A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Supermercado do futuro - informação e encontro

Estou aqui, esperando uma telentrega do super que, creio, não vai chegar hoje. Some isso à frustração do telefone do estabelecimento não atender depois dias 18:30 e vão perceber como uma reportagem sobre os supermercados do futuro me chamou a atenção.

Como seriam? É o que pretende descobrir (e propor) o projeto de Carlo Ratti Associati chamado de "Future Distrito Food". Na verdade um grande espaço experimental na Expo de Milão

Supermercado do futuro


Informação. Como fazer com que as pessoas saibam mais sobre o que estão consumindo e assim fazer um ato mais consciente. E ao mesmo tempo promover um encontro social, como se o supermercado fosse mais parecido com os antigos mercados, pontos de encontro das pessoas. 

Tem sua lógica. O consumo passou a ser um lazer, as pessoas curtem comprar. As vezes o que nem é tão importante na imensa oferta de opções e com embalagens e apelos cada vez mais atraentes. Mesmo os naturebas e adeptos de vida saudável são cooptados. Como saber se aquilo que se compra é exatamente aquilo que queremos? Ou que precisamos?

Qual foi então a ideia? Não usar muita tecnologia que acabe afastando as pessoas, mas ao contrário simplificar o processo. Usaram para isso a mesma tecnologia do reconhecimento de gestos. As pessoas se aproximam de um produto, apontam para ele e a informação sobre ele é mostrada em telas digitais interativas.  
Supermercado do futuro
Visibilidade: Outras escolhas de projeto foram a colocação dos produtos de tal maneira que não atrapalhe a interação entre as pessoas. 

Em última análise, os produtos são uma maneira de contar histórias, e mostrar algo sobre o que querem consumir e quais são nossos valores. Assim, as histórias por trás de produtos podem nos ajudar a socializar.
Supermercado do futuro

Romântico? Talvez. Mas como tudo o que favorece a comunicação e interação das pessoas acaba por triunfar, quem disse que nossos mercados não voltarão a ser mais que templos de consumo, para se tornarem locais de troca mais humanas.
Supermercado do futuro

Supermercado do futuro


Li essa matéria AQUI. E com essa leitura até acabei não me estressando tanto. E não, o meu rancho não veio. Voltei abruptamente ao presente.

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