Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Cloud Housing - compartilhando a casa de forma sustentável

Há muitas utopias humanas. Talvez uma das maiores hoje em dia seja conviver em harmonia e de forma solidária. Parecem ideias da década de 60, mas na verdade existem propostas concretas de compartilhamento de residências desde a década de 80 nos EUA, para onde migraram via Dinamarca. São os conceitos de Co-Housing.  


"O denominador comum desses grupos, que não pertencem a nenhum grupo religioso ou ideológico, é que são 100% geridas pelos residentes por meio de CONSENSO”

Quem já participou de uma reunião de condomínio vai entender o quão revolucionária é esse conceito. Exige um crescimento e um entendimento fantástico de cada morador em prol do bem comum. Mas o viver em comunidade ( e as cidades o são) não exige de nós uma postura muito mais colaborativa do que estamos acostumados? Isso não resulta em uma qualidade de vida saudável, ecologicamente mais correta e muito mais econômica?   

Com as imensas transformações que a conectividade nos traz aliadas às profundas mudanças econômicas que o mundo tem passado, o conceito de compartilhamento (MESH) tem se imposto. Não mais como uma utopia de grupos visionários, ou um imperativo de economias socialistas, mas como uma saída muito viável para impulsionar economias e mudar hábitos extremamente consumistas e cheios de desperdícios. 


Cloud Housing


Compartilhar carros, softwares, objetos e casas. Casas sim. Seria o que hoje é chamado de Cloud Housing. 


"Imagine que você poderia mudar de casa sempre que houver uma mudança em sua vida sem ter que esperar pela conclusão do contrato de 12 meses, sem ter que enfrentar pagamentos de obrigações e garantias exorbitantes e com a garantia de que as novas habitações estão em perfeito estado e da tecnologia e conforto para a uso? "Thorner Valentina da Cruz



Na Espanha existe um exemplo prático de Cloud Housing, o Vida+Fácil.


"Tenemos las mismas necesidades de espacio en casa durante todas las etapas de nuestra vida? Tiene sentido tener todos los servicios de una vivienda individualizados cuando los usamos menos del 5% de su vida útil? Sabes cuantos metros cuadrados están en desuso que podrían aprovecharse? Somos conscientes de la repercusión medioambiental que tiene la construcción de edificios en las ciudades?"…arquitecto Albert Camps especializado en bioarquitectura

Conceito

Basicamente são habitações com áreas e serviços comuns alugadas a usuários.  

Bacana! Mas e no que isso é tão diferente dos outros aluguéis? Em primeiro lugar a organização baseada em três conceitos: 
Os espaços de residência atendem às necessidades das pessoas durante toda a sua vida
Os espaços comuns são de dois tipos: um para os residentes que o mantém com cuidados e manutenção colaborativa. Outro para a comunidade e mesmo pessoas de outros locais ou países. 
A Infraestrutura - serviços de energia (em geral baseada em sistemas mais sustentáveis), reciclagem, etc.

As pessoas pagam de acordo com o uso do espaço. Se a família cresceu ou diminuiu, pode-se mudar para novas áreas sem burocracia. Se as pessoas ficam desempregadas podem pagar com o seu trabalho. 'O principal objetivo é obter o máximo proveito do espaço e dos recursos disponíveis."

A grande diferença ao meu ver é que se proporciona uma verdadeira comunidade com responsabilidades e convívio mais estreito. As pessoas deixam de ser inquilinos ou proprietários e passam a ser usuários de um sistema que necessita da colaboração de todos para se manter funcionando. Como eles mesmo definem um modelo de desenvolvimento social.


Eu sempre fiquei imaginando que nos nossos prédios podíamos fazer muita coisa em comum. Vender o lixo seco reciclável e verter o lucro para material de limpeza de uso comum. Fazer uma central de compras em super mercados e mercados hortifrutigranjeiros conseguindo melhores preços. Enfim, atuar de forma cooperativa. Senão pela solidariedade, porque resulta em benefícios e é um jeito muito mais inteligente de viver.  

Saiba mais sobre o Cloud Housing aqui


Dica da Sam Shiraishi (fonte original)

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