Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Momentos mágicos

FAU- UnB
Hoje estava falando sobre momentos mágicos. E me lembrei de um em especial que vivi nesse espaço. 


Anos 70, morava em Brasilia e fiz vestibular na UnB para Arquitetura e Urbanismo. Tinha dezessete anos. Me lembro de ter lido em algum lugar que era considerada a segunda melhor FAU do pais, depois da USP e antes da UFRGS (onde terminei o curso bem mais tarde). O Minhocão, prédio que abriga várias faculdades, tinha na de Arquitetura uma conformação interessante. As aulas teóricas eram nas salas a esquerda, fechadas por divisórias. E as aulas de projeto (na minha época eram PEU - Projeto de Edificação Urbana) ficavam no centro, separadas por armários ou biombos, e a gente circulava pelas várias turmas para chegar na nossa.


O mais bacana eram as épocas de entrega de projeto....a gente fazia os trabalhos na própria universidade e era nessa época que essa fluidez de espaços se mostrava mais rica. O pessoal dos anos mais adiantados, alunos do quarto ou quinto ano, super veteranos, iam palpitar e ajudar os mais novinhos, nós, que ficávamos encantados com esse auxilio. Cada aula que nos davam ! Sem contar que os professores passavam por lá de madrugada e participavam das vaquinhas de café e pastel que alguém sempre fazia a caridade de ir até ao centro comprar (na época era tudo muito distante...).


E num desses dias, quando amanhecia, paramos todos. Professores, alunos de todas as turmas e anos. Fomos ver o sol que nascia...Nunca me esqueci desse momento. Foi mágico e naquele instante o Minhocão ganhou alma para mim. Acho que ali entendi que o que faz a Arquitetura são as pessoas que nela transitam e que espaços devem sempre propiciar encontros, descobertas e momentos assim mágicos.      

Comentários

  1. É muito legal relembrar esses momentos mágicos.
    Dá uma sensação de estar no Paraíso (Paz Absoluta).A alma flutua.

    Linda Noite!

    Beijinhos

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós