Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Cloud Housing - compartilhando a casa de forma sustentável

Há muitas utopias humanas. Talvez uma das maiores hoje em dia seja conviver em harmonia e de forma solidária. Parecem ideias da década de 60, mas na verdade existem propostas concretas de compartilhamento de residências desde a década de 80 nos EUA, para onde migraram via Dinamarca. São os conceitos de Co-Housing.  


"O denominador comum desses grupos, que não pertencem a nenhum grupo religioso ou ideológico, é que são 100% geridas pelos residentes por meio de CONSENSO”

Quem já participou de uma reunião de condomínio vai entender o quão revolucionária é esse conceito. Exige um crescimento e um entendimento fantástico de cada morador em prol do bem comum. Mas o viver em comunidade ( e as cidades o são) não exige de nós uma postura muito mais colaborativa do que estamos acostumados? Isso não resulta em uma qualidade de vida saudável, ecologicamente mais correta e muito mais econômica?   

Com as imensas transformações que a conectividade nos traz aliadas às profundas mudanças econômicas que o mundo tem passado, o conceito de compartilhamento (MESH) tem se imposto. Não mais como uma utopia de grupos visionários, ou um imperativo de economias socialistas, mas como uma saída muito viável para impulsionar economias e mudar hábitos extremamente consumistas e cheios de desperdícios. 


Cloud Housing


Compartilhar carros, softwares, objetos e casas. Casas sim. Seria o que hoje é chamado de Cloud Housing


"Imagine que você poderia mudar de casa sempre que houver uma mudança em sua vida sem ter que esperar pela conclusão do contrato de 12 meses, sem ter que enfrentar pagamentos de obrigações e garantias exorbitantes e com a garantia de que as novas habitações estão em perfeito estado e da tecnologia e conforto para a uso? "Thorner Valentina da Cruz



Na Espanha existe um exemplo prático de Cloud Housing, o Vida+Fácil.


"Tenemos las mismas necesidades de espacio en casa durante todas las etapas de nuestra vida? Tiene sentido tener todos los servicios de una vivienda individualizados cuando los usamos menos del 5% de su vida útil? Sabes cuantos metros cuadrados están en desuso que podrían aprovecharse? Somos conscientes de la repercusión medioambiental que tiene la construcción de edificios en las ciudades?"…arquitecto Albert Camps especializado en bioarquitectura

Conceito

Basicamente são habitações com áreas e serviços comuns alugadas a usuários.  

Bacana! Mas e no que isso é tão diferente dos outros aluguéis? Em primeiro lugar a organização baseada em três conceitos: 
Os espaços de residência atendem às necessidades das pessoas durante toda a sua vida
Os espaços comuns são de dois tipos: um para os residentes que o mantém com cuidados e manutenção colaborativa. Outro para a comunidade e mesmo pessoas de outros locais ou países. 
A Infraestrutura - serviços de energia (em geral baseada em sistemas mais sustentáveis), reciclagem, etc.

As pessoas pagam de acordo com o uso do espaço. Se a família cresceu ou diminuiu, pode-se mudar para novas áreas sem burocracia. Se as pessoas ficam desempregadas podem pagar com o seu trabalho. 'O principal objetivo é obter o máximo proveito do espaço e dos recursos disponíveis."

A grande diferença ao meu ver é que se proporciona uma verdadeira comunidade com responsabilidades e convívio mais estreito. As pessoas deixam de ser inquilinos ou proprietários e passam a ser usuários de um sistema que necessita da colaboração de todos para se manter funcionando. Como eles mesmo definem um modelo de desenvolvimento social.


Eu sempre fiquei imaginando que nos nossos prédios podíamos fazer muita coisa em comum. Vender o lixo seco reciclável e verter o lucro para material de limpeza de uso comum. Fazer uma central de compras em super mercados e mercados hortifrutigranjeiros conseguindo melhores preços. Enfim, atuar de forma cooperativa. Senão pela solidariedade, porque resulta em benefícios e é um jeito muito mais inteligente de viver.  

Saiba mais sobre o Cloud Housing aqui


Dica da Sam Shiraishi (fonte original)

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