospitais 
 A ideia da recepção em madeira como uma mesa que abrigue atendentes e paciente me parece simpática. Estar no mesmo nível e em contato com que trabalha, cuida, decide, é um fator que realmente traz mais conforto aos pacientes e familiares (e sei disso, porque já estive em várias internações para meus pais e, em situações de emergência, são bastante estressantes). 


As mesas que possibilitam reuniões e contatos entre familiares e profissionais também é uma ideia bacana. As linhas puras demais talvez para meu lado latino, atendam à uma estética germânica e/ou inglesa. Não vou entrar no mérito porque cada local deve ter seu estudo de simbolismos que vai resultar em um proposta formal. 
O uso de cores que setorizam as alas parece ser usado em vários hospitais. Já estive em alguns onde os andares eram marcados por cores diferenciadas. Há dois lados a analisar: um funcional: Marcar as áreas de recepção e procedimentos com cores marcantes como foi o caso do mobiliário dessa proposta, ajuda na localização. Por outro lado me desperta a curiosidade de como um paciente se sente nesses "bretes" com grades coloridas. Será que realmente a intenção de aconchego e proteção é conseguida? Ou pelo contrário, exacerba um desamparo com um mobiliário que não aparenta acolher como um colo? 

Arquitetura que cura

Confesso a vocês que esse projeto me traz um desconforto. Me passa uma certa frieza, uma coisa de falta de vida que um ambiente de saúde que pretenda motivar uma pessoa doente deveria ter. O que acham?

Leia também sobre um outro projeto, também na Inglaterra, onde a Arquitetura que ajuda no processo de terapia do câncer e que me parece mais 
humano.

(Via) 


Nos siga também nas redes sociais


snapchat: arqsteinleitao 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura