O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

A vida é tão rara

Estava em um almoço cultural sobre poesia medieval Andaluza quando soube do acidente que matou o político e candidato à presidência da república Eduardo Campos. Confesso a vocês que fiquei muito chocada, como vejo que grande parte da pessoas conhecidas ficaram. Não vou me deter no candidato nem no político. Vou falar da vida e como ela é rara.

Esse ano de 2014 tem sido muito pesado em perdas. Perdas pessoais. Perdas de personalidades. Perdas de pessoas que são gente como a gente. E naquele momento, em que estava quase me deixando levar pela poesia de uma cultura, me veio muito mais forte a certeza de como a vida é breve e de como tem que ser vivida em seus momentos, em sua busca pela singularidade, em sua aposta em nossos sonhos e certezas. Longa ou breve, a vida humana sempre será um minuto na história da humanidade. Por mais famosos que sejam os mortos, sempre há uma pessoa que a ama, uma família que sofre, um sonho que se interrompe.
Profª Me. Estefanía Bernabé Sánchez
Sempre que faço uma atividade bacana eu compartilho no blog, falo do que vi, do que comi, do que senti. Já estava preparada para falar da delicadeza dos temperos, da suavidade do vinho, da cadência da poesia. Ia falar da arquitetura que resultou dessa cultura.
Entrada
Sopa de alho, amêndoas e aipo
Mas tudo o que eu pudesse falar nesse momento soaria estranho. Não, não estou endeusando alguém que se foi. Era um homem. Me parecia ser uma pessoa bacana, inteligente, gostei da entrevista que vi ontem na TV. Me passou a sensação que poderia crescer nas pesquisas. Se esse acidente vai influenciar nos destinos da nação, só o tempo dirá.
Prato principal
Peixe branco com pesto de pimentão e azeitona acompanhado de arroz negro
Que hoje influenciou na minha vida sim. Consolidou a sensação que sentia ali, de que os sentidos da vida são justamente explorar as sensações que nos fazem vivos.

Sobremesa
Torta de laranja
Vida, tempo, permanência, finitude. Essas dúvidas e emoções são base e semente de tentativas de perenidade. Seja em livros, em ideias, em monumentos e palácios. Fazemos coisas para ficaram para sempre, ou quase. E fazemos coisas que são para nós. Momentos intensos que vivemos, poesia que fazemos para nossa alma. 

Medina Azahara
Coisas que nem as palavras explicam. Não, não vou falar de política, não vou falar de teorias do que aconteceu. Na verdade o que sinto de perda nesse 2014 não se traduz em palavras. Só posso dizer: a vida é rara. Cabe a nós levá-la às portas de nosso paraíso. Seja lá qual ele for
Fotos dos pratos e menu - Elenara Stein Leitão
Fotos de textos - Pinterest

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