Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Maria Antonieta e o seu banquete


Sexta a noite foi dia de estrear nos banquetes Clio.  Maria Antonieta era o mote. Sua história fascinante e trágica foi relatada por
 Renata Fratton. Para quem não conhece o Studio Clio, ele fica em uma casa de esquina, no tradicional bairro Cidade Baixa de Porto Alegre. Um ambiente muito simpático com um pequeno local para palestras e eventos. 

"Uma mulher do século XVIII, que amava a vida, a diversão, a distração, e que sempre amou a beleza e a juventude”, assim Edmond de Goncourt descreveu Maria Antonieta. A décima quinta filha de Maria Teresa da Áustria tornou-se a mais polêmica das rainhas da França e entrou para a história como Rainha da Moda. A vida marcada por regras de etiqueta, seu amor pelos bailes e pelas artes assim como seus caprichos e frivolidades - que marcaram o vestir de Versailles antes da revolução" 

Frívola ?  Uma adolescente sem noção ? Um menina que teve que sobreviver e vencer baseada na beleza e na pompa ? Uma mulher no meio do turbilhão da história ? Uma aristocrata tentando salvaguardar seu status e meio de vida? Talvez um pouco de tudo isso. Ficamos sabendo de como ela teve que ser produzida em beleza para ser aceita como futura delfina. E essa produção passou por operações dolorosas, um pouco como nos dias de hoje, em que se fazem loucuras também pela aparência. Que naquela época, como agora continua sendo poder. Marcar poder pela moda. Pelo estilo. Pela extravagância. Lembra algumas pop stars modernas ? Pois é...os tempos passam, mas as pessoas continuam as mesmas...E uma interessante indagação levantada pela palestrante: sempre que Maria Antonieta volta como inspiração é porque alguma crise se avizinha...Será ? 

Para saborear tudo isso fomos brindados já na entrada com um Coquetel de boas-vindas - Délices de Paris: Mini-galette de roquefort, Mini-croque monsieur e
Gratiné des Halles. Tudo absolutamente delicioso e acompanhado de vinho tinto!

E após a palestra a degustação do banquete em mesas dispostas entre o palco e a platéia. O cardápio teve como inspiração as passagens da vida da Austríaca, como era chamada.





Entrada - La Dauphine (sua vida mais jovem)
Terrine de cogumelo defumado e brie com creme de aspargo
Vinho: Chardonnay Domaine de Vauroux - Borgonha – França
Isso era dos Deuses ! Super delicado e instigante e o vinho maravilhoso! 




Prato principal - Intrigues du châteu
Confit de pato ao molho de vinho tinto com purê de batata doce e mostarda dijon
Vinho: Cabernet Sauvignon Valle Las Acequias - Mendoza – Argentina
O prato principal já era mais robusto e misturava sabores da caça e batata doce, uma mistura de força e delicadeza, uma coisa sutil de contrastes e descobertas, exatamente como as intrigas da corte em que Maria Antonieta viveu.   



Sobremesa - Reine de la mode
Macaron de crème brûlé, macaron de caramelo com flor de sal e macaron de framboesa
Vinho: Espumante Hórus Brut - Serra Gaúcha – Brasil
E a sobremesa brincava exatamente com o esplendor de vanguarda em moda que Maria Antonieta representou, e representa até hoje. Suas perucas extremamente elaboradas, seus vestidos majestosos, mais que loucuras de uma rainha perdulária, eram sua forma de marcar presença, poder e valor numa terra e corte que a policiavam e vigiavam. Me pareceu bem significativo o fato de que ela, depois de dar a luz à delfina, tivesse relaxado com o fausto ao vestir e se voltasse a uma pretensa simplicidade campesina. Como se tivesse enfim se tornado Rainha de fato e não precisava mostrar isso de forma tão explicita.    


Após o banquete a palestrante e a equipe de gastronomia nos explicaram a sua inspiração e responderam perguntas.




Para ir ao banquete eu fiz uma produção ultra fashion e usei é claro minha carteira de PET reciclado da Criando Arte. Acho que Maria Antonieta iria aprovar.

E na saída ainda ganhamos...brioches! Uma brincadeira com a célebre frase pela qual ela ficou conhecida e que provavelmente nunca tenha dito. Já naquela época, como agora, a verdade era muito relativa e a versão bem espalhada se tornava inquestionável. 


A passagem dessa mulher pela história foi marcante. Ela ajudou a tornar a França e Paris um sinônimo de moda. Ela foi amada e odiada. Ela marcou um estilo de vestir e de ser. Ela desafiou costumes de sua corte. Ela foi caluniada. Ela abusou de sua posição gastando fortunas em frivolidades. Ela foi mãe. Foi mulher.  E foi moeda de troca entre dois países. Ela foi Maria Antonieta.

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