Pular para o conteúdo principal

Arquitetura orgânica - botânica construtiva

Nesses nossos tempos de agora o que conta é o imediatismo. Sabem aquela descrição dos arianos (os de signo): quero e quero já? Pois é. Queremos tudo JÀ!

Não sabemos mais viver sem novidades, sem a maratona de séries, sem a ansiedade do que vem depois. E na Arquitetura? 

Imaginem uma construção que levará uns 50/60 anos para ficar pronta como foi imaginada pelo seu projetista. Parece coisa de catedral gótica que levava séculos para ser terminada. Quando eram... (vejam a Sagrada Família de Barcelona...)
Estou falando do que costumamos chamar de Arquitetura Viva. Uma das maneiras de fazer essas construções é usando elementos vivos que são moldados em formas planejadas durantes o seu crescimento. Um exemplo é a proposta deste workshop MIAW2 do Politecnico de Milão. Um lindo recanto florido que trabalha com a natureza e a paciência. Um obra que talvez muitos não vejam pronta, mas que ficará na lembrança como uma construção para o futuro.

Treinar a paciência me lembra um livro que li faz muitos anos: A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen. Faz parte do processo de se tornar um mestre entender que o caminho é talvez mais importante que a chegada. E assim a pressa é quase sempre inimiga da perfeição.

 A técnica Zen desafia a lógica ocidental que se prende ao pensamento lógico científico, aqui o que importa é o caminho até algo e não alcançar algo. O que nos muda é o caminho. Imagine uma lenda de uma água mágica e sagrada no alto de uma montanha muito alta e quase impossível de se escalar, aquele que se dispõe a fazer o trajeto da montanha, ao alcançar o topo já será outro e não o mesmo que começou a jornada, ai já não importa se a água é sagrada e tem poderes mágicos ou se vai te dar xistose (Fonte)
Assim também as pessoas que praticam essa experiência de "jardinagem arquitetônica paciente" sairão diferentes. E essa diferença em cada um pode ser o diferencial que compense não ver a obra pronta.

Há vários exemplos desse tipo de experiências. Desde triciclos que são feitos com o crescimento do bambu até propostas de casas vivas onde falei sobre as vantagens e desvantagens desse tipo de solução. 

Abaixo outros exemplos:


Fonte


Estrutura chamada Botany Building desenvolvida por Oliver Storz, Ferdinand Ludwig e Hannes Schwertfeger

Catedral Vegetal no Norte da Itália -  Projeto de Guiliano Mauri



The Auerworld Palace na Alemanha, projeto de Marcel Karberer e Sanfte Strukturen

Catedral Verde - Marinus Boezem

O tempo. Cada vez mais somos oprimidos pela necessidade de fazermos mais e mais rápido. Aquela historinha que me contavam quando pequena que no futuro teríamos tempo para o lazer parece que ficou no conto de fadas. Hoje trabalhamos em casa, estamos sempre conectados aos clientes, aos fornecedores, aos patrões. Nosso lazer é uma obrigação. Ser feliz é uma obrigação. E todos lá no fundo sabemos que nada sólido se constrói rapidamente. Por isso a lição da arquitetura orgânica me encanta.

Fontes das fotos : 
Dornob
Gizmodo
Andersberenssonarchitects

Gostou? Tem alguma sugestão? 


Comenta e conta para a gente a sua opinião. 
Nos siga também nas redes sociais

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Maior ponte sustentável em madeira conecta pessoas na Holanda

A  província de Groningen, na Holanda é conhecida por ser a capital ocidental do ciclismo . Para unir as localidades de  Winschoten e Blauwestad foi construída a maior ponte sustentável em madeira da Europa, a  ponte Pieter Smit , com 800 metros de comprimento. Ela cruza águas, uma rodovia e uma zona ecológica e possibilita que pedestres e ciclistas as cruzem e acessem por três locais. A construção foi feita com madeira certificada, iluminada por lâmpadas led de baixo consumo. Além disso, houve a preocupação de plantar árvores para que ela não atrapalhasse a rota dos morcegos locais. Outros pássaros também foram lembrados com caixas (na parte de baixo da ponte) e paredes de areia para ninhos. Fonte   Imagens: Blauwestad Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook   Instagram   Pinterest

John Lautner - um arquiteto que aliou beleza à funcionalidade

Walstrom House Gosto de pesquisar casas com um toque de aconchego e que possam servir de inspiração para futuras residências compartilhadas com amigos , e esta imagem me chamou a atenção no  pinterest . Pensamos em algo no estilo Tiny Houses , mas não descartamos ideias incríveis como as desta casa. Olhando o interior, me apaixonei e fui em busca de mais informações sobre ela e seu autor. Foi assim que descobri John Lautner .   Walstrom House - foto de Jon Buono Esta casa de madeira, batizada de Walstrom House, foi construída em 1969, em Santa Monica, na Califórnia. Seu arquiteto foi  John Lautner , um dos primeiros aprendizes de Frank Lloyd Wright, no primeiro grupo de Taliesin Fellows. Nascido em 1911, e sendo sua mãe, Catheleen Gallagher, desenhista de interiores e talentosa pintora, a teve como influência na sua opção pela arquitetura.  Sua carreira foi marcada por grandes aprendizados. Além do mestre FLW, também manteve parcerias com Samuel Reisbord, Whitney R. Smith e Douglas H

Bairro flutuante e sustentável na Holanda

Que tal morar em um bairro sustentável e sobre as águas? Já existe em Amsterdã, na Holanda, um bairro assim, criado pelos seus habitantes. Seu nome é  Schoonschip - o termo holandês para “navio limpo”. Um projeto ainda pequeno, 46 casas autossuficientes em 30 arcas flutuantes.  As residências são aquecidas por painéis solares e bombas de calor, possuem telhado verde e logo as águas residuais dos banheiros será aproveitada em energia. O escritório  Space & Matter  foi contratado para desenvolver o plano urbano para o bairro sobre as águas.  Desenvolveram um projeto comunitário de comunidade inteligente circular que resultou nas 30 arcas que ligam as casas ao bairro com todas as infraestruturas técnicas necessárias para o funcionamento da comunidade.  Os moradores fizeram as casas com os arquitetos de suas preferências.  Além do planejamento urbano, Schoonschip é também sustentável no aspecto social: seus moradores atuam em comunidade para melhorar e coordenar seu bairro. Compartilh

Errar é humano, não resolver é insano

Errei sim. Adoraria dizer que fui perfeita e eficiente a maior parte da minha vida. Mas não seria verdade. Procurei ser, o que me dá um certo crédito.  Mas sempre surgem aqueles momentos em que algo dá errado. Seja no projeto ou na obra.  No projeto, as causas mais frequentes, na minha experiência, são problemas na medição dos espaços e um briefing não muito completo. São etapas fundamentais para o bom andamento de qualquer projeto. Uma das maneiras que procuro agilizar, nas medidas, é buscar o maior número possível de informações sobre o espaço a ser medido. Muitas vezes garimpo fotos de venda e procuro, se não existe planta disponível, fazer uma planta baixa baseada nas fotos. Poucas vezes erro. Mas mesmo assim, ainda me passo nas medidas. São muitos detalhes que devem ser checados, é preciso organização e muitas fotos auxiliando a memória. A entrevista com cliente é outro ponto a ser observado. Muitas vezes quem paga não é o que decide. Observar e entender as dinâmicas das pessoas n