Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

A vida é tão rara

Estava em um almoço cultural sobre poesia medieval Andaluza quando soube do acidente que matou o político e candidato à presidência da república Eduardo Campos. Confesso a vocês que fiquei muito chocada, como vejo que grande parte da pessoas conhecidas ficaram. Não vou me deter no candidato nem no político. Vou falar da vida e como ela é rara.

Esse ano de 2014 tem sido muito pesado em perdas. Perdas pessoais. Perdas de personalidades. Perdas de pessoas que são gente como a gente. E naquele momento, em que estava quase me deixando levar pela poesia de uma cultura, me veio muito mais forte a certeza de como a vida é breve e de como tem que ser vivida em seus momentos, em sua busca pela singularidade, em sua aposta em nossos sonhos e certezas. Longa ou breve, a vida humana sempre será um minuto na história da humanidade. Por mais famosos que sejam os mortos, sempre há uma pessoa que a ama, uma família que sofre, um sonho que se interrompe.
Profª Me. Estefanía Bernabé Sánchez
Sempre que faço uma atividade bacana eu compartilho no blog, falo do que vi, do que comi, do que senti. Já estava preparada para falar da delicadeza dos temperos, da suavidade do vinho, da cadência da poesia. Ia falar da arquitetura que resultou dessa cultura.
Entrada
Sopa de alho, amêndoas e aipo
Mas tudo o que eu pudesse falar nesse momento soaria estranho. Não, não estou endeusando alguém que se foi. Era um homem. Me parecia ser uma pessoa bacana, inteligente, gostei da entrevista que vi ontem na TV. Me passou a sensação que poderia crescer nas pesquisas. Se esse acidente vai influenciar nos destinos da nação, só o tempo dirá.
Prato principal
Peixe branco com pesto de pimentão e azeitona acompanhado de arroz negro
Que hoje influenciou na minha vida sim. Consolidou a sensação que sentia ali, de que os sentidos da vida são justamente explorar as sensações que nos fazem vivos.

Sobremesa
Torta de laranja
Vida, tempo, permanência, finitude. Essas dúvidas e emoções são base e semente de tentativas de perenidade. Seja em livros, em ideias, em monumentos e palácios. Fazemos coisas para ficaram para sempre, ou quase. E fazemos coisas que são para nós. Momentos intensos que vivemos, poesia que fazemos para nossa alma. 

Medina Azahara
Coisas que nem as palavras explicam. Não, não vou falar de política, não vou falar de teorias do que aconteceu. Na verdade o que sinto de perda nesse 2014 não se traduz em palavras. Só posso dizer: a vida é rara. Cabe a nós levá-la às portas de nosso paraíso. Seja lá qual ele for
Fotos dos pratos e menu - Elenara Stein Leitão
Fotos de textos - Pinterest

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