Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Procuram-se arquitetos que ouçam mais

Nessa semana comemoramos no Brasil o dia do Arquiteto e Urbanista (15 de dezembro). 

Vivemos um interessante paradoxo. É uma profissão admirada por uma maioria de pessoas que buscam avidamente informações para incrementar suas casas e espaços de convívio. Mas, ao mesmo tempo, é um campo pouco debatido criticamente e seus profissionais, com honrosas exceções, se queixam de muito sacrifício e pouco reconhecimento. 
 


Lendo um artigo de como reconstruir a Arquitetura me deparo com um questionamento super válido, inclusive aqui:

"Até que ponto o potencial da arquitetura para melhorar a vida humana está se perdendo pela sua incapacidade de se conectar com os seres humanos reais?"

Muitas obras consideradas fantásticas pelos arquitetos, são vistas com estranheza por muitos leigos. E isso não é exceção. Grandes mestres concebem obras fabulosas para uma parcela muito pequena que pode arcar com os custos. Mas e a outra parcela? Estaremos sendo eficientes em responder aos desafios de um mundo carente de soluções, sejam urbanas, sejam em edifícios? Questões como mobilidade, eficiência energética, sustentabilidade, beleza x custos?


Interessante observar as inquietações que várias vezes dividi com colegas sobre essa questão, estar espelhada nesse artigo, mostrando que sim, são debates que são internacionais e mostram um perfil de profissional arquiteto que se espelha em grandes obras, se julga artista e acaba se esquecendo um dos princípios básicos da Arquitetura: aprender a ouvir. O olhar sensível e o ouvido atento fazem com que, antes de pensar em soluções bombásticas, nos debrucemos sobre os problemas que o cliente apresenta. E saibamos dar respostas adequadas à ele e ao meio ambiente onde a obra se localiza. 

Eles apontam, no artigo, que frente às tragédias que por vezes assolam o mundo, os arquitetos nem sempre estão preparados para as respostas mais adequadas. E pior, estão reproduzindo mundo afora, erros que tornaram nossas cidades lugares cada vez mais inóspitos e ineficientes. 



Isso reforça minha linha de procurar mostrar aqui soluções arquitetônicas que sejam sim criativas, mas que revelem um olhar também criativo e generoso sobre o cliente e suas necessidades. Soluções que busquem respostas no ambiente, que adéquem soluções para àquelas necessidades. Arquitetura que seja mais que uma escultura que satisfaça ao ego de uns e outros, mas "que sejam uma maneira de repensar a forma como respondemos às necessidades dos diversos públicos, projetando para eles e para os seus interesses, não para o nosso".  

Artigo original  

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