O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Arquiteto - artista e/ou técnico ?

Imagem de Elenara Stein Leitão feita no Polyvore


"O arquiteto é essencialmente eclético, por isso, se encaixa nas três atividades (artista, profissional liberal, empresário) e em mais outras tantas. Nosso trabalho é criar instrumentos de cidadania, construir nosso estar-no-mundo. Ao procurarmos dar forma à encomenda, somos interpretadores das necessidades do homem: na família, nas instituições, na cidade, no País. O arquiteto tem de saber interpretar todos os sinais e as dimensões de cada situação. Sintonizado com as tecnologias e estimulando o avanço delas. Tem de ter a capacidade de participar da produção como um agente crítico, propondo soluções e  encontrando caminhos mais completos, mais abrangentes. Afinal, arquitetura é o espaço-síntese de toda a cultura." Gustavo Penna
Pois é, uma discussão e tanto. E uma excelente reflexão que corre em uma lista de arquitetura que participo. Afinal Arquiteto é artista, é técnico, é ambas as coisas ? Até que ponto o do cliente é relevante, ou mais preponderante que o sonho do Arquiteto ou a sua visão do que aquela obra poderá reverter para o mundo ou sociedade em questão. Se formos pensar na Arquitetura como contribuição cultural é meio obvio que ela se aproxima das Artes, das grandes obras que marcaram época, que mais que construções foram - e são - beleza, instigação, descoberta, mensagem. 

Mas e na vida comum ? Na sua casa, no seu apartamento, na sua vida ? Você procura em mim, em nós, uma reflexão sobre o momento da sociedade, sobre o seu momento...ou procura uma resposta técnica sobre um problema técnico ? Você procura um arquiteto autoral, com conteúdo, é obvio. Ou procura um profissional que lhe dê assessoria na construção ? Ou os dois ?

Você pagaria para alguém realizar o sonho dele sobre a sua (dele) concepção para o seu problema ?  Ou gostaria de fazer isso em conjunto ? Falando assim parece meio obvio, mas vou fazer uma analogia bem singela com um exemplo bem prosaico que me aconteceu. Eu ia sempre no mesmo cabeleireiro, e pedia o mesmo e ele fazia. E eu descontente porque ficava sempre com a mesma cara...já ia mudar de profissional quando um dia pedi algo novo. Ele me olhou sério e disse: então tem que se entregar. E foi o que fiz. Morrendo de medo. Mas fiz. E deixei que a veia artística dele fluísse. E o resultado foi o que eu queria há muito tempo: mudança e das boas. E esse "tem que se entregar" me acompanha hoje em muitas situações. Seria muito diferente para um cliente ? Estaria ele disposta a se entregar para obter o que nem ele mesmo sabe direito o que será, mas será algo novo, algo que o faça sonhar ?

Deixo com você que me lê essa indagação. Gostaria de saber como você pensa a respeito

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