Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Saberes locais são fonte de sabedoria - até que ponto a escola os respeita?



Eu ia falar sobre projetos de escolas para homenagear o dia do professor (15/10). Reuni alguns projetos bem interessantes para pesquisar mais a fundo, como essa escola para áreas rurais na Colômbia - a M3. Ela é uma escola em módulos, super adaptável às condições do país, com alta resistência aos desastres naturais e de fácil manutenção. Concebida em módulos, estrutura em bambu, com uma montagem fácil, é um edifício que pode responder aos desafios de proporcionar um bom local para a educação.
 

Mas a educação é bem mais que um prédio, por mais bonito, sustentável e criativo que seja. Não importa se é educação básica ou mesmo o ensino da arquitetura, ou outro saber, o ato de educar sempre será para mim o ensinar a olhar o mundo com seus próprios olhos e mestre, para mim, é o que planta vontades, o que fomenta, o que instiga e desperta em cada um a vontade da busca. E da busca do contraditório, das inúmeras versões, da base e da síntese que pode ressignificar o presente e alicerçar o futuro. E por isso fiquei muito fascinada vendo esse vídeo ESCOLARIZANDO O MUNDO:que " faz um chamado por um "diálogo profundo" entre as culturas, sugerindo que nós temos, ao menos, tanto a aprender quanto a ensinar, e que essas sociedades sustentáveis ancestrais podem ser portadoras do conhecimento que é vital para nossa própria sobrevivência no próximo milênio".

Ele é instigante e sugiro a quem for vê-lo (leva uma hora, mas vale a pena) que se disponha a ver um outro ponto de vista. Ele sugere que repensemos nós, ocidentais, criados com o foco na escola como transformadora e meio de asceção social, até que ponto elas podem estar impondo um modelo de cultura e valores que coloquem em segundo ou terceiro plano culturas diferentes. E tudo isso com a melhor das intenções. Uma frase me impactou: "Quem perdeu a sua história, perdeu tudo". E é verdade. Nossa história, nossa raiz, o que nos forma como pessoas, sociedades, países, consolida nossas práticas e nos faz conviver com as pessoas e o mundo de forma mais consciente e de certa forma, com mais sabedoria. 

E mesmo na Arquitetura notamos isso. O saber tecnologico de hoje nem sempre substitui o saber de técnicas que foram se consolidando com o passar dos anos, pela prática e pelo conhecimento do ambiente e costumes da região. O entrelaçamento desses saberes, ao contrário, pode nos gerar obras mais sustentaveis, mais inteligentes, mais verdadeiras. Há um questionamento no video sobre se trocamos SABEDORIA por CONHECIMENTO e mais modernamente por INFORMAÇÃO.  

E pensar criticamente sobre o significado dessas palavras pode nos fazer pensar qual o rumo que queremos de nossas escolas. Locais para crescer? Locais para realmente aprender o significado da vida e do que fazemos ou vamos fazer dela e do nosso papel no mundo e meio ambiente. Aprender a pensar e a conciliar esse tripé e talvez inverte-lo fazendo com que as informações nos levem ao conhecimento e este à sabedoria.  




Nas semicoisas das coisas
Outras versões da verdade
Do outro lado do espelho
(Paulinho Moska)

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