Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Quando o ciúme se encontra com a Arquitetura - Gelosias

Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum. (Roland Barthes)
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Espaços permeáveis, separações de funções por elementos vazados de diferentes texturas e materiais. As chamadas gelosias. Em tempos de antanho serviam para proteger as senhoras e senhoritas do olhar dos homens que não eram da família. 

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No Brasil sempre soube que tinham origem na cultura árabe, onde os famosos muxarabis, as janelas com treliças fechadas de madeira, escondiam as belezas femininas e afastavam as mulheres da tentação da traição (isso devia ser o pensamento dos homens ciumentos da época).

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O nome acabou por denominar também aquele sentimento danado, o ciúme: “gelosia”, em italiano, “jalousie” em francês e “jealousy” em inglês, entre outras.

"Tanta gente canta, Tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira monstruosa
A sombra do ciúme."
(Caetano Veloso )
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Gelosia : Grade de ripas de madeira cruzadas. O mesmo que rótula, quando veda vão de janela. (fonte)

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Das antigas treliças das famosas gaiolas árabes herdamos variadas adaptações que, sem ter a mesma função de resguardar sentimentos de posse e resguardo sobre pessoas, continuam a ter a função de proteção. Há quem faça a relação entre as antigas gelosias e o moderno uso de grades em nossas casas modernas. 

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 Mas nem só desse tipo de proteção vivem as modernas gelosias...Quais funções ainda mantém em nossos dias? 

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A permeabilidade de luz e entrada de ar, uma integração entre espaços internos e externos e uma integração visual com o exterior.

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Muitas vezes são usadas também como elementos de separação de funções, como o mostrado na primeira figura, em que pedaços de canos de PVC formam uma divisória em um banheiro. 

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São elementos muito interessantes para enriquecer fachadas, ajudando a criar micro climas mais agradáveis, já que servem como proteção ao sol.
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Os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões e fazem com que as suspeitas pareçam verdades. (Miguel de Cervantes)

Interessante como a a Arquitetura espelha a vida e a cultura dos povos e como os sentimentos gerados nos deixem heranças construídas que transformem paixões e medos em poesias e belos espaços. É fascinante e talvez seja um dos traços que a tornem uma profissão tão admirada por tantos. 

Fontes - http://alexcastro.com.br e http://au.pini.com.br/

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